<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661</id><updated>2011-12-29T13:28:16.492-08:00</updated><title type='text'>NATOAZEVEDO-QUASENADA</title><subtitle type='html'>E-book com 26 contos, escritos entre 1988 e 2000, boa parte deles publicados em coletâneas no Brasil e em jornais de Belém do Pará, além do site OVERMUNDO.
    www.overmundo.com.br/perfis/nato-azevedo
    http://natoazevedo.blogspot.com/</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>33</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-1126164235447683502</id><published>2009-04-24T09:32:00.000-07:00</published><updated>2010-12-10T12:17:13.381-08:00</updated><title type='text'>SINOPSE (resumo dos contos)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHtdwDfvII/AAAAAAAAACQ/DGNl8moPqiA/s1600-h/jornal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 258px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHtdwDfvII/AAAAAAAAACQ/DGNl8moPqiA/s320/jornal.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328300929527561346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Considerações sobre   "QUASE NADA..."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em se tratando de livros &lt;strong&gt;"QUASE NADA..." &lt;/strong&gt;será a primeira publicação deste Autor, embora já tenham sido lançados em edição artesanal (em xerox) os livretos "Palavras ao Vento" -- de poesias, com 200 cópias, em Belém, 1985/87 -- e um "Quase Nada" com variados textos (músicas, crônicas, poemas, contos, ilustraçes), este último com tiragem de  80 exemplares, entre 1988/1990.&lt;br /&gt;Minha obra atual contém apenas contos, englobando o que de melhor produzí nos últimos vinte anos, boa parte deles com pitadas de non-sense e de absurdo, mas algo também baseado em minha vivência no que ainda resta da outrora exuberante Amazônia, em 26 anos de convivência com suas coisas, pessoas, hábitos e... tradições.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                &lt;br /&gt;                   &lt;strong&gt; SUMÁRIO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;01 - MANJAR CELESTIAL - os primeiros missionários que povoaram o Brasil enfrentaram muitos inimigos; pajés invejosos, costumes adversos, as tentações da carne e também fiéis... canibais. Frei Barnabé Tello lutou para superar tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02 - UM PRESENTE ESPECIAL - a vida nos garimpos pode mudar de um dia para outro mas, mesmo assim, sorte e azar são como irmãos siameses... andam sempre juntos !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03 - O IMPASSE - o terreno atrás da igreja-matriz era só um brejo, contudo os dois fazendeiros mineiros vivam às turras por causa dele. Nem o vigário local conseguiu resolver a pendenga. Foi preciso contratar um Juiz de Paz de outra cidade para desfazer o impasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04 - TIRO E QUEDA / QUEDA E TIRO - a partir de fatos e notícias do dia-a-dia, principalmente de jornais, surgem minicontos onde o inverossímil impera e a fantasia é mais real que a própria realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05 - A ÚLTIMA CHANCE - jogos de azar são a única oportunidade que a maioria tem de mudar de vida. Um jovem nissei também teve, com a Lotomania, sua derradeira chance. Só mesmo um terremoto (no Brasil?!) poderia arrasar sua sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06 - MERCADORIA DE NATAL - dezembro é tempo de visitar amigos e parentes que não se vê durante o ano inteiro. É Natal... tempo de vender quase tudo, inclusive um filho !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07 - O FANTASMA DO SINO - estradas, à meia-noite, são terreno propício para o surgimento de almas penadas, bruxas e fantasmas. Dessa sina não escapam nem as rodovias amazônicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08 - O LABIRINTO - "quem tem um, não tem nenhum", diz velho ditado popular. O aposentado Orinaldo pensava assim, quando invadiu o lote desocupado de um seu vizinho de posses. Recebeu em troca uma lição i-nes-que-cí-vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09 - MINIDRAMA EM 2 ATOS - temas distintos em dois minicontos com um pé no fantástico e final-surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - UM SINAL DO ALÉM - os deuses sempre escrevem certo mas nos negamos a ver seus sinais. O "médium" Dr. Nicolau cometeu o maior erro da sua vida ao desdenhar o jovem pivete "Didi". Ah, se arrependimento matasse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - O SAL DA TERRA - finalmente a centenária castanheira tombou, ferida por machados e serras elétricas. Morreram com ela os sonhos e os devaneios sentimentais de meia cidade, soterrados sob cimento e pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - O ÚLTIMO PESADELO - curtindo a sesta debaixo de frondosa mangueira o caboclo parauara sonhava feliz. Acordou apenas para assistir ao maior pesadelo de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - SOLUÇÃO CRIATIVA - definitivamente, o Céu estava uma bagunça e nem o Criador conseguia dar um basta naquela baderna. Então, Deus convocou São Pedro, que intimou São Benedito, que reuniu o pessoal... daí, surgiu a solução! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 - MANCHETE FATAL - êle "bolara" e executara o crime perfeito. Houve apenas um senão... a manchete fatal !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - O "RABO" DO TATU - uma curiosa estória sobre caçadas, tatus, caboclos, seus patrões da cidade e de como preconceitos arraigados influenciam a vida de quase todos, no interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - CINEMA DE VANGUARDA - êle foi prestigiar o cinema nacional, nos anos 70, num "pulgueiro" em Botafogo. Quase apanhou do "lanterninha" e acabou sendo atropelado pela "carrocinha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 - O ETERNO COMBATE DOS VENCIDOS - breve alegoria a respeito da Medicina, sobre médicos e sua luta para salvar vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 - A ÚLTIMA CEIA - o imperador Nero estava intrigado: seus magnficos leões recusavam-se a devorar escravos africanos. Sua Majestade ordenou que descobrissem porquê !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 - PAISAGEM AMAZÔNICA - todos se foram, só êle ficou ali, entre matas e águas. Mas, a bem da verdade, nem êle estava lá !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 - BENÉ, O "DENTE DE OURO" - nas Minas Gerais dos inconfidentes "Bené" era somente um jovem escravo a serviço do ideal de libertar seus irmãos de côr. Até que seu senhor descobriu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 - O OLHAR PENETRANTE DA NOITE - a Noite na floresta tem alma, olhos hipnóticos, mãos geladas e sussurra convites aos mais incautos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 - REVELAÇÃO DO ANO -  o marceneiro desesperançado decidiu mudar de ramo e de vida. Pelas mãos de seu casal de filhos de 10-12 anos virou pintor, artista de renome nacional e, por fim, criou uma ONG milionária para formar no morro outros tantos "gênios" mirins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 - UM ASSASSINO EM POTENCIAL - os passarinhos da garotada do vilarejo estavam sumindo misteriosamente. Era preciso achar o ladrão o mais rápido possível... e matá-lo, se necessário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 - JARDIM DE SONHOS - metáfora lírica que versa sobre os amores (platônicos ou verídicos) do Autor quando jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 - "CONTOS" DE UM CANTO... SÓ! - mantendo o "estilo" iniciado em Tiro e Queda, o conto trata de re-visões do dia-a-dia do homem comum, além de textos nascidos das notas &amp; notícias (re)tiradas de jornais e revistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-1126164235447683502?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/1126164235447683502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/sinopse-resumo-dos-contos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/1126164235447683502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/1126164235447683502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/sinopse-resumo-dos-contos.html' title='SINOPSE (resumo dos contos)'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHtdwDfvII/AAAAAAAAACQ/DGNl8moPqiA/s72-c/jornal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-1535026598284083046</id><published>2009-04-23T16:52:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T16:57:24.114-07:00</updated><title type='text'>QUASE NADA... (sugestão de capa)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfEASkMBP2I/AAAAAAAAACA/ObdOf6Allx0/s1600-h/Digitalizar0005.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfEASkMBP2I/AAAAAAAAACA/ObdOf6Allx0/s320/Digitalizar0005.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328040153107742562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;    Q U A S E    N A D A ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-1535026598284083046?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/1535026598284083046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/quase-nada-sugestao-de-capa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/1535026598284083046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/1535026598284083046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/quase-nada-sugestao-de-capa.html' title='QUASE NADA... (sugestão de capa)'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfEASkMBP2I/AAAAAAAAACA/ObdOf6Allx0/s72-c/Digitalizar0005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-6947636635964383413</id><published>2009-04-23T11:22:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T16:13:01.183-07:00</updated><title type='text'>QUASE NADA...  (abertura)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;QUASE NADA...  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para que chorar o que passou&lt;br /&gt;e lamentar perdidas ilusões&lt;br /&gt;se o ideal que nos acalentou&lt;br /&gt;renascerá em outros corações.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;trecho de "LUZES DA RIBALTA&lt;/strong&gt;", &lt;br /&gt;(versão de "LIMELIGHT", &lt;br /&gt;de Charles Chaplin)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;... no sistema de valores dessa civilização &lt;br /&gt;de sobrevivência compulsiva, o artista é &lt;br /&gt;irrelevante. Êle é encarado como um mero &lt;br /&gt;decorador que nos entretém enquanto &lt;br /&gt;trabalhamos. Como menestrel itinerante, ator, &lt;br /&gt;palhaço ou poeta, êle pode ir por toda parte &lt;br /&gt;porque ninguém o leva a sério.  &lt;/em&gt;               &lt;br /&gt;       &lt;strong&gt;ALAN W. WATTS  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Saia do meu caminho...&lt;br /&gt;eu prefiro andar sozinho,&lt;br /&gt;deixe que eu decida a minha vida.&lt;br /&gt;Não preciso que me digam&lt;br /&gt;de que lado nasce o sol,&lt;br /&gt;porque bate lá meu coração.&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;   &lt;strong&gt;BELCHIOR &lt;/strong&gt;-- trecho da canção      &lt;br /&gt;"Comentários à respeito de John"  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O livro é como o pólen que se desprega &lt;br /&gt;das flores. Flutua, dança nas mãos do &lt;br /&gt;vento e ninguém pode prever o alcance &lt;br /&gt;de sua fecundação&lt;/em&gt;.       &lt;br /&gt;   &lt;strong&gt;JOÃO DE JESUS PAES LOUREIRO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-6947636635964383413?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/6947636635964383413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/quase-nada-abertura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6947636635964383413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6947636635964383413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/quase-nada-abertura.html' title='QUASE NADA...  (abertura)'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-8191866062825759816</id><published>2009-04-23T11:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T11:19:55.222-07:00</updated><title type='text'>QUASE NADA -- (dedicatórias)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;    D E D I C O : &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha querida VIOLETA,  bela "lady" canina com quem vivi por treze longosanos. Dócil, alegre, meiga, educada e até resignada na hora dos banhos, que detestava. Este singelo livro é em sua homenagem ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos amigos que fiz em minha modesta existência e a todos os que me ajudaram algum dia... e não foram poucos os que o fizeram.Minha vida seria bem diferente sem a presença deles. Sou-lhes eternamentegrato ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu irmão mais velho Antônio Carlos, a quem devo a oportunidade de viverno Estado do Pará, região incomum e impressionante, onde o impossível acontece a toda hora... e toda espécie de impossível ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amigo paraense, pesquisador e prof. JOAQUIM ARAÚJO, ao qual agradeçoo apoio (inclusive monetário) recebido, que me permitiu participar de diversos concursos nacionais de contos, produção essa que justifica a realização destaobra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu irmão gêmeo Sérgio (ou melhor, Renato), cujo esfôrço diário para sustentara família -- num trabalho incansável nas mais diversas atividades -- possibilitoudedicar-me tão somente aos rabiscos que originaram essas mal traçadas linhas. Sei bem o quanto lhe devo! Muito obrigado por tudo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos srs. TAKAOKI NODA &amp; Família, Eduardo &amp; Sofia NAKAMURA (da Fruteira CEASINHA, no bairro Cidade Nova 4, em ANANINDEUA, Pará) com minha gratidão pela extrema consideração em todos os momentos e também pela valiosa ajuda nas situações mais difíceis.                            &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                  "NATO" AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-8191866062825759816?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/8191866062825759816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/quase-nada-dedicatorias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/8191866062825759816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/8191866062825759816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/quase-nada-dedicatorias.html' title='QUASE NADA -- (dedicatórias)'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-839364535352834511</id><published>2009-04-23T11:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T13:58:27.466-07:00</updated><title type='text'>HISTÓRIAS COM SEIVA DE BRASIL</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SuDHTIn6cYI/AAAAAAAAADo/br3j9i8fRkA/s1600-h/1183067735_sergio31.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 305px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SuDHTIn6cYI/AAAAAAAAADo/br3j9i8fRkA/s320/1183067735_sergio31.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395531485136187778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;HISTÓRIAS COM SEIVA DE BRASIL  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nelson &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Hoffmann &lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como foi não me lembro, mas contaram-me, há tempos:         &lt;br /&gt;- Olha! Tem um cara, lá no Pará, que é fã de tuas letras.&lt;br /&gt;Fã? Essa era boa... Quem seria? Passaram-me nome e endereço. O nome, Cincinato Palmas Azevedo, era-me estranho; mais estranho ainda ficou-me o nome da cidade: Ananindeua. &lt;br /&gt;Em todo o caso... É tão difícil encontrar leitor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi-lhe. E foi o desate de um turbilhão. Senti-me, de repente, num redemoinho. Fui envolto em rodopio, eu não sabia o que estava acontecendo. Parecia-me alucinação, eu estava sendo arrastado, tragado, para um mundo inexistente. &lt;br /&gt;Sobre mim desabaram informes, informações, notícias, panfletos, recortes, jornais, revistas, excertos, desenhos, cartuns, fotos, cartões, um mundo fantasmagórico. Velho barranqueiro do Ijuí, eu não concebia o mundo que se me apresentava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vieram poemas, poesias, trovas, reportagens, crônicas, contos, tudo instruindo-me sobre uma Amazônia que não viajava na mídia oficial. E tudo era-me enviado por Cincinato Palmas Azevedo, grandíssima parte de sua própria autoria. E o que não era, confirmava o autor.&lt;br /&gt;Cincinato Palmas Azevedo é escritor e assina como "Nato" Azevedo. Carioca de nascimento, perambulou por este país quase inteiro. Vida de andarilho e alma de cigano, tanto rodou por aí que, um dia, foi dar com os costados na longínqua Belém do Grão-Pará. Lá, por endereço, fixou a cidade de Ananindeua, na região metropolitana, onde reside.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formação literária de "Nato" Azevedo é de mundo e não de academia. Suas leituras são de revistas em quadrinhos e de aventuras e nada têm de canônico. De nossa elite intelectual, simpatiza com Monteiro Lobato, Aluísio Azevedo e alguma coisa de Coelho Neto. Prefere Jorge Amado a Machado de Assis. Deste, no dizer do próprio, pode ser que vá levar alguns volumes em meu esquife, talvez assim... &lt;br /&gt;Assim é "Nato" Azevedo, um escritor brasileiro. Veterano de mil peripécias literárias, e outras nem tanto, o autor está lançando “Quase Nada...” , um livro de contos.  Este é uma reunião de alguns dos seus melhores trabalhos, muitos já publicados, acrescidos de um bom número de inéditos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contos de “Quase Nada...” espraiam-se pelo Brasil e não são todos rigorosamente contos. Alguns ingressam no terreno da crônica, outros tecem comentários, terceiros adentram o relato de experiências vividas. Mas, todos são histórias que prendem o leitor até o fim. Esta, aliás, uma característica muito forte: o suspense dos textos, sempre com um impacto final. &lt;br /&gt;As histórias de "Nato" Azevedo podem ser distribuídas por três cenários: a) de fundo histórico, b) de ambientação urbana e c) de  paisagem amazônica. Alguns outros extrapolam a divisão, o que serve para confirmar a base.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias que visitam a nossa História desenvolvem-se em períodos bem diversos e focam assuntos os mais diferentes. Assim, temos o canibalismo e a atuação missionária dos  padres em “Manjar Celestial”, o surgimento do nome da cidade mineira de Juiz de Fora em “O Impasse”, a escravidão e a mineração em “Bené, o Dente de Ouro” e outros. E é de chamar a atenção para “O Sal da Terra”, um belo relato da simbiose terra-gente do Grão-Pará, centrada na árvore-símbolo, a castanheira. &lt;br /&gt;Já na ambientação urbana, as histórias acontecem, de preferência, em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo. A ação de “Manchete Fatal” desloca-se, em movimento de vaivém entre as duas cidades, o que é fundamental ao desfecho. “A Última Chance”, por sua vez, acontece inteira em São Paulo e foca um problema tão nosso conhecido: a febre das loterias, horóscopos, cálculos,  rezas, palpites, benzeduras, mandingas, tudo por uma  chance na sorte grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, “Um Sinal do Além” e “Cinema de Vanguarda” são destaques da vida urbana carioca. Situadas na década de 70, tem-se reflexos, conseqüências e produtos do regime político implantado em 1964, do início da tevê, da agonia do cinema nacional. A proliferação de seitas religiosas, a massificação da comunicação, a resistência por uma arte nacional é um pouco do muito que aparece. E a total ignorância de nossas elites na apreciação de uma obra artística é desmascarada em “Revelação do Ano”. &lt;br /&gt;O melhor da obra de "Nato" Azevedo, porém, está nas histórias que envolvem cenários amazônicos. Ali o autor é vigoroso e está  em casa. Como vem do Sul, tem olhos para ver e ouvidos para ouvir e nariz para cheirar e  tato para apalpar e  gosto para sentir nuanças que  o caboclo da aldeia não percebe. Como tem vida e mundo no lombo e muita argúcia na cabeça, o autor nos conta histórias que raiam pelo absurdo e são de pura humanidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente sente uma gratificação toda especial com o final feliz de “Um Presente Especial”; participa da epopéia dos transportes rodoviários em plena selva amazônica, com “O Fantasma do Sino”; e sofre a angústia de quem mora nessa “Paisagem Amazônica”. &lt;br /&gt;E o ser humano integra-se/desintegra-se, funde-se inteiramente com a selva, a natureza amazônica, em “O Olhar Penetrante da Noite”. A Amazônia é um redemoinho, um turbilhão que arrebata, prende e engole. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa temática é trabalhada em estilo intencional do autor. Nada de inovações ou pirotecnias. Sempre um modo narrativo tradicional, naturalista: a interação meio x homem, homem x meio. A realidade é subvertida de forma irônica e, por vezes, acusatória. Mas, é sempre muito brasileira, com seiva de Brasil. &lt;br /&gt;Ainda, um último detalhe: o curioso processo de metalinguagem que atravessa todos os textos. O processo diverte e chama a atenção, servindo de esclarecimento, alerta ou questionamento. É uma bem-humorada e inteligente maneira de prender o leitor e instigá-lo a reflexões não previstas. &lt;br /&gt;"Nato" Azevedo arrastou-me para o seu mundo. Fui sugado como por um redemoinho. E mergulhei numa Amazônia devastada, sofrida, explosiva, primitiva, exuberante, selvagem, judiada, desmatada... &lt;br /&gt;Hoje, "Nato" Azevedo tem um fã em mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Autor de &lt;strong&gt;"EU VIVO SÓ TERNURAS"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;    E-mail: &lt;strong&gt;nelsonhoffmann@yahoo.com.br&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-839364535352834511?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/839364535352834511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/historias-com-seiva-de-brasil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/839364535352834511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/839364535352834511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/historias-com-seiva-de-brasil.html' title='HISTÓRIAS COM SEIVA DE BRASIL'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SuDHTIn6cYI/AAAAAAAAADo/br3j9i8fRkA/s72-c/1183067735_sergio31.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-7777149004546113238</id><published>2009-04-23T10:50:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T11:01:44.896-07:00</updated><title type='text'>C O N F I T E O R  (à guisa de prefácio)</title><content type='html'>&lt;strong&gt; C O N F I T E O R (à guisa de prefácio)&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Latim, tido como língua morta, continua mais vivo do que nunca. Apesar da nossa santa Madre Igreja -- num de seus momentos de "maria vai com as outras" -- tê-lo eliminado de seu dia-a-dia, o que restou do idioma continua por aí, como um fantasma redivivo, a nomear novas plantas e seres, estrelas e remédios e, aqui e ali, em obras literárias ou processos criminais. Um dos muitos contracensos de uma comunidade cada vez mais global. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não sei porque escrevo! Alguns dos grandes nomes de nossas letras já afirmaram que o fazem por angústia. Outros mais, quando o momento de inspiração os invade e a vontade de escrever se torna irresistível. &lt;br /&gt;Affonso Romano de Sant'Anna deixou para a posteridade definição magistral:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"quem escreve, o faz para não morrer; quem lê, lê para imaginar que vive" !&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, o que me move são dois sentimentos tanto opostos quanto indistintos. O intuito, mesmo velado, de apontar êrros, de corrigir o Mundo e, paralelamente, um desejo sutil de "vendetta" diante da impotência (ou inconsciência) geral frente aos fatos da Vida.&lt;br /&gt;Escrever se torna bem menos prazer e lazer do que desabafo indignado (e, por vezes, virulento) por tantos "sapos" e "pepinos" que o Destino nos põe no prato da existência, mesmo quando se está farto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rezam as filosofias que o Mundo segue como deve ser -- apesar das guerras, da miséria e das perversões humanas -- mesmo que assim não nos pareça. &lt;br /&gt;Em Belém do Pará um jovem amigo poeta me declarou belo axioma, há mais de dez anos e que jamais esqueci... "o Mal por si mesmo se destrói!" (No caso dele acabou sendo verdade!)  &lt;br /&gt;Infelizmente, não tenho passividade ou paciência suficientes para esperar as coisas mudarem por si. Apresento-me, sempre que posso, para dar uma "mãozinha"... empurrando o carro da História e/ou dos desatinos da humanidade um pouco mais rápido para o abismo.&lt;br /&gt;Coisa de libriano perfeccionista, com lua negra (Lilith) em Leão, Dragão de água no horóscopo chinês e pedra e água são duas constantes em nossa vida, como bem percebeu meu irmão gêmeo Renato, espécie de místico anarquista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que escrevo... quando na realidade deveria estar procurando um trabalho ou uma ocupação que me desse o sustento? Por que escrevo... se acredito, como o personagem de William Shakespeare, que "palavras são palavras e nada mais que palavras"? &lt;br /&gt;Por que escrevo... se sei que os livros não mudam sequer as pessoas, quanto mais esse vasto e miserável Mundo? Por que escrevo... se ninguém (exceto eu mesmo) me lê, como sucedeu a tantos antes de mim, como sucederá "per omnia saecula" se o Mundo continuar seguindo seu imutável curso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não sei porque escrevo !  &lt;br /&gt;Há, é claro, a satisfação do texto bem escrito, do conto bem acabado, com comêço e meio... que o fim é sempre uma incógnita, mesmo para o escritor, acreditem se quiserem. &lt;br /&gt;Pode existir até uma pontinha de inútil vaidade, quando momentâneamente se atinge a tão almejada perfeição, mas tudo acaba logo que se fecha a gaveta, assim que guardamos a pasta de originais, registro &amp; memória que só o Tempo tocará dali por diante, com seus dedos apodrecidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciei muito jovem, escrevendo meras cartas de poucas linhas, elogiando a programação das raras Rádios rockeiras do Rio de Janeiro (eram os dourados anos 70!) e fazendo pedidos. Adiante, passaria a me dirigir a grandes empresas cariocas (com cartas redigidas à mão em folha de caderno, imaginem!) solicitando investirem mais no lazer de crianças e jovens das praias da zona sul. &lt;br /&gt;Quando tive um amigo assassinado na saída de um baile funk -- isto em 1977 ! -- escrevi aos grandes jornais alertando para a crescente violência de seus frequentadores e cobrando alguma atitude.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que fez de mim um escritor... e numa família em que todos (exceto minha falecida tia Anita) veem a atividade como ato inútil, coisa de preguiçoso, tarefa "que não dá camisa a ninguém".&lt;br /&gt;Trago gravada, entre as imagens da infância, a de meu inchado e avermelhado primo Joãozinho, espécie de cigano andarilho menosprezado por quase todos, escrevendo compulsivamente em blocos de folha de papel grosseiro, dia após dia, só Deus sabe o quê. Ou, então, tocando "violão" com uma cadeira ao colo. Pobre amigo... morreu de cirrose hepática, mas eu já não estava mais na cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o bem ou para o mal a AMAZÔNIA -- seja lá o que o têrmo signifique -- fez de mim um escritor. Numa terra com raras empresas de porte e cujo comércio é essencialmente familiar (com emprêgo de parentes próximos e seus agregados) nos sobra a todos um imenso tempo para não se fazer nada.&lt;br /&gt;Quem não é empregado de alguma entidade oficial (federal, estadual ou municipal) está literalmente "na rua da amargura", vivendo de expedientes, com ou sem aspas, muito embora numa terra tradicionalmente "de meio expediente" o "dolce far niente" é geral depois da "meia hora", como se diz por aqui. (Bem, após os dois parágrafos acima, sei que já perdi quase todos os leitores fanáticamente paraenses !) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, bom, razoável ou ruim, sou um escritor... que me importa se isso pouco ou nada signifique? E, no coração da Amazônia, cuja "capital" é toda arborizada com exemplares que a floresta original não possui, faço destas páginas meu "confiteor", numa visão que pode parecer a alguns parcial ou apressada mas que é visceral e legítimamente minha, sem empréstimo de opiniões (ou de obras) alheias. &lt;br /&gt;Um trabalho quase tão árido quanto esta devastada Amazônia, decantada em prosa e verso, cuja exuberância se imagina mas não se vê.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um escritor amazônico, quer isso me agrade ou não, mas (ainda) não amazônida porque esta agradável vivência próximo (ou dentro) de um pará-íso se transforma, graças a um regionalismo equivocado, numa existência onde as decepções, como as chuvas locais, são diárias, com hora marcada e não falham jamais.&lt;br /&gt;Todo e qualquer escritor teve um guia, alguém mais experiente a lhe apontar caminhos, espécie de "pai" intelectual. Rendo, pois, minhas homenagens ao professor vigiense e poeta maior da "cidade das águas", JOSÉ ILDONE, lá onde a Amazônia existe de fato e de direito e em cujo lugarejo Itaporanga -- pedra bonita, segundo seus legítimos habitantes -- dei meus primeiros passos literários, à sombra de um sem-número de palmeiras e de árvores frutíferas de toda espécie. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido e criado no ex-Morro dos Cabritos, hoje rua Euclides da Rocha, na zona sul do Rio de Janeiro, fui levado com 5 ou 6 anos para a casa dos meus tios, na calma e simpática Rio Negro, no sul do Paraná, com imenso rio de águas marrons e belas pontes de ferro. &lt;br /&gt;Estudamos, eu e meu irmão Renato, o curso primário num colégio de freiras, no extremo norte de Santa Catarina, num vilarejo "polonês" no cume de enorme montanha (Alto Paraguaçu), situado no município de Itaiópolis.&lt;br /&gt;Enfim, uma vida inteira quase como cigano, entre Rio e rios ("parás"), entre águas e pedras ("itas"), entre morros e planícies, entre o sul e o norte como bússola enlouquecida. E, enquanto trabalhava na sede carioca da MRN - Mineração Rio do Norte (viram, eu não disse ?!) me veio repetidas vezes o convite de meu irmão mais velho para vir morar em Belém... do Pará, dos rios, das águas e das pedras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estou... e, este livro, que camufla em despretenciosos "contos" muito mais da minha vida (e dessa estupefaciente experiência) do que eu gostaria, tem a decidida intenção de registrar o sucedido. &lt;br /&gt;Claro está que, como criador, é meu dever moldar o real, dar-lhe nova roupagem e "com a liberdade que o devaneio proporciona" (obrigado, João de Jesus Paes Loureiro!) redirecionar uma realidade mesquinha e por vezes angustiante para o terreno da arte literária, da metáfora, do imaginário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É do poeta insígne de "Altar em Chamas", mais amazônida do que nunca, a explicação definitiva: "Na cultura paraense-amazônica o ilógico explica o lógico, o possível revela o real, o devaneio torna-se meditação, a relação maravilhada com as coisas converte-se em método criador. A arte no Pará é o lugar privilegiado dessa TRANSREALIDADE, que está no âmago de nosso pensamento, como coincidência de opostos: do real e o imaginário. (...) A realidade torna-se incrível e o imaginário credível. Vivendo no particular, temos o prazer do desmedido". (in "Arte e Desenvolvimento", pag. 20, Cadernos IAP, vol. 2, Belém/1999)     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"QUASE NADA..." &lt;/strong&gt;é um modesto escrito, sem pretensão à grande obra literária, de um Autor que só estudou até o 2º ano do antigo Curso Ginasial (agora, 6ª série). Entretanto, nem por isso deixou de aprender na "universidade da vida", que dá conhecimentos mas não confere diplomas.&lt;br /&gt;Hoje, sou espécie de coruja de olhos arregalados para os seres (e os fatos) da Vida, tentando se possível fazer alguma prêsa. Se você vai aventurar-se por entre estas "espinhosas" páginas esteja atento mas, mesmo assim, chegará ao fim da jornada com alguns "arranhões". &lt;br /&gt;Em certos casos, deixará pelo caminho algum pedaço... do cérebro ou do coração.Siga em frente! Contudo, cuidado com os cachorros... êles costumam ser mais humanos que seus donos e isso é insuportável !                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANANINDEUA, Pará, BRASIL, &lt;strong&gt;dezembro de 2000&lt;/strong&gt;                                           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             "&lt;strong&gt;NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;  (poeta e escritor)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-7777149004546113238?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/7777149004546113238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/c-o-n-f-i-t-e-o-r-guisa-de-prefacio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7777149004546113238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7777149004546113238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/c-o-n-f-i-t-e-o-r-guisa-de-prefacio.html' title='C O N F I T E O R  (à guisa de prefácio)'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-449771515921523360</id><published>2009-04-23T10:41:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T10:47:12.712-07:00</updated><title type='text'>MANJAR  CELESTIAL</title><content type='html'>&lt;strong&gt;MANJAR  CELESTIAL  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz um velho ditado popular que "quem narra um conto aumenta um ponto" mas, no presente caso, aumentei em muito as 3 ou 4 linhas encontradas num velho alfarrábio, que registrava para a posteridade as peripécias e os valorosos feitos de um desbravador jesuita nas plagas até então desconhecidas da Terra do Pau-Brasil... e de outros paus menos votados.&lt;br /&gt;Surgia mais um sol primaveril a aquecer os costados floridos do gigante deitado eternamente em berço esplêndido e o Novo Mundo descobria, boquiaberto de espanto, que havia mais que água e gaivotas ao norte da linha do Equador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia homens barbudos e mal-cheirosos, enrolados em toneladas de tecidos coloridos, vindos meio século antes em enormes "pirogas" movidas a velas &amp; cordames, para convencer canibais em pêlo a cobrir suas "vergonhas" e, por fim, a crer que outro deus maior do que Tupã exigia a construção de imensas ocas onde ninguém morava, além de estátuas e cruzes.&lt;br /&gt;Frei Barnabé Tello recebeu a dádiva divina de ser um dos primeiros missionários a pisar nas terras até então pagãs e começou com presteza uma abençoada catequese que prosperou de tal maneira que quase aposentou o temido pajé da tribo dos patas-chocas, no litoral baiano, reduzido depois da intromissão do jesuíta a mero curandeiro receitador de mezinhas e garrafadas, isto para não ficar desempregado pois a Igreja sempre se preocupou com a classe trabalhadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente na aldeia admirava aquele espantalho esquelético, de olhar perdido na distância, a mesma grosseira e surrada batina o ano inteiro, se sacrificando em prol de todos, sem jamais pensar em si. A taba ficara famosa nas redondezas com a presença e as realizações do sacerdote, algumas curas milagrosas segundo a plebe ignara, além de reformas gerais em tudo.&lt;br /&gt;Contudo, nem todos estavam satisfeitos com o andar... da carruagem, digo, do caraíba invasor, entre êles o velho chefe, tuxaua de muitas luas, o cacique "Raposa Vermelha", infeliz por ver extintos seus mais gratos costumes como o de fazer e beber cauím, andar como Adão no Paraíso (e não com aqueles trapos ridículos), ter várias concubinas, fora a deliciosa tradição de desvirginar cunhãs por diversos machos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nayara, filha única e dileta do cacique era um esplendor, deusa feminina e bela, orgulho da tribo, uma amazona completa, guerreira sem igual na região, cantada em verso e prosa. Foi o padre bater os iluminados olhos na beldade e jurar a si mesmo conquistá-la para a seara do Senhor, seu mais agradável troféu a culminar um trabalho de catequese que já durava dez anos. &lt;br /&gt;O frade acompanhara o desabrochar daquela cobiçada flôr das selvas, com o homem dentro de si  quase desperto ao admirar as belas formas sendo acariciadas pelas águas, no banho diário no rio da aldeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas horas, o crucifixo ardia-lhe sobre o peito hirsuto, enquanto seu voto de castidade naufragava sobre sensuais ondas de pensamentos impuros e desejos inconfessáveis. Nayara não lhe era de todo indiferente, o jesuita servia a seus propósitos de causar ciúmes aos maiorais da tribo, entre os quais estaria seu futuro esposo. &lt;br /&gt;Daí, frequentemente acompanhava o pregador em suas andanças e catequeses, ouvia mortificada a lenga-lenga religiosa e, vez ou outra, frequentava o ritual litúrgico, do qual não entendia patavina. Já Frei Barnabé, fiel a seu juramento, sepultava nos porões do inconsciente o prazer sexual que sua companhia lhe trazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiram no horizonte diversos invernos, Nayara casou, teve filhos que o frade batizou com a graça de Deus e, com o falecimento do idoso pai, a temida amazona passou a reinar, assistida pelo marido, que em tudo a ouvia e seguia. &lt;br /&gt;Como primeiro decreto Nayara pôz meia aldeia à disposição do missionário e ela mesma transformou-se na maior das devotas, não perdendo uma missa sequer. O pajé foi "promovido" a varredor de vielas da taba, enquanto a guerreira armava os espíritos para tornar os patas-chocas o terror daquela área. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pedido do frade, a aldeia encheu-se de gentios capturados em tribos vizinhas e de negros dos primeiros quilombos que o Nordeste viu nascer, todos "empregados" a serviço do Senhor. &lt;br /&gt;Com a força escrava construi-se o primeiro colégio da região -- pago, é claro, e só para os filhos dos "galegos" -- além de uma rendosa usina de açúcar, padaria, hospital, um ferreiro e a suntuosa Matriz, marco da nóvel província, tudo para a glória de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia... um Deus certamente canhoto, escrevendo torto por barrocas linhas, fez com que Nayara voltasse de uma daquelas refregas mortalmente ferida, o fatal curare da flecha assassina a corroer-lhe o último sôpro de vida. &lt;br /&gt;De nada adiantou o emprêgo dos renomados remédios trazidos de Coimbra ou o quinino e a morfina importados de França. Nem as rezas do decrépito pajé, suas defumações e emplastros resolveram qualquer coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já nos estertores da morte, logo após a extrema-unção, a jovem sussurra ao jesuita seu último pedido, o derradeiro desejo, o testemunho mais sincero:&lt;br /&gt;-- "Meu bom homem, daria tudo o que fui na vida, a fama e as conquistas, o que tenho e o que fiz, trocaria minha fé por um dedinho gordinho de um curumim caraíba bem assado, com ervas aromáticas e pimenta brava. Que o seu Deus me perdoe... é isso o que eu quero"! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jesuíta deu um urro de estupor, enquanto o céu caía-lhe sobre a encanecida cabeça e o chão lhe faltava sob os maltratados pés. Acordou "lelé", biruta, resmungando frases desconexas em latim, grego e francês. &lt;br /&gt;A balzaquiana Nayara foi sepultada em rica urna funerária, com honras de cacique e tomaram as rédeas do próspero vilarejo indígena o antes desmoralizado pajé e o viúvo da índia. O missionário macambúzio foi posto a correr do local a tacape, a escravaria libertada, tudo o mais destruído e, pouco tempo depois, não havia um só sinal do homem branco na aldeia, exceto um ou outro vocábulo em bom vernáculo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando uma nova caravela aportou à região os silvícolas rasparam os caldeirões enferrujados pelo desuso, fizeram esplêndida recepção aos navegantes com iguarias e frutas e, depois, os exterminaram todos, inclusive uma espécie de pavão bem alimentado que os demais tratavam com cerimônia e ao qual chamavam de "Dom Sardinha".&lt;br /&gt;O ex-bispo ficou para sobremesa e aos canibais empanturrados o "acepipe" caraíba tinha o suave sabor de um manjar celestial. &lt;br /&gt;Nayara, presente em espírito, deliciou-se com a cena !                       &lt;br /&gt;          &lt;strong&gt; "NATO" AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-449771515921523360?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/449771515921523360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/manjar-celestial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/449771515921523360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/449771515921523360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/manjar-celestial.html' title='MANJAR  CELESTIAL'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-7355874880052617130</id><published>2009-04-23T10:27:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T09:54:55.490-07:00</updated><title type='text'>UM  PRESENTE  ESPECIAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHuz79roDI/AAAAAAAAACY/3C9gnJBEFTE/s1600-h/Transamazonica.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 224px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHuz79roDI/AAAAAAAAACY/3C9gnJBEFTE/s320/Transamazonica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328302410193150002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;UM  PRESENTE  ESPECIAL  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para as mãos calosas, maltratadas por anos sem fim de luta diária contra o seixo e a lama dos rios, não acreditando no que seus olhos viam. Imaginou o largo sorriso de poucos dentes que se abria na máscara de barro escuro do que fôra seu rosto e espremeu entre os dedos enrugados a bela pepita de muitos quilates que a deusa Fortuna, tanto procurada, acabara de mostrar-lhe. &lt;br /&gt;Enfim, mais de dez anos depois, a confirmação de sua mais acalentada esperança, de sua mais secreta certeza, o término definitivo das agruras, das necessidades todas, das desesperanças que consomem nossas almas e amargam nossas vidas. O sertanejo, barbudo e descarnado, com o peito em fogo e o coração a galope, devolveu o ouro ao lençol pardacento que esconde os mistérios de um rio, temeroso que um servo da cobiça ou um escravo da inveja tivessem visto o tamanho de sua felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o olhar atento a tudo em sua volta "Zé Rai" escutou os céus, o sussurro do vento, os ruuídos da terra, o canto dos pássaros e das águas... agora, era preciso analisar cada passo e cada gesto, repensar cada movimento a ser seguiido. Serra Pelada, próximo dali, lhe ensinara que a felicidade alheia é cálice de fel e a riqueza do vizinho um bem a ser tomado a qualquer custo. Já dizia sua avó que "cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém". &lt;br /&gt;Resolveu, enfim, enterrar a pepita de ouro bruto, com quase um quilo, entre as portentosas raízes de solitária castanheiraà beira-rio plantada, estranho vigia de barcos a motor, modestos "cascos" e ariscos peixes que por lá transitavam vez ou outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcou bem o local num canto da memória e voltou nervoso e ressabiado para casa, humilde casebre de estacas e palha de anajá, com meia parede de estuque protegendo a intimidade da família, dona "Nicota" e o presente de Deus, anjinho moreno de saia, Kátya Regina.&lt;br /&gt;Quando encostou a "montaria" no arremedo de cais a maré estava baixa. Meteu-se até o joelho no lodaçal, puou a canoa para o seco, emborcou-a amarrada e, sob os olhares curiosos dos poucos que se achavam no minúsculo vilarejo naquela hora, adentrou no barraco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Anita levantou sobrancelhas com ar interrogativo, "Catita" correu para abraçar o pai e até "Tiquinho", o vira-lata da família em geral desanimado, demonstrou certa alegria.&lt;br /&gt;José Raimundo falou mais alto do que de costume, fingindo desalento:&lt;br /&gt;-- "Me deu um "febrão" danado, "Nicota", não quiz nem ficar mais tempo. Tenho que ir à cidade comprar quinino e umas "pírolas", senão a bandida me joga na rede sem pena".&lt;br /&gt;Almoçou pouco, quase não tocou no prato, a preocupação enchendo todos os espaços vazios no seu corpo. Precisava manter seu achado em segredo, por mais que custasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiu na hora da sagrada agonia, a sombra da morte a cobrir-lhe os trôpegos passos, apavorado que seu súbito fim sepultasse o belo futuro recém-nascido para êles. Voltou noite alta com a mezinha de costume para combater malária e febre amarela, além de um farnel caprichado que lhe permitiria ficar à modorra por uns bons dias. Não esqueceu do pedido da filhinha... um belo colar "havaiano" de duas longas voltas, cheio de flores de tecido e "pedrinhas" multicores de plástico e de madeira. Mas, só o daria adiante, quando da viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a vida é um mar de rosas todo amanhecer é sempre lindo. "Zé Rai" acordou bem disposto, os olhos brilhando e, logo após o café, disse à esposa que iria caçar, sem hora para voltar. Preparou os apetrechos todos, alguns instrumentos extras e até um alvo lençol, surrupiado às escondidasdos guardados da mulher. &lt;br /&gt;Embrenhou-se na mata o mais que pôde, parando aqui e ali para certificar-se de quem ninguém o seguia. Só muito avante tomou o rumo do rio, onde a castanheira amiga protegia seu fabulosos achado. Tornou a embrenhar-se no capão cerrado até solitária clareira, onde passou a esmerilhar a pepita, reduzindo o sólido a pequenas esferas e cubos e recolhendo ciosamente o valioso pó de ouro em um saquinho de couro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol dividiu o tempo em duas partes, crestando peles e cérebros mas "Zé Rai" estava absorto demais em sua faina para perceber o calor infernal. Terminada a tarefa, colocou o resultado nas pontas ôcas de grosso bambu, ocultando tudo sob um tampo de barro. Por fim, limpou das mãos os restos de esmalte colorido, enterrando bem fundo no solo úmido os vários vidrinhos quase vazios. Só então sorriu aliviado, dando um suspiro profundo. &lt;br /&gt;Era hora de voltar... carecia no entanto matar qualquer coisa de pena pois, afinal, êle saíra para caçar e poderia levantar suspeitas se voltasse de mãos vazias. Não lhe foi dificil acertar um dos belos maguaris que faziam a sesta às margens do rio, após lauto "almoço".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou exausto em casa, mais pelo peso do colossal segredo que suportava sozinho, para que todos não corressem perigo de morte. Sussurrou para "Nicota", porque sabia que as paredes têm ouvidos:&lt;br /&gt;-- "Avie essa "penosa" assada para viagem, porque vamos para a pista amanhã bem cedo. "Catita" eu aviso quando fôr a hora de partir".A cara do marido não deixava dúvidas... dera com os costados num veio. Dez anos vivendo e sofrendo juntos transformara o rosto de ambos num livro aberto, que dispensava papalvras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Anita foi prestes acender uma vela para Santa Rita de Cássia, agradecendo o milagre e pedindo proteção. Naquelas êrmas paragens felicidade e desgraça eram como irmãs gêmeas, uma não vinha sem a outra. &lt;br /&gt;Velaram o sono da filha, ansiosos demais para dormir, os minutos martelando compassados a paciência de cada um, as horas espichando-se noite a dentro como se fosse o princípio dos séculos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Zé Rai" acordou a filha com o presente especial, o vistoso colar de pedras novas a substituir o plástico ordinário, tapando a pequenina boca para que não gritasse.&lt;br /&gt;-- "Catita", meu anjo, olhe aqui! Bem do jeito que o papai tinha lhe prometido... demorou, mas 'taí"!&lt;br /&gt;-- "Vige Maria, meu Deus, como é lindo. E ra só um negocinho... nem percisava sê tão bunito"!&lt;br /&gt;-- "Qual o quê, meu tesouro... se tudo correr bem, vou te dar aquela bonecona que fala, lá da Estrela. arrume-se, "gitita", vamos partir já-já"! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram madrugadinha, os poucos viventes que assistiram a cena murmuraram desconfiados, enquanto o trio palmilhava os muitos quilômetros que o separavam do "aeroporto" no coração da amazônica selva, mera reta de pó e poças de lama. Nessa longa viagem é que imperava o perigo e a fervorosa oração de dona Anita visava evitar tal destino.&lt;br /&gt;"Zé Rai" caminhava em silêncio, o coração na boca, pois a filha poderia passar pelo pior, pela má sorte que atingira tantos antes dele, alguns tendo perdido naquela estrada não só o dinheiro e a honra mas também a vida. A família já estava avisada: nenhuma reação, nem um pio de protesto, nada que irritasse o humor dos amigos do alheio. Que se levasse tudo... era mais importante continuarem juntos, vivos ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem findara seu pensamento quando surge das toiças de matagal diante deles dois meliantes de assustadora figura, "mineiros" do mal saidos das profundas do Inferno. Diz o primeiro:&lt;br /&gt;-- "Ora, ora, ora... aonde vão os pombinhos com tanta pressa"?&lt;br /&gt;-- "Será que estão indo à Caixa depositar algum ouro"?, retruca o outro.&lt;br /&gt;-- "Mas que nada, compadres... vamos só visitar uns parentes lá na cidade", tenta disfraçar "Zé Rai", com um fio de voz e puxando a filha para junto de si, com ar protetor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Bela "quengazinha" você tem aí, macho; quando é que ela vai lá prá "casa de Madame"? Olha, eu quero inaugurar a "bichinha" !&lt;br /&gt;José Raimundo ferveu de ódio incontido nos seus brios de pai amoroso. Com muito custo "Nicota" o impediu de praticar uma besteira e, tomando a pulso a situação, disse-lhes:&lt;br /&gt;-- "Levem o que quiserem mas, pelo amor de Deus, não nos façam mal"! &lt;br /&gt;Os salteadores entreolharam-se e depois, aproximando-se das vítimas, apalparam "Zé Rai". Em poucos instantes deram com a bolsinha de couro, com as faíscas de ouro, escondida no baixo-ventre de José Raimundo, sob a esgarçada cueca. Deram vivas entre sí, gargalharam, deduzindo que em algum canto da tralha que traziam havia bem mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assaltante com cara de Satanás retirou do bolso afiada navalha e, com ar sugestivo, limpando o canto das imundas unhas, perguntou:&lt;br /&gt;-- "Então, mestre, vai dizer logo onde está o grosso ou quer que o mano abra outra boca abaixo do queixo... ai da havaianinha com esse lindo colar, "vizinho"?       José Raimundo estremeceu pois o presente dado à filha era algo sagrado, seu único elo com Kátya Regina na Terra, nem por um segundo se arriscaria a perdê-lo. Confessou entre soluços, a voz embargada pela decepção, o desgosto amargando cada sílaba, que o resto do ouro estava dentro do frango assado, camuflado em meio à farofa de ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levaram-lhe tudo, até mesmo os suados trocados que pagariam a breve viagem dos três à cidade próxima, nascida do nada em poucos dias graças a febre da fortuna fácil. Sentados no barranco à beira da estrada, "Zé Rai" consolou-as declarando:&lt;br /&gt;-- "Está decidido, vamos assim mesmo! Vocês precisam se distrair para esquecer o susto!  O "seu" Richardes me cede as passagens de avião fiado, êle já me fez isso antes. Égua, sô, vam'bora" ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para "Catita" o vilarejo desordenado e barulhento era coisa de outro mundo, um espanto, um troço que só haveria na Lua, sabe Deus onde mais. Dona Anita analisava com frieza o lugar; comera o pão que o diabo amassou em cidade semelhante, antes que José Raimundo tramasse sua fuga de um dos muitos mafuás dominados com mão de ferro por cafetinas balzaquianas apelidadas pela "homarada" de... "madames". &lt;br /&gt;Estava profundamente triste com o infortúnio do marido, cujos sonhos foram degolados pelo fio cobarde de uma navalha,. "Zé Rai" parecia ter se recuperado bem do trágico golpe do destino. &lt;br /&gt;Como o comércio local funcionava quase exclusivamente à base de "cadernetas" e vendas fiado, êle pode tomar sorvetes com a família e passear pelas redondezas até que a Caixa abrisse as portas, pontualmente às 10 horas.                                                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou ambas ao Banco, oásis refrigerado e celestialmente limpo, onde sentaram-se sobre nuvens, digo, poltronas. Quando o pai pediu à filha seu belo colar, dona Anita protestou com veemência:&lt;br /&gt;-- "Zézito, meu nêgo, você enlouqueceu de vez? Ela acabou de ganhar a jóia e você já quer dar fim no presente"?&lt;br /&gt;-- "Confie em mim, "Nicota", sei o que estou fazendo. "Catita", minha flor, eu preciso de teu colar agora"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De olhos arregalados, a menina concluiu que, se sua mãe aceitara a decisão do marido, só lhe restava anuir ao pedido do pai, cujo tom de voz não admitia réplica. Com o badulaque nas mãos, dirigiu-se ao setor de pesagem de ouro bruto, pepitas e ouro em pó.&lt;br /&gt;-- "O que é isso, meu camarada, algum tipo de brincadeira"?!, perguntou o funcionário, mirando "Zé Rai" com ar interrogativo.&lt;br /&gt;-- "Por favor, quebre as "pedrinhas" coloridas do colar, porque é tudo de ouro do melhor quilate"!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntou gente de todo canto para ver a novidade, a Caixa quase parou para que admirassem o belo estratagema usado por José Raimundo para trazer com sucesso sua pequena fortuna até a cidade. Virou herói por um dia, almoçou de graça com a família, foi apadrinhado e elogiado por quantos souberam do "causo", que voou Estado afora como periquitos na chegada do verão.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte "Zé Rai" voltou de "voadeira" ao casebre que os acomodara todo aquele tempo. "Tiquinho" estava pele e osso, morto de saudade de "Catita" mas atento a tudo e guardando como podia a casa e as coisas da família.  &lt;br /&gt;Levou só o que era importante: fotos, lembranças várias, o vestido de noiva de "Nicota", quadros e poucas coisas mais. O resto era de quem quizesse ou pudesse pegar. Saiu em silêncio, sem nenhum adeus, pois quem ficava estava cumprindo seu tempo de purgatório aqui mesmo na Terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "dotô" José Raimundo é hoje feliz fazendeiro nas Minas (epa!) Gerais, dona Anita remoçou vários anos e a jovem e esbelta Kátya Regina guardará para sempre a enorme boneca da Estrela que fala "mamã", fecha os olhinhos, mama e até faz "pipi" se a dona dela quizer. &lt;br /&gt;"Tiquinho" ficou irreconhecível, mais parecendo um leitãozinho cevado, só que "com pernas de pau".                                    &lt;br /&gt;               &lt;strong&gt; "NATO"  AZEVEDO &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-7355874880052617130?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/7355874880052617130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/um-presente-especial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7355874880052617130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7355874880052617130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/um-presente-especial.html' title='UM  PRESENTE  ESPECIAL'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHuz79roDI/AAAAAAAAACY/3C9gnJBEFTE/s72-c/Transamazonica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-7376057453245516431</id><published>2009-04-23T10:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T10:25:32.973-07:00</updated><title type='text'>O  IMPASSE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O  IMPASSE  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um tempo muito antigo e, meninote ainda, de muito pouco me recirdo. As lembranças, qual plangente carro de boi, transpõem as barreiras do Tempo, transportando o Passado para diante de meu translúcido olhar.&lt;br /&gt;Lá está nossa família reunida ao redor da modesta fogueira, rostos brilhantes sorvendo ansiosos cada palavra do vovô, portento negro que já fôra escravo e trazia à vida os muitos "causos" soterrados pelo caminhar das eras. O gélido ventos das "geraes" os mantém atentos e até os seres noturnos da mãe-natureza parecem calar para não atrapalhar o relato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belos tempos aqueles... a cavalhada e as Folias de Reis eram agradáveis obrigações e o cavalo o meio mais comum de transporte. Esse nosso século de guerras &amp; outras tragédias mal começara e o lampião iluminava casas e ruas. &lt;br /&gt;Juiz de Fora era pouco mais que um vilarejo e o modesto caminho do ouro que outrora fez a fortuna (ou a desgraça) de tantos metamorfoseara-se na esplendorosa Avenida Rio Branco.&lt;br /&gt;............................................... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis-me ao pé do lume, de rosto afogueado, a interpelar vovô como surgira o nome da Cidade, onde nasceu tal título. Êle esquivou-se do encargo e, ademais, já passara de muiro a hora de criança ir para a cama mas, diante da insistência geral, rendeu-se a meu pedido. &lt;br /&gt;E começou a narrar lá do seu jeito negro, apostrofando verbos, "comendo" sílabas, reinventando palavras. &lt;br /&gt;-- "É uma história muito longa... Juiz de Fora era só um pedaço de terra sem nome sob as vistas de Deus-Pai Todo Poderoso, pelos idos de 1800 e tal, um sitiozinho, um distrito ou comarca, sei lá, de Barbacena ou de outra cidade próxima. A igrejinha local era o centro de tudo, numa época (que não volta mais) onde o vigário era a um só tempo pai, juiz, advogado, professor e até coveiro, fazia leis, distribuía justiça e resolvia ou decidia quase tudo na vida dos paroquianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como um dia a casa cai, apesar da respeitosa insistência de suas beatas esposas, dois fazendeiros decidiram dar às costas aos palp..., digo, aos conselhos do sr. vigário, sexagenário europeu de sotaque carregado e cumprimentos em latim. &lt;br /&gt;O motivo da contenda era o Brejo das Almas, um charco de pouca valia bem por detrás da Matriz e que se alongava entre as propriedades do abastado fazendeiro "Zé Rico" e do modesto sitiante João "Tutu", apelido este herdado a partir das prendas culinárias da esposa. &lt;br /&gt;Por razões diversas ambos queriam a área, espécie de terra de ninguém. O vigário sonhara intermediar a questão justo para pleitear dos dois uma nêsga de chão para a Igreja, um pátio interno, quem sabe. Agora, a vaca fôra literalmente pro brejo, pois os "condenados" exigiam, de per si, um... juiz de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava armado o impasse... os litigantes bateram pé e não houve reza, novena ou promessa que os demovesse daquele propósito. &lt;br /&gt;-- "Juiz de fora"... bradava "Zé Rico", com um sorriso esperto e a idéia fixa de subornar o dito-cujo.&lt;br /&gt;-- "Ôme, pr'arresorvê esse angú só mêrmo um joiz de fora, sô"!, retrucava João "Tutu", imaginando que sua honrada pobreza traria o juiz para o seu lado. Tanto a comunidade fofocou, tanto se comentou o assunto que a notícia do arranca-rabo espalhou-se e, eis que num belo dia, aporta ao vilarejo nada mais nada menos que... um juiz de paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio em luxuoso cabriolé de cavalo ajaezado, vestido com cerimônia, de fraque, vistosa cartola, polainas sobre lustroso calçado e portando um Roskoph de ouro puro, preso com estudada displiscência ao cinto (na época, correia) da calça de linho inglês. Como de praxe, visitou o Vigário, autoridade mor da região e, na rápida troca de olhares, o vivido sacerdote estremeceu. &lt;br /&gt;Já o precavido homem da lei abaixou convenientemente a aba da cartola até a ponta do nariz e despediu-se do pároco, sem mais delongas. Visitou em separado cada um dos contendores, reuniu-se depois com ambos, regalou-se à farta, repousou na casa de um e de outro e, após alguns ótimos dias, pediu 48 horas para dar a decisão final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava analisar cada lado, o problema era delicado. Mal acabou de falar, sumiu. "Zé Rico" e João "Tutu" passaram várias noites em claro antes de ter novamente notícias do doutor Kaff Aggesti P. Lantra -- assim se chamava o "janota" de mãos bem cuidadas e olhar ladino -- só que êle traziauma escritura de posse de terras devolutas do Império (era 1835 !) em seu próprio nome e referente justamente ao Brejo das Almas. &lt;br /&gt;Para acalmar os ânimos e evitar uma verdadeira batalha campal o pároco viu-se obrigado, muito a contragôsto, a acompanhar o espertalhão até a casa dos desolados fazendeiros, quando estes tomaram pé da inusitada situação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o visitante, dono legítimo e inconteste da gleba, propoz vendê-la aos dois conforme suas posses, o qual foi aceito. Desde então "Zé Rico" e João "Tutu" viraram motivo de chacota de velhos e jovens que, logo que os viam, gritavam à sorrelfa:&lt;br /&gt;-- "Juiz de fora...  juiz de fora" ! &lt;br /&gt;Sendo assim, quando tempos depois fundou-se a cidade, não ocorreu a ninguém outro nome. Eis como nasceu... JUIZ DE FORA !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Bem, minha gente, é tarde... com sua licença eu vou dormir, que amanhã é dia de branco"!  &lt;br /&gt;E vovô, apoiando-se em sua inseparável bengala, sumiu na penumbra do varandão mal iluminado. &lt;br /&gt;                   &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(NOTA: o Autor agradece penhoradamente a prestimosa colaboração do sr. ANTÔNIO CARLOS DUARTE, do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora/MG.)******************************************** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto acima foi Vencedor (Medalha de Prata) no I Concurso de Contos da Academia de Letras da Manchester Mineira, em setembro de 1999.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-7376057453245516431?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/7376057453245516431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-impasse.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7376057453245516431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7376057453245516431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-impasse.html' title='O  IMPASSE'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-5759059877314868653</id><published>2009-04-22T11:53:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T09:55:50.485-07:00</updated><title type='text'>TIRO E QUEDA  /  QUEDA E TIRO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;TIRO  E  QUEDA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raimundo Nonato era descendente de um povo que, geração após geração, "nordestinizou" aquela densa região, transformando-a quase toda num deserto. &lt;br /&gt;Êle mesmo, com o espírito da caatinga a bradar dentro de si, não era muito "chegado" em florestas. Árvore para êle era só dinheiro ou, no máximo, cerca, carvão e, principalmente, travessas de sustentação das casas,&lt;br /&gt;Num belo dia ensolarado, a canícula a cozer-lhe os miolos, saiu esbaforido do casebre de estuque e palha, voltando horas depois com um caríssimo "bonsai", que dispôs sobre o tronco podre de colossal samaumeira que um dia habitou soberana seu quintal.&lt;br /&gt;Com os dedos da mãozarra à sombra do minúsculo arbusto, agradeceu aos céus por aqueles instantes de prazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era uma sexta-feira 13 mas 16, do azíago mês de cachorro louco, o ano de 61 quase no fim. Desempregado e aniversariando naquela data, João “Cabra da Peste” – leonino do 3º decanato – acordou sobressaltado, num barraco no Morro da Formiga.&lt;br /&gt;Suando frio, confessou à sua fiel “Amélia” que tivera outro daqueles pesadelos... gigantesco leão a perseguir-lhe os passos (e os gritos) por toda a savana africana. &lt;br /&gt;-- “Janjão”, meu bem, será que vais torrar de novo a “grana” do nosso almoço no jôgo do bicho ?!&lt;br /&gt;-- Vou, nêga, um dia acerto esse leão de jeito... só assim a gente sai da lama. Despediu-se com um “dominus vobiscum” (adorava latim) e saiu.&lt;br /&gt;Dito e feito, acertou no milhar... Voltou para casa com o coração aos pulos, ele aos saltos no meio da avenida, desligado do mundo.&lt;br /&gt;-- Hei, cuidado com o carro... (carro? que carro?! paft-pum !!!) E lá se foi dinheiro para todo lado, com o corpo estendido no chão, desconjuntado e moribundo.&lt;br /&gt;-- Anotaram a chapa do veículo sim e está com o guarda... L-E-O 1661! Do cara não sobrou quase nada, ficou igual cabra que leão “janta” na selva !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde demais reconheceu que mudara-se para um local de vizinhança “deverasmente” perigosa. A princípio, ignorou o assédio e as provocações. Esquálido, “rato” de biblioteca desbotado por anos e lustros de penumbra, o “quatrôlhos” Dirceu Borboleta da Matta levava a vida sobressaltado. Sua 6º série completa e o ar de doutor incomodavam o “zoológico” local. A vidinha pacata que sonhara para si estava virando uma... “áfrica”.&lt;br /&gt;Ora era o orelhudo coelho, mais a hiena e seus priminhos, a jogarem bola na porta de sua casa. Já a raposa malandra rondava à noite, com o leão e o tigre rosnando “sorrisos” de poucos dentes, enquanto a pavoa liberada, na calçada em frente, exibia suas coxas magras e a suposta riqueza de “classe média pobre-pobre”.&lt;br /&gt;Por fim, as “piranhas” da zangona abelhuda tentavam morder-lhe os fundos, apesar de seus pimpolhos bichos-preguiça viverem pendurados na grade da casa, estendendo a mão com olhos pidões. Assistindo a tudo, o sapo-boi verde-oliva policiava a vida do distante “vizinho” com despeito e inveja. Se dependesse só dele o sujeito defuntava.&lt;br /&gt;Mas Dirceu resolveu seus problemas duma só tacada, quando colocou dentro de casa um tremendo “canhão”. Dona Ursolina, avantajada elefanta de ar carrrancudo, transformou abusados lobos em dissimulados carneiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cela superlotada, de reles bandido passara a herói. Cercado de admiradores e a coberto do olhar indiscreto dos carcereiros preparava-se a 25 dias para o grande golpe de sua vagabunda vida... fugir da cela da Delegacia recém-inaugurada. Segundo a propaganda oficial o prédio era inexpugnável, fortaleza com circuito fechado de TV e todo o aparato técnico para tratar homens como animais selvagens.&lt;br /&gt;Aos 30 dias, estava pronto! Magérrimo, pálido, de olheiras fundas mas com um brilho de vitória a cintilar nas pupilas, fez sua primeira refeição decente em um mês, ele que jejuara tanto que o apelidaram de “homem-cobra”.&lt;br /&gt;À meia-noite cantaram-lhe parabéns e, após a última ronda da madrugada, escalou com dificuldade a “escada humana” de quase 60 corpos até a clarabóia do teto da cadeia. Sob delirantes aplausos, deslizou com algum esforço os ossos oleados por entre as grossas barras de aço e sumiu na escuridão, para nunca mais ser encontrado.&lt;br /&gt;O “homem-cobra” virou verbete nos anais da polícia civil parauara e ajudou, com sua fuga, a melhorar o “rango” dos demais condenados. Com boa comida, engordavam o suficiente para ninguém mais aprontar outra daquelas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levar sua decisão final até as últimas consequências era questão de honra. Cansara-se das constantes humilhações, do menosprêzo com que todos o tratavam naquela casa, dos dias de fome nos tempos ruins e até de alguns maus tratos. Sua paciência chegara ao fim !&lt;br /&gt;Jurgenaldo tratava, com um barqueiro, de um "rôlo" envolvendo sua velha espingarda artesanal mais o cão de caça em troca de esguio "casco", canoa longa e leve feita de robusto tronco de samaúma.&lt;br /&gt;Pelos constantes olhares a ele dirigidos, "Fininho" entendeu que virara moeda de escambo, apesar dos quase dez anos de canina fidelidade ao dono ingrato. Ferido nos brios, embrenhou-se na mata cerrada, fugindo até o mangal que bordejava imenso rio, negro e lodoso.&lt;br /&gt;As enormes patas -- sinal de cão caçador -- tatearam com cuidado os imensos galhos que atiravam-se sobre as águas, espécie de polvo vegetal petrificado na margem lamacenta. Com os dentes cravados numa pesada pedra, equilibrando-se sobre o trampolim de galhos, limo e folhas, lançou-se o cão de encontro ao fatal destino.&lt;br /&gt;O lençol escuro e frio cobriu aquele corpo esquálido, costelas à mostra, angústia, determinação e desespêro sendo afogados por milhões de litros d'água. A honra lavada em lama, molares e caninos aferrados ao naco de rocha, o pequeno corpo preferiu a morte a uma vida infame, com novo dono, novas torturas. &lt;br /&gt;Dias depois, por ironia do Destino, o corpo disforme do cão amanheceu no modesto porto do casebre de Jurgenaldo. Sem a pedra e sem alguns dentes na boca inchada, "Fininho" de olhos esbugalhados e sorriso sardônico mirava seu ex-patrão com ar de alívio. Pela primeira vez na vida Jurgenaldo chorou... fôra por água abaixo um ótimo negócio !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, não gostava de cachorros. Eram uns bichos enjoados, que recusavam a comida estragada que lhes servia com parcimônia.Também não bebiam da morna e fétida água, azêda pelo limo da vasilha e dos restos de alimentos, além de ousarem passar mal por causa do seu feijão com excesso de tempêros e gordura.&lt;br /&gt;Pior: tinham a extrema audácia de morrer em pouco tempo, deixando seu filhinho desconsolado e triste. Uns nojentos, sem tirar nem pôr !&lt;br /&gt;Comprou, então, imenso pastor alemão de ar agressivo e olhar atento, todo em gesso e porcelana, que "vigiava" a casa melhor que qualquer um dos anteriores.&lt;br /&gt;Agora, quando êle chega do trabalho, Marcinho dá longos uivos de boas-vindas. O menino só faz "pipi" em postes e, à mesa, recusa tudo o que não fôr carne ou osso. O pai já está preocupado... a continuar nesse rítmo o garoto não demora muito sairá atrás da primeira cadelinha que cruzar com êle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voando, sobre as águas revoltas, o barco salva-vidas foi em disparada ao encontro das 3 jovens Marias semi-afogadas, todas em total desespêro e aos gritos.&lt;br /&gt;Indeciso, o aparvalhado bombeiro acabou salvando somente uma delas. Pereceram Maria do Rosário e Maria do Sacramento.&lt;br /&gt;Apenas Maria do Socorro se salvou porque, no derradeiro minuto, gritara a palavra certa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou com afinco e persistência tornar-se músico de talento, mas tal qualidade teimava em ficar bem longe dele.Por fim, desistiu e, pouco depois, era o barman mais solicitado da cidade e seu boteco o mais famoso.&lt;br /&gt;Lá, o cliente saboreava batidas e "rabos de galo" feitas no bojo de dourado trompete. Era a glória ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grisalho e alquebrado LUCINERGES COUTO, junto com José Luís Coelho, jovem dinâmico e decidido, apresentaram-se a Saõ Pedro nos portais do Paraíso, após muito vagarem por limbos e purgatórios pois, no Inferno, Satanás não os queria nem pagando estadia.O porteiro celeste torceu o nariz e o vasto bigode, arqueou as sobrancelhas e "abriu o verbo":&lt;br /&gt;-- "Escritores não são benvindos no Céu. Vocês não passam de uns inúteis, nada constroem de concreto para a humanidade e ainda se acham o máximo, só porque rabiscam umas bobagens e inventam filosofias baratas, para sonsos, trouxas e cegos. Sumam daqui"!&lt;br /&gt;-- "Per'aí, ô chaveiro de meia tigela... quem é você para nos julgar? Já esqueceu que traíste o Filho de Deus por 3 vezes lá na Terra"?, retrucou em altos brados "Zé" Luís, dedo em riste na cara do santo velhinho. &lt;br /&gt;Deram as costas à entrada celestial e sumiram entre nuvens, ambos preocupados com seus futuros. Foi quando Deus-Pai Todo Poderoso, que após imprimir as Tábuas da Lei gostara do estranho ofício (!?) de escritor, apontou o divino indicador para a dupla e os transformou em belas estrelas.&lt;br /&gt;Os céus de Belém não são mais os mesmos... tremeluzindo com luz opaca mas firme ou vibrando intensa e ocasionalmente, dois novos astros enfeitam de poesia e esperança o firmamento desta "reiste terra de tanga" (segundo "Zé") (1) ou deste "purgatório da cultura" conforme Lucinerges.&lt;br /&gt;NOTA DO AUTOR: (1) conforme o artigo de José Luís Coelho &lt;br /&gt;no jornal DIÁRIO DO PARÁ, de Belém do Pará, em 30/04/1989. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em má hora a megaempresa comprar milhões de ações em moeda estrangeira e, com a baixa cotação do dólar, estava a um passo (ou a 1 níquel)  da falência. Contratou então um perito em desastres, especialista em soluções tresloucadas, para ir a Brasília, à casa do Chefe da Nação e ver o que era possível fazer para evitar a bancarrota. 48 horas depois, o Jornal Nacional comunicava ao país que o "totó" do Presidente fôra envenenado e corria risco de morte.&lt;br /&gt;As Bolsas de Valores -- normalmente sensíveis até à gripe de foca -- enlouqueceram e o dólar disparou qual foguete espacial. A multinacional estava salva... e o Brasil um pouco mais endividado ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Mata" essa "barata" se fôr homem !, berrou "seu" Lucindo com voz histérica, dando forte palmada na mesa.&lt;br /&gt;-- "Considere a maldita "mortinha da silva"!, retruca o Apolinário na bucha, pronto para o embate.&lt;br /&gt;Dona Anita, preparando ansiosa o ajantarado na cozinha calorenta, largou tudo num segundo ao ouvir a agitação nervosa dos homens lá na sala. Armada com uma lata de "spray" contra insetos invadiu célere o reduto masculino, borrifando o ar tóxico no marido &amp; convidados e empastando todas as peças do adorado jogo de dominó do compadre Firmino, sob o olhar atônito dos 4 parceiros.&lt;br /&gt;-- Desculpem, vizinhos, mas barata aqui em casa é... tiro e queda. Não sobra uma nem para lembrança! Mas onde é mesmo que está a bicha ?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cavalheiro, de terno surrado e pasta de vendedor de planos de saúde, senta-se junto ao balcão do bar e pede, apressado:&lt;br /&gt;-- Meu jovem, me sirva um cafézinho, que há muito tempo não provo um!&lt;br /&gt;-- Café ZINHO nóis num téin, serve di ôtru ?&lt;br /&gt;-- Não, meu chapa, você não me entendeu... pode ser de uma marca qualquer mesmo!&lt;br /&gt;-- Quar qui é a marca, seu moço ?&lt;br /&gt;-- Esquece... me vê aí uma água mineral com gás, sem marca, sem côr e nem tamanho. Será que dá, meu camarada ?&lt;br /&gt;-- Ágoa minerá... sorforosa ô arcalina ?&lt;br /&gt;Ah, meu São Benedito! Cancela tudo, "capiau", deixa prá lá! Escuta, eu posso ficar sentado aqui por um instante ?&lt;br /&gt;-- Uái, pudê inté qui pódis! Mais num si isparrama muinto no banco i néin abre "as asa" pro mode num incomodá quein tá pagano !&lt;br /&gt;E seguiu balcão a fora... O citadino afrouxou a gravata e pensou com suas abotoaduras de zero quilates: "Eita, Brasilzão pai d'égua esse, tchê" !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pleno "shabat" a multidão aguardava ansiosa a salomônica decisão real que elegeria a Mãe do Ano, na judaica Belém de priscas eras.&lt;br /&gt;Centenas de candidatas sonhavam com os valiosos brindes. Ânforas de ouro, baixelas de prata, cortes de seda pura, xales de linho da Pérsia e felpudas mantas de lã, amontoadas no centro do pátio do templo enchiam de cobiça os olhos da populaça. Em silêncio e com espanto o povo ouviu do famoso rei de Jerusalém, em visita à cidade, o seguinte:&lt;br /&gt;-- "Como todas vocês, mães dedicadas, merecem os parcos prêmios, ordeno que sejam feitos em mil pedaços e dê-se a cada uma o seu quinhão, como recordação. Assim seja..."&lt;br /&gt;No que alguém murmurou entre dentes, no meio da massa humana:&lt;br /&gt;-- "Porca miséria... Depois do caso daquele recém-nascido, lá no seu palácio, esse doido não decide mais coisa alguma" !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu vi com esses olhos que a terra há de comer... foi tiro e queda! O sujeito veio planando igual borboleta e estatelou-se na calçada.&lt;br /&gt;-- Mas porque esse louco cometeu suicídio... e logo do alto do prédio?&lt;br /&gt;-- Só que não foi suicídio, moço; era um protesto contra morte da filha, assassinada por bala perdida durante um tiroteio da Polícia!&lt;br /&gt;-- E desde quando, no Brasil, alguém protesta se matando ?&lt;br /&gt;Afastou-se acabrunhado da multidão sedenta de sangue e de detalhes mórbidos, desejando intimamente que todo político que protestasse subisse antes ao tôpo de algum edifício. Em muito pouco tempo nosso país estaria bem melhor, com toda certeza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(N. do A.: o trecho final foi escrito em meados de 2000, quando &lt;br /&gt;balas perdidas não passavam de um mero pesadelo noturno.)                         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             &lt;strong&gt; "NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;strong&gt;QUEDA  E  TIRO  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De terno e gravata em pleno verão dos anos 80, ziguezagueando por entre o formigueiro humano que tumultuava o trânsito na principal avenida do Rio, o office-boy do Banco Internacional caminhava apressado rumo ao centro nervoso onde se realizam as apostas, negócios e investimentos da Bolsa.&lt;br /&gt;Na surrada maleta 007, em meio a canetas, clipes, restos de sanduíche do Mc Donalds e minicalendários pornográficos, um papelucho em 3 vias, original e duas cópias, valendo quase uma dívida externa de país latino. &lt;br /&gt;Com ar preocupado e um olho no relógio de pulso, o jovem voava rumo ao Banco Central, aos computadores que avalisariam aquela vultosa compra de ações, títulos, CDBs e RDBs, em nome de milhares de clientes do BI, de acionistas dele e com capital ativo do próprio Banco. Qual sapo errante em autoestrada bandeirante, o rapazinho "pulava amarelinha" por entre os bólidos movidos a ódio e gasolina, ouvindo buzinas e palavrões. &lt;br /&gt;Avançava célere através das 4 pistas da Avenida Pres. Vargas, a equilibrar numa das mãos o sorvete de três bolas recém-comprado. Soldado de uma guerra sem armas nem canhões, só lhe faltavam 3 passos para alcançar a trincheira no outro lado quando uma das bolas escorregou paletó abaixo, espatifando-se na pista asfáltica. Por um átimo de segundo o garoto desviou a retina do trânsito enlouquecedor para avaliar o estrago feito no adorado terno. &lt;br /&gt;Ouviu-se um estrondo, freios rasgaram o betume amolecido, um corpo riscou o espaço qual cometa de carne e osso e a multidão de curiosos cravou os olhos ávidos de detalhes mórbidos sobre o infeliz atropelado. O sangue quente e pastoso rabiscou no solo a ruína de milhares de famílias, enquanto invadia a pasta de documentos e tingia de carmim a boleta amarela de 9 bilhões e não-sei-quantos mil cruzeiros. &lt;br /&gt;Na sala de computadores do Banco Central, com o pregão fechado impreterivelmente às 13,15h, ninguém entendeu porque o BI não honrara o investimento pré-acordado.Lá fora, o distante som de sirene de uma ambulância lembrou a todos que  Vida continua e, como diz um ditado popular... "enquanto o Mundo gira, A LUSITANA roda".                                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em plena semana de festa da padroeira da cidadezinha, o linchamento do pescador que matara um amigo a facadas após rodade de bebidas fôra a gota d'água que esgotou o resto da paciência do pároco local, polonês sisudo, dinâmico e muito crítico, com o qual boa parte do povo cristão antipatizava de imediato.&lt;br /&gt;À noitinha, o reverendo subiu ao púlpito apenas para verberar contra a barbárie, condenando a meia centena de justiceiros que arrastaram o corpo, qual Judas de sábado de Aleluia, pelas vielas do lugarejo. Cancelou a novena e a missa subsequente e exortou a todos que meditassem sobre o sucedido. &lt;br /&gt;-- "Ninguém é melhor do que ninguém... perante a Lei de Deus e a lei dos homens &lt;strong&gt;somos todos iguais &lt;/strong&gt;!", disse o vigário em tom que não admitia réplica. &lt;br /&gt;À saída da matriz o borburinho era grande, os buchichos de reprovação se ampliaram e a indignação cresceu qual maré de pororoca quando o sermão do sacerdote chegou aos ouvidos dos familiares da vítima, barqueiro abastado e querido no lugar, com inúmeros dependentes e empregados.&lt;br /&gt;Na mesma noite, anjos encapuzados armados de paus invadiram a Casa Paroquial, enquanto a lua escondia-se atrás das nuvens, transida de pavor. O sol da manhã seguinte iluminou sobre o humilde catre do servo do Senhor apenas uma posta de sangue e ossos moídos, com os pássaros engaiolados cantando felizes mais um dia de vida na face da Terra. &lt;br /&gt;O povo em geral, com algum espanto e um acerto alívio, aceitou bem a fatalidade, comentando com uma pitada de ironia que "se eram todos iguais, o padre era muito diferente deles". Talvez o fato servisse de lição, a fim de que o Arcebispo lhes enviasse alguém mais condescendente com seus hábitos, seus costumes e... tradições.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente aparecera um homem, com letra maiúscula, com cara e coragem  suficientes para enfrentar a companhia estadual de habitação num combate desgual na Justiça. O processo corria na capital do país, pois a lei naquela região era "tábula rasa", estava desmoralizada, não valia um níquel. Ademais, a Banca Astronômica Nacional  tinha interesses no caso e fizera pressão para que tudo fosse arquivado. Uma vitória do sujeito abriria precedentes danosos para a empresa.&lt;br /&gt;Na nação da desigualdade e da injustiça, da corrupção e impunidade, do fausto ladeando a miséria, na terra da incompetência aliada à incúria e a uma total ausência de fiscalização em todos os setores êle, enfim, vencera. Custara-lhe meses de angústia de angústia e humilhações mas, graças ao jovem promotor Inocêncio Guedes, uma liminar inédita nos anais do Tribunal dera-lhe ganho de causa. &lt;br /&gt;Acima da letra da lei, da Justiça de parágrafos e alíneas, havia a justiça moral, a que reconhece as necessidades vitais do homem (casa/alimento/liberdade), antes de conceitos burocráticos ou contratos oficiais. Fôra derrotado o descaso da perdulária BAN, seu descompromisso com o mau uso por terceiros do dinheiro público, a intermediação desnecessária e prejudicial que ela sustentava (e incentivava) nas questões de moradia popular.&lt;br /&gt;E, acima de tudo, dera-se merecida lição na CORJHA, reduto de conchavos vis, de negociatas espúrias, de projetos fantasmas, fonte de injustiças planejadas e vinganças direcionadas.A Companhia Regional de "Jogadas" e Habitação - CORJHA pelo menos desta vez não poderia favorecer parentes e apaniguados de diretores e funcionários retirando na marra, das casas populares em atraso, as famílias que as pagaram por quinze anos ou mais. &lt;br /&gt;Num belo "negócio da China", entregava um casebre de 4 x 6 metros sem reboco nem pintura e retomava, vários anos depois, uma enorme residência com diversos cômodos, forro, muro e lajotada.O ancião vencera todos e, numa decisão inédita, o juiz decretou que a CORJHA tinha direito tão-somente ao trecho da casa que originalmente ela entregara. As benfeitorias feitas quitavam junto à BAN o imóvel que, doravante, seria ocupado pelas duas famílias. &lt;br /&gt;Foi sustada  ação de imissão de posse e o consequente despejo, criando jurisprudência contra a "ciranda de habitação" patrocinada pela BAN. Caríssima e maciça propaganda estatal incentivando a compra de habitação popular, tempos depois gastos absurdos com editais e citações de despejo nas páginas dos jornais de toda a Nação e, por fim, casas e prédios vazios invadidos pela população despejada de outras tantas casas e prédios, estes também abandonados.&lt;br /&gt;Hoje, o heróico ex-mutuário divide sua casa com um protegido da CORJHA, mas ambas as famílias vivem em boa paz. "Seu" Atanagildo e a idosa esposa pagam pelo uso do banheiro e chuveiro, além das refeições preparadas em sua antiga cozinha pelos novos "inquilinos".&lt;br /&gt;Já o posudo e arrogante doutor Nilson Thamal, espremido com a mulher e 3 filhas no quarto &amp; cozinha que a Companhia oferecia como modelo de casa popular, tem que pagar pedágio cada vez que entra ou saí da residência, transitando constrangido pelo corredor lateral onde uma roleta registra a quantas anda a ganância e a insensibilidade de alguns (ou de quase todos os) homens públicos, que imaginam jamais passar pelas dificuldades e humilhações que impõem a tantos brasileiros, quando exercem seus cargos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é real e recente mas fica melhor no reino da fantasia. A estória gira em torno de um jovem jambeiro -- árvore frondosa de médio porte, que doa à humanidade "maçãs" cítricas com formato de cajús -- e sua densa e incômoda folhagem.Industriada pelo marido a rotunda senhora acordou o vizinho dos fundos de sua casa, na rua anterior, reclamando que as folhas caídas sujavam seu exíguo quintal. A solução era cortar os braços, digo, podar os galhos que avançavam sobre o muro da distinta.&lt;br /&gt;Aos irmãos cariocas não havia alternativa: recusar a "sugestão" era trocar aborrecimento sazonal por outro permanente. Aquiesceram a contragosto! Armado de escada, imenso facão -- "terçado", nestas plagas -- má-fé e mediocridade em doses cavalares, o macho da megera arrasou com a terceira dimensão do jambeiro (plantado ao pé do muro pela mãe dos rapazes), reduzido agora a uma banda só.&lt;br /&gt;Menos de 5 meses depois, a Natureza vingava-se da covardia produzindo frutos em dobro no lado que sobrou da indefesa árvore. Flagrada "pescando" com enorme vara os jambos maduros em plena hora da sesta -- quando o Pará inteiro "tira um cochilo" -- a santa matrona não se fez de rogada. &lt;br /&gt;Assomando o rosto de "Monalisa", tão comum na região, por sobre o muro, perguntou com ar inocente:&lt;br /&gt;-- "Vizinho, posso tirar algumas frutas"?&lt;br /&gt;-- "Pode sim, senhora... as que estiverem do seu lado do muro são todas suas". Com um sorriso amarelo, ela desliza igual jequitiranabóia de volta a seu quintal. Coitada ! Terá que aguardar 3 ou 4 anos até tornar a provar o intenso sabor dos rubros jambos. Às vezes, &lt;strong&gt;"aqui se faz e aqui se paga"! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi amor à primeira vista! Luizão, rapaz recém-chegado à discreta vila de poucas casas e Remo, garoto esbelto, talho fino e maneiras delicadas embora elegantes, nascido ali treze verões antes. Transbordando charme, com sutil rebolado, Remo voltava do supermercado sobraçando compras quando seus olharam se cruzaram. O que seus corações bradaram em silêncio valia por mil palavras. Tiveram ambos um sono intranquilo.&lt;br /&gt;Filho único de pais separados, a jovem mãe satisfazia-lhe todos os caprichos, perdoando-lhe todas as faltas e crivava Remo de atenções e carinhos. Garoto caseiro, tinha por amigo e confidente, instrutor e modelo, outro jovem em tudo semelhante a êle, a quem apresentava como primo. Rômulo era cópia um pouco mais velha (e mais experiente) do amigo e, com maior liberdade, "caíra na vida" muito cedo. &lt;br /&gt;Não demorou para que Remo lhe confessasse seu mais secreto anseio e êle, Cupido de gestos amaneirados e olhar indecente, apresentasse Luís à mãe carente e vaidosa do garoto. Luizão tornou-se íntimo da casa, vivia de visitas à mãe de Remo, que a vizinhança curiosa fingia não notar. &lt;br /&gt;Passava horas no quarto jogando cartas ou dominó com Remo, trocando afagos, roçando beijos e carícias mais ousadas, ouvidos atentos ao menor ruído. Quando a mãe descobriu já era tarde, uma paixão devoradora tomara conta do corpo &amp; mente do jovem Remo. Quando a mãe do Luís descobriu, êles já se preparavam para fugir de casa e morar juntos, num "bangalô" que Rômulo providenciara e onde satisfazia suas taras. Quando as demais mães residentes na vila descobriram, o "triângulo das bermudas" estava formado, com Rômulo completando o trio e a mãe de Remo abrigando todos para evitar escândalos.&lt;br /&gt;Hoje, vivem os três no melhor dos mundos, corpos suarentos enroscando-se num amor selvagem e sem freios, braços e pernas cabeludas enroladas como serpentes aos troncos oleosos e perfumados. Felizmente, estão a salvo de pontapés, pauladas ou de um destino pior, por serem todos êles &lt;strong&gt;"gente da terra&lt;/strong&gt;".                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pai, estão usando seu santo nome em vão em todos os lugares... até naquele ridículo esporte chamado futebol, veja só !&lt;br /&gt;-- Dileto Filho, êles são perigosos... não vá você morrer de novo e, pior, por nada !&lt;br /&gt;-- Eu vou voltar e acabar de vez com estas heresias... "se Deus quizer"! &lt;br /&gt;Desceu à Terra na semana de Natal de 2010, com bela coroa de louros sobre a cabeleira indócil e vestes de beduíno, em pleno "Saara" carioca, sufocado em eio à multidão sedenta de compras &amp; presentes. Tentou sem sucesso convencer a todos que era o Cristo em nova missão, visitou federações esportivas e Ministérios, governadores e doutores, igrejas e templos de todos os tipos e denominações, editoras e gravadoras, foi de Seca a Meca, do Oiapoque ao Chuí... até pousar na rica sede televisiva do Templo Mundial do Reino do Senhor. &lt;br /&gt;Discretamente o Bispo-Chefe acionou sua segurança particular e o incauto Jesus acabou numa cela infecta de delegacia, onde a psicóloga de plantão recomendou imediato internamento no Manicômio Judiciário.&lt;br /&gt;Por fim, durante a Semana Santa, Êle conseguiu convencer os demais internos a pregá-lo numa cruz, feita às pressas com as tábuas da mesa do refeitório. Em breve iria ressuscitar, para regressar ao local de onde nunca deveria ter saído... nem da primeira vez !                             &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após anos de tentativas infrutíferas, o cientista indiano Bapraput Kep'riw finalmente desenvolvera com sucesso sua experiência final: o "human bonsai". &lt;br /&gt;Exibido no mercado central de Bombaim -- com os braços absurdamente retorcidos e os dedos das mães esticados ao extremo -- o menino de olhar triste esboçava pálido sorriso, correspondendo à curiosidade geral.&lt;br /&gt;Sobressaltado em meio à multidão o jovem rosto de ar altivo equilibrava-se no topo de esguio pescoço, alongado pela força de engenhosas argolas. Apenas uma coisa o incomodava: os 2 vasos nos quais o plantaram eram pequenos demais para seus pés. Condoídas com a situação, entidades de defesa dos direitos humanos do país inteiro exigiram rega mensal e somente uma poda por&lt;br /&gt;ano.                                          &lt;br /&gt;                  &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-5759059877314868653?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/5759059877314868653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/tiro-e-queda-queda-e-tiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5759059877314868653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5759059877314868653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/tiro-e-queda-queda-e-tiro.html' title='TIRO E QUEDA  /  QUEDA E TIRO'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-4674670306960731604</id><published>2009-04-22T11:41:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T11:49:34.345-07:00</updated><title type='text'>UM SINAL DO ALÉM</title><content type='html'>&lt;strong&gt;UM SINAL DO ALÉM  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início dos anos 70 a Era de Aquárius estava no auge, com os Estados Unidos da América exportando para o mundo a moda dos hippies e seu lema de paz e amor, enquanto torravam infantes e anciãos com napalm no Vietnam.&lt;br /&gt;A "mídia" nacional abraçava com sofreguidão a mensagem do "flower power" yankee, do importado jargão "faça amor, não faça guerra" e explorava à exaustão os simbolos, as caras e os temas que os representavam lá fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até nas TVs tupiniquins a febre de espiritualidade "fashion" que avassalava as mentes &amp; corações da época tinha espaço especial, com a apresentação carnavalizante de médiuns de todo tipo, parapsicólogos, espíritas, videntes e macumbeiros assumidos, astrólogos e perceptivos variados entortando garfos e colheres ao vivo e (dizem) via "telinha" preto-e-branco, pois o monstrengo do tamanho de uma cômoda e com desbotadas cores que a substituiria era privilégio de uns poucos milionários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na então denominada "Vênus Platinada" pela imprensa, hoje teleemissora do "plim-plim", a "Discoteca do Chacrinha" era unanimidade em todo o país, destacando através das enormes câmeras as primeiras bundas que o Brasil admirou -- entre protestos veementes de mães ciosas, de ciumentas esposas e namoradas ofendidas -- para deleite do sexo oposto de qualquer idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abelardo "Chacrinha" Barbosa, com uma visão muito à frente de seu tempo, fazia de seu programa uma salada mista onde tudo era possível... principalmente as coisas consideradas impossíveis. Assim, entre bacalhaus, "bichonas" do high society local, calouros horríveis ou maravilhosos, abacaxis, trapezistas, mágicos, artistas da música e do teatro, bananas, malucos e doidas de toda espécie, o "Fio Maravilha", as primeiras "sapatonas" assumidas, entre bundas, coxas e "vergonhas" quase à mostra sob as minúsculas microssaias das fornidas "chacrettes" pontificava o macunaímico e impressionante "Seu Sete da Lira".                                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inquestionável precursor do "kitsch" "Zé do Caixão", "seu" Sete não trazia lira ou qualquer outro instrumento musical. Portava, sim, satânico tridente, cartola de mágico de cirquinho mambembe, vistosa capa de seda negra, esvoaçante e aterradora, com forro em carmim e imensa gola. (1)&lt;br /&gt;Velhota portuguesa de bigodinho e tudo, "seu" Sete da Lira causava espanto, fazendo triunfal entrada na "Discoteca" a som de pesada macumba e tendo um séquito de seguidores ensandecidos a acompanhá-la. A baforar enorme charuto, teve espaço cativo no programa por longo tempo e nem o mais criativo dos pastores modernos imaginam o "frisson" que sua presença causava no auditório histérico ou mesmo nos "televizinhos", quase toda a população brasileira daquela época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto "Didi" morava, ou melhor, escondia-se na favela da Praia do Pinto (onde não havia praia alguma), espécie de cancro social a ofender as vistas e narizes da alta classe média do Leblon, distnto bairro da zona sul.&lt;br /&gt;Entre vielas e becos da estreita favela --  milhares de barracos espremidos no exíguo espaço de 600 x 900 metros de área hiper-supervalorizada -- "Didi" nasceu e cresceu, sorriu e por vezes chorou... até que providencial incêndio jamais explicado extinguiu lares, sonhos e até algumas vidas e jogou "Didi" e seus amigos pros confins do subúrbio do Rio, Nova Iguaçu ou além. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto "seu" Sete da Lira enricava, abrindo "terreiros" nos bairros mais chiques, imitadores com ou sem competência inauguravam "casas de luz e fé", "searas de maria e josé" e arapucas semelhantes, algumas misturando asilo e templo num só local e faturando alto com a esperança alheia e a estranha procura por fé em prédios, objetos, eventos ou em seus promotores.&lt;br /&gt;"Didi", agora "Dinho", tivera que abandonar o "bico" de gandula das bolas de tênis dos endinheirados no seleto Clube de Regatas do Flamengo, bem do lado da favela e, adiante, o destino o guindara à posição de "animador" das sessões espíritas de uma casa de repouso para velhinhos no Grajaú, três vezes por semana, além de esvaziar as "comadres" toda manhã e fazer outros serviços sujos no casarão, em troca de comida, dormida e uns trocados.                                    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Nicolau, de ar distinto, cabelos grisalhos e gestos nobres, fôra certamente em outra encarnação um falido rei do café mas, na vida atual, era o sisudo condutor das sessões onde filhas e neas dos anciãos internados ali, além de beatas curiosas das redondezas, cumpriam o ritual de falar com (ou tentar ouvir) seus entes falecidos.&lt;br /&gt;Em pouco tempo o esperto "Dinho" aprendeu os ossos do ofício, suportando incômoda posição no poeirento e abafado sótão, enquanto seus ouvidos atentos captavam as nuances da voz do "doutor" lá embaixo, seus pigarros, as breves batidas no copo d'água ou no chão, com o sapato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maestro do "metier" espírita e seu esplêndido aluno entendiam-se às mil maravilhas, como por música, com a vetusta eletrola arranhando riscados LPs de Chopin, Listz ou Brahms e, em dia mais solene, um raivoso Wagner. As correntes de aço dançavam no teto do salão, arrastadas por mão invisível, surrado piano de poucas teclas animava-se por instantes, sinos, gargalhadas, gemidos... havia de tudo para todos os anseios.&lt;br /&gt;O velho "Nico" deliciava-se intimamentecom a atuação genial de seu discípulo oculto no teto, mas "Dinho" bocejaria de tédio alguns meses depois, por saber de cor e salteado os evangelhos todos, os testamentos novos e antigos, as perorações do Nicolau, seus truques e "deixas" (ai, que sono!) os "in memoriam" e "de profundis", convocações, súplicas, expulsões, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de tudo é que uma das beatas que não largavam o pé do "médium" -- balzaqueanas que o serviam fielmente de dia e das quais (dizem as más línguas) êle se servia à noite -- começou a desconfiar do rapaz. A "perua" cismou com o moleque de sorriso fácil e ar malandro e insinuou para o mestre que o jovem estava  conseguindo roubar dinheiro do cofre das missões, que ficava à entrada do casarão, aos pés da enorme "estáuta" do Preto Velho.&lt;br /&gt;O doutor não via como isso seria possível... a estreita boca não permitia passagem de dedos, de caneta ou instrumentos e o segredo do cofre estava bem guardado no fundo de sua memória. Mas o fato é que "Dinho" melhorava seu mísero "salário" mediante expedições noturnas bem sucedidas ao abarrotado cofre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À chinesa, com dois pauzinhos de comer arroz "pescava" várias notas por vez. Aperfeiçoou o "trabalho" imantando velha "peixeira" cuja lâmina saía da estreita boca do cofre "enfeitada" com moedas de todos os valores, tamanhos e cores. A farra só findou quando a tesoureura-mor decidiu retirar do cofre as doações ao fim de cada sessão espírita. &lt;br /&gt;Tal ação coincidiu com o desinteresse de "Dinho" por suas funções "celestiais", cada dia mais desatento com as marcações de Nicolau e sempre mais sonolento. Até que uma tarde, solitário morcego em passeio fora de hora deu um tremendo susto em "Dinho" que, desequilibrado, estatelou-se entre as esquadrias carcomidas que sustentavam o cinquentenário teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou em vão segurar-se na viga mas o apavorado mamífero voador chocou-se com seu rosto e, com fenomenal berro, "Dinho" aterrisou na imensa mesa de linho branco e castiçais acesos. Um vendaval de poeira e madeirame podre acompanhou-lhe a queda, enquanto as velhotas que não corriam esbaforidas feito baratas tontas achavam-se desmaiadas em ridículas posições. &lt;br /&gt;"Dinho" levantou num pulo só e voou porta afora, o pulmão em fogo, rosto e corpo enegrecidos, espécie de saci-pererê batendo os dentes de pavor, com o morcego horrendo a debater-se em todas as direções. Muitos viram no sucedido um sinal do Além... o menino era um enviado das trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as coisas acalmaram, o rapazote foi sumariamente posto na rua da amargura e voltou para a casa da mãe, lá onde o diabo perdeu as botas. Mas as lições aprendidas com o "artista" Nicolau lhe apontaram novo caminho para a sacrificada e paupérrima existência. &lt;br /&gt;Com uma camisa social do sumido pai, folgada demais para êle, mantendo junto ao peito surrada Bíblia da mãe que êle jamais abrira, "Dinho" começou a pregar seu "evangelho" nas lamacentas esquinas de seu bairro, repetindo a "decoreba" que ouvira meses a fio e preenchendo com criatividade as eventuais lacunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a persistência dos desesperados arrebanhou adeptos, prosperou lentamente no início, mais tarde o sucesso surgiu como sol de verão e êle saiu finalmente das ruas para uma "boite"... digo, o ex-antro de vícios e pecados era agora a casa de Deus (?!), pátio de milagres e de testemunhos, com explosões de fé e, claro, com a imponente presença do cofre das missões. &lt;br /&gt;Passaram-se inúmeros anos e o safenado e decrépito Nicolau, longe das atividades que lhe deram fama, num belo domingo abre o jornal e reconhece "Dinho", bem nutrido e ar feliz, falando à fanática multidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima da enorme foto, a manchete escandalosa:"PASTOR ALDYR LOTA ESTÁDIO COM SEUS FIÉIS" e uma insistente referência a sacos e sacos de dinheiro. &lt;br /&gt;O velho "Nico" tem um "treco", fica completamente transtornado e, ao dar entrada na emergência do pronto-socorro, estã balbuciando sem parar: "Era sinal do Além... era sinal do Além"! Quanto ao pastor Aldyr... esse, vai muito bem, obrigado !                                                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;strong&gt;"NATO" AZEVEDO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1) NOTA DO AUTOR: embora o ator e cineasta José Mojica Marins tivesse seu programa exibido na TV TUPI entre 1967 e 68, o "pai de santo" SEU SETE DA LIRA já atendia nos terreiros da zona norte do Rio de Janeiro.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-4674670306960731604?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/4674670306960731604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/um-sinal-do-alem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/4674670306960731604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/4674670306960731604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/um-sinal-do-alem.html' title='UM SINAL DO ALÉM'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-5145597617449122792</id><published>2009-04-22T11:33:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T11:39:32.986-07:00</updated><title type='text'>A ÚLTIMA CHANCE</title><content type='html'>&lt;strong&gt; A ÚLTIMA CHANCE &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temmiko Nashapa era nissei ou sansei (nem sei, que essas coisas são bem complicadas), nascido no coração de São Paulo, num pedacinho do Japão incrustado em terras "brasirêras", no orientalíssimo bairro da Liberdade.&lt;br /&gt;Criado e instruído como seus ancestrais o foram, geração após geração, Temmiko abrasileirou-se com o tempo e a convivência com a "galera" da periferia "classe média pobre-pobre" e, apesar do calvário que as gozações e trocadilhos com seu nome lhe proporcionaram, fez muitos amigos, assimilando o linguajar e os trejeitos da rapaziada esperta da área. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que pode, trocou seu belo nome de batismo por um sonoro "Fernando" e os hábitos de labor persistente e diário, herdados dos produtivos pais, pela certeza de que um só jogo ou aposta resolveria seu futuro. Pôz para funcionar sua inteligência privilegiada e, após longos meses de constante análise dos resultados das loterias, estava pronto para o sucesso.&lt;br /&gt;Meteu-se a contragôsto no ramo da pastelaria, num restaurante chinês (oh, quanta humilhação !) denominado "Hakata's Town" e passou duros e intermináveis meses varrendo e lavando o chão, além de esvaziar cestos de lixo. Seus pais sequer sabiam desse "emprego", pois "Nando" -- conforme o chamava a turma de videogames e bailes "techno" -- saía de casa muito bem vestido, todas as manhãs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O montante de parte dos salários economizados mês a mês crescia no cofrinho em forma de templo japonês e Fernando passava horas esquecidas "rezando" sobre a estrambótica casinha, porque até simpatias êle aprendera. Não andava debaixo de escadas, esconjurava gatos pretos e, de família budista, habituara-se ao "sacrilégio" de fazer o sinal da cruz diante de cemitérios. Enfim, estava irreconhecível !&lt;br /&gt;Quando o valor acumulado após tantos meses de suor e cheiro de pastel queimado atingira a almejada quantia o ex-Temmiko Nashapa deu adeus à chapa de "hamburguers" e ôvo frito (fôra promovido!), deu uma vistosa "banana" para o antipático "china" que gerenciava a loja e pediu as contas, juntando o saldo da rescisão aos seus direitos trabalhistas garantidos por lei.                               &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegara o tão sonhado momento...a conjunção dos astros estava quase em seu ponto ideal, sob a regência de Libra, belo nome a lembrar cifrões. As moedas do milenar I Ching cantaram seu doce futuro de opulência e esplendor e, culminando esse raro  período benfazejo, para o "tupi-nipo" Fernando iniciara o Ano do Dragão, sua fase de sorte e sucesso.&lt;br /&gt;Retirou da gaveta os trezentos cartões da Lotomania, um jogo oficial que virara mania no país inteiro. Aquelas apostas lhe consumiram  semanas de estudos profundos, noites e madrugadas em claro, analisando tendências e possibilidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investiu seus conhecimentos de álgebra e física, de logaritmos, relatividade e até mesmo geometria para construir apostas que cobrissem todas as probabilidades, não deixassem ao acaso nenhum tipo de resultado. &lt;br /&gt;Desenhos verticais e horizontais, entrecruzados, perpendiculares, figuras de animais e aves, números marcados aleatóriamente, repetição de sorteios anteriores, os números mais e menos frequentes... tudo foi pensado, analisado meticulosamente e cravado "cientificamente". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 50 números jogados pareceu-lhe fácil acertar os 20 do sorteio oficial.As trezentas chances de fortuna rápida vibravam em suas amarelas mãos quando saíu do guichê de apostas. O resultado viria sábado à noite, via Internet, ou no domingo em todos os jornais do país. &lt;br /&gt;Ademais, homem precavido, guardara verba suficiente para quatro semanas de apostas. Mesmo que a sorte de início lhe fosse madrasta, no fim do mês estaria rico. Uma vida de milionário era tão inevitável que Fernando não se abalou com o resultado da primeira semana, quando acertou alguns poucos cartões, com 16 pontos cada, o que representava em dinheiro uma micharia, a "bolada" só viria se acertasse todos os vinte números sorteados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda semana, um breve instante de glória: 18 pontos num cartão, o dinheiro investido já lhe retornara, mas o que importava mesmo era dar "uma tacada" que mandasse para o espaço todos os problemas e preocupações. Contudo, quando o resultado da terceira semana saiu, seu ânimo abateu-se quase por inteiro. &lt;br /&gt;Acertar aquilo era impossível, nem mago poderia prever aquele "desenho"... por isso, ficaram acumulados os prêmios maiores. Mesmo assim, emplacou 17 pontos em dois míseros cartões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando dera a si mesmo uma última chance, a derradeira; afinal, segundo o horóscopo chinês aquele era seu ano de realização e progresso. Acompanhou ansioso o sorteio via computador, direto da sede da CEF, bola por bola, com seu PC informando a cada segundo quantos dos seus 300 cartões estavam no páreo. &lt;br /&gt;Os números saíam fáceis e o que era só pensamento positivo em Fernando transmutou-se de expectativa em certeza e, a seguir, num berro de samurai kamikaze, o coração a explodir no peito, a glória orgasmática a satisfazer o ego combalido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu dia finalmente chegara ! Tremiam-lhe as pernas e os joelhos se entrechocavam, os braços se agitavam descontrolados, as maçãs do rosto balançavam, a casa toda estremecia... a capital de São Paulo assistia boquiaberta de espanto e de terror ao primeiro terremoto do século, transformando arranha-céus em geléia de concreto e aço e a sala do sorteio num pandemônio, com o teto de gesso desabando por completo e os computadores que registravam os números sorteados entrando em pane geral, virando "bolas" de fumaça e fogo. &lt;br /&gt;Mais tarde, um boletim extra-oficial informaria à nação que o sorteio fôra anulado, com todas as apostas valendo para a semana seguinte. Nem a sanguinária bomba "Fat Man" teria feito um estrago tão devastador em Temmiko-Fernando. Ainda chorava um mar de lágrimas quando o mais estimado amigo adentrou seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre guitarras, periféricos de computador, posters de gueixas e montanhas de livros do curso superior de eletrônica que abandonara para "trabalhar", "Nando" contou ao "General" -- o amigo era muito "mandão", daí o apelido -- seu segredo e sua desdita. Perdera mais de um ano de sua preciosa existência só para realizar aquele sonho e, agora, o cruel Destino lhe pregara aquela peça. Não queria saber mais do jogo... sua sorte acabara. Os deuses não lhe dariam outra chance!&lt;br /&gt;Desfez-se dos 300 cartões e de suas respectivas apostas, dando tudo para o amigo. Celso ainda protestou: poderia ganhar desta vez, o que estava fazendo era loucura. "Nando" recusou todos os argumentos. O que quer que ganhasse, era seu. A sorte dele se fôra ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oito dias depois a periferia da capital acordou em polvorosa... um jovem morador, dos mais humildes, acertara a sorte grande. Abiscoitara mais de meio milhão de reais, além de vários prêmios menores.&lt;br /&gt;Quando a imprensa o procurou, Celso de Moraes, vulgo "General", confessou que ganhara as apostas de um amigo, desiludido com o adiamento do concurso que já o premiara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntado se devolveria o fabuloso prêmio ao tresloucado rapaz, respondeu sem pestanejar:&lt;br /&gt;-- "De jeito nenhum... êle fez estes jogos diversas vezes e não ganhou nada. Quando acertou, cancelaram o sorteio. Vai ver a sorte tinha que ir era prá mim mesmo. Só vou lhe dar uma bela moto... o "Nando" adora uma Harley Davidson incrementada! E despediu-se feliz e faceiro, com a multidão em festa atrás de si.                     &lt;br /&gt;                &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO  &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-5145597617449122792?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/5145597617449122792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/ultima-chance.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5145597617449122792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5145597617449122792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/ultima-chance.html' title='A ÚLTIMA CHANCE'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-3326902401479392836</id><published>2009-04-22T11:25:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T11:30:30.332-07:00</updated><title type='text'>MERCADORIA DE NATAL</title><content type='html'>&lt;strong&gt;MERCADORIA  DE  NATAL  &lt;/strong&gt;                                            &lt;br /&gt;Vinham, Celso e seu irmão, pela estradinha lamacenta rumo ao seu casebre na "invasão" Boa Vista -- espécie de favela melhorada, comum no norte -- quando loatidos esganiçados os alertaram para a gorda vira-lata que lhes cheirava os calcanhares.&lt;br /&gt;Atrás dela seguia um menino de uns dez anos, moreno brejeiro com os olhos de japonês que denunciavam sua ascendência indígena, sobraçando um pacotte de verduras. Ambos já o conheciam, por se tratar do irmão de um jovem branquelo que, vez ou outra, levava uma bicicleta para consertos na casa dos irmãos e, quando o pequeno ía junto, trocavam breves palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, naquele fim de tarde puderam conversar por longo tempo e conheceram um pouco do confuso mundo onde o pequeno Márcio vivia ou tentava fazê-lo, para ser mais exato. Êle voltara da ingrata missão de ter que, por todos os meios e modos, livrar-se nas ruas do bairro de uma cadelinha grávida, caso contrário dormiria do lado de fora da casa.&lt;br /&gt;Explicou com voz chorosa que, por mais longe que a levasse, ela sempre descobria o caminho de volta. Passou-lhes pela cabeça ficar com a bichinha mas como já possuíam uma cadela com filhotes, certamente ambas viveriam às turras. Separaram-se do petiz, frustrados em não poder ajudá-lo de nenhuma forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite, com seus dentes negros e úmidos, abocanhou os barracos. O tempo devorou vários meses, a "folhinha" na parede emagreceu visívelmente (e Celso com ela) e, quando deu por si, já estavam em dezembro, fim de anos e de década.&lt;br /&gt;Nesse ínterim, êle cruzara algumas vezes pela mãe do menino -- uma baixinha de voz suave e andar delicado, que lembrava a mãe-ursa das estorinhas infantis -- passeando com sua sacola de perfumes e ervas aromáticas, que vendia de casa em casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da semana de Natal, período em que decidimos visitar pessoas as mais diversas no afã de desejar isto ou aquilo com o ar mais cretino do mundo, lá foi Celso bater à porta de Mr. Raymond Stern, escritor famoso no bairro e a quem não via a algum tempo.&lt;br /&gt;Eis que se depara com dona Ursa, digo, com a mãe do menino em animado "papo" com o dono da casa e dois amigos artistas que o visitavam na ocasião. E chegou bem no meio de estranha conversa, com a figura "mignon" a insistir: &lt;br /&gt;-- Então, o sr. vai querer ou não? Diga logo, que eu trago amanhã mesmo... até as roupas !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Bem, não posso decidir assim. Tenho que pensar por uns dias. Isso não é coisa que a gente aceite de uma hora para outra !&lt;br /&gt;-- Ah, então o sr. não quer. Se quizesse mesmo levava na hora !&lt;br /&gt;-- Não é bem isso. É que eu gostaria de conversar com o menino primeiro. Se êle disser que quer ficar, tudo bem. Arranjo uma boa escola para êle e, nos fins de semana, êle vem pass...&lt;br /&gt;-- Mas, aquele garoto é "léso". Êle nem sabe o que quer !&lt;br /&gt;-- Pois eu não concordo!, bradou Raymond, com voz estridente. Conversei com êle um bom tempo e o achei muito inteligente. A senhora nâo pode falar assim do menino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então Celso percebeu que aquela doce "alemãzinha" estava praticamente negociando o destino do filho que, segundo soube depois, era fruto de um casamento que ela detestara desde o seuu início, talvez porque o marido era um tanto tostado para os padrões sociais (leia-se raciais) do país.&lt;br /&gt;Manteve-se calado mas fuzilou-a com furibundo olhar "seca pimenteira" enquanto mentalmente lhe rogava todas as pragas  que os exús truxeram à sua memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebendo que o ambiente não lhe era proprício e que todos visivelmente o censuravam a megera, com os olhinhos miúdos a cintilar atrás de grossas lentes, despediu-se. &lt;br /&gt;-- Bem, já que o sr. não quer mesmo o menino, eu dou para outro... e voou porta afora, temendo reações.&lt;br /&gt;Na véspera do Natal Celso encontrou-a novamente na casa de Mr. Raymond oferecendo perfumes mas não lhe dirigiu palavra e, após ela sair, seu amigo lhe confidenciou que a mãe já entregara o menino para uma família qualquer. O coração de Celso quase gelou pois, tendo passado toda sua infância longe dos pais, isolado em colégios internos, sabia como o garoto estava se sentindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sagrada noite natalina cobriu com seu negro manto os casebres da "invasão" ainda sem as benesses da energia elétrica e a chuva fina que prenuncia o inverno amazônico marcava nos telhados de zinco -- como grãos de areia de colossal ampulheta -- os muitos segundos de íntima solidão, à luz de fantasmagórica vela.&lt;br /&gt;Próximo dali, um cão vermelho esquelético e histérico uivava ao relento, indeciso entre manter a fidelidade natural ao seu dono ou retribuir o ódio que este lhe devotava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desgraça do vira-lata trouxe à lembrança de Celso o drama do menino, isolado em algum quarto distante, cercado de carinhos estranhos e sorrisos semelhantes a esgares.&lt;br /&gt;Num barraco no final da viela onde Celso "se esconde" a mãe (?!) certamente preparava-se, entre beijos e bebidas, para "fazer" outro Márcio, queira Deus mais branquinho que essa malfadada criança.Era Natal... paz na Terra aos homens de boa vontade !                                          &lt;br /&gt;               &lt;strong&gt; "NATO" AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-3326902401479392836?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/3326902401479392836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/mercadoria-de-natal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/3326902401479392836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/3326902401479392836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/mercadoria-de-natal.html' title='MERCADORIA DE NATAL'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-6636268306184792603</id><published>2009-04-22T11:19:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T13:52:48.446-07:00</updated><title type='text'>O FANTASMA DO SINO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfImkoaeOhI/AAAAAAAAADI/Hh9d7UIXkeA/s1600-h/Transamazonica.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 224px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfImkoaeOhI/AAAAAAAAADI/Hh9d7UIXkeA/s320/Transamazonica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328363719898315282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O  FANTASMA  DO  SINO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estórias de assombração normalmente não passam de longas anedotas, contadas com um bocado de exagêros e, quanto mais disntantes da realidade nossa de cada dia, mais atraentes se tornam.&lt;br /&gt;Meu pai jamais confirmou o "causo" que ora relato -- cujos detahes me foram repassados por seu ajudante de caminhão, o "Zé Mineiro" -- não só por ser êle um tanto ateu mas também porque, poço de vaidades, nunca admitiria ter tido medo de algo que só existe mesmo na imaginação de uns quantos por aí.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Zé Mineiro" era um jovem caminhoneiro a serviço de meu pai fazia longo tempo, espécie de "pau para toda obra" mentiroso como êle só, vício que acabou por deixá-lo na rua (ou estrada) da amargura, quando o "velho João" encheu-se de suas trapalhadas. &lt;br /&gt;Meu pai, com quase cinquenta anos de direção nas costas, tinha vindo, visto e vencido os primeiros quilômetros da recém-criada Rodovia Transmazônica, nos anos 70 e, qual bandeirante pós-atòmico, arquivara histórias horrendas e fascinantes das suas viagens pela majestosa "barrovia".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros dias dos desbravadores que singraram aquela veia amarela tatuada no corpo verde da imensa floresta são uma saga ainda não inteiramente contada aos seus pósteros. Tribos de índios ferozes a impedir a passagem dos velhos caminhões GMC, pontes caídas, veículos tombados dentro de rios, atolados ou quebrados, serpentes monstruosas espraiadas ao sol no leito arenoso da estrada, onças famintas saltando sobre o capô do motor e nordestinos aos trapos pedindo carona, fugidos de fazendas próximas nos quais estavam sendo escravizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia perdido no tempo, numa curva da Rodovia, papai deu de cara com um sujeito implorando socorro, buracos de bala na camisa ensanguentada e metade do rosto em chagas, com vermes dançando na ferida infecta. &lt;br /&gt;Insubordinara-se com os maus-tratos na fazenda e o capataz, como exemplar castigo, levara-o ao "paredón", enterrando o "morto" em cova rasa, onde permaneceu talvez por 30 ou 40 horas. "Zé Mineiro" não é desta fase... meu ai o conhecera quando transportava minério para a Cia Vale do Rio Doce, entre Congonhas do Campo e a cidade fabril de Volta Redonda. A dupla pegava fretes de um ponto a outro do país, verdadeira loteria, ficando retidos num local à espera de carga às vezes por até duas ou três semanas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dessas viagens, noite alta e alguns goles de vinho a mais ( que o sereno estava frio!), papai ía ao volante, o que não era comum. "Zé Mineiro" parolava alegremente quando interrompeu o "lero-lero" para indagar apreensivo: &lt;br /&gt;-- O que foi isso, "véio João", paréci baruio di sino ?!Papai, que não ouvira nada, deu pouca importância à declaração do parceiro, fruto de excesso de vinho, com certeza.&lt;br /&gt;Não demorou um minuto lá vem o mineirinho de novo com a mesma ladainha, agora com um tom nervoso na voz:&lt;br /&gt;-- Credo in cruiz, sarve Rainha, Mãe de Misericóidia... o que havéra di sê, meu Pai do Céu? O sinhô não 'tá ouvino nada mêrmo ?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai ouvira... Aconselhou calmamente ao rapaz que deixasse de besteiras, era só uma peça qualquer do caminhão que se soltara. De nada adiantou o arrazoado.  &lt;br /&gt;O ajudante, de olhos arregalados, tornar-se histérico, falava aos berros em visagem, assombração, almas penadas, homens de chifre e pés de bode, com cheiro de enxofre e coisa e tal. E o diabo (êpa!) do sino badalava cada vez mais alto, era um gemido metálico e dolente no gélido negrume da estrada, as sombras bruxuleantes das árvores avançando seus corpos disformes sobre o caminhão.  &lt;br /&gt;-- Pisa, pisa fundo "véio João", que não vai sê hoje o meu dia! Por Nossa Senhora da Conceição, só quero morrê se fô lá no meu chão !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pânico do "Zé Mineiro" era autêntico e, quando falou em morte, tocou num dos pavores secretos de meu idoso pai, que tinha horror a cemitérios. O medo mudara de dono e o maldito sino amplificara o sinistro som por toda a cabine do caminhão. &lt;br /&gt;O velho João, todo adrenalina, exigia o máximo do veículo que gemia e corcoveava como alazão chucro num rodeio, as mercadorias quase rompendo as cordas na carroceria abarrotada.                           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe, no cimo de íngreme subida, avistaram uma luzinha tremeluzindo na escuridão, quase a tocar os céus. Era uma casa, uma pousada salvadora, a porta do Paraíso, a solução abençoada.O caminhão inteiro tremia como geléia, os dois motoristas nem se apercebiam disso porque tremiam êles ainda mais e o veículo voava por cima de lombadas e buracos, enquanto o sino fantasmagórico invadia-lhes a amedrontada alma. &lt;br /&gt;A luz no fim da serra (pléin, pléin) transformara-se em imenso farol (pléin, pléin) a iluminar tudo em derredor (pléin, pléin) e papai vislumbrou parado na beira da estrada, bem lá no alto, um outro caminhão. Finalmente, estavam salvos !  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximou-se à toda, freou com violência e estardalhaço, desceram ambos esbaforidos da boléia do caminhão e deram de cara com um gaúcho típico, de bombachas, bigodão e chapéu, a desenformar um imenso pneu que furara, com o auxílio da marreta e de uma cunha maciça de aço. &lt;br /&gt;O barulho produzido pelo insano trabalho (pléin-léin-pléin) do solitário herói das nossas estradas em tudo se assemelhava ao badalar de um sino e a lâmpada elétrica alimentada à bateria abrilhantava a cena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gaúcho olhou espantado para a dupla de companheiros de lida e perguntou sorrindo:&lt;br /&gt;-- Bah, tchê, o compadre terá visto alguma assombração por ai? Do jeito que vocês chegaram... quem vê, pensa logo que os amigos viram algum fantasma ! Eh, eh, eh!&lt;br /&gt;Meu pai presenteou "Zé Mineiro" com um olhar furibundo, este encolheu-se todo receando ver o velho João agarrado em seu frágil pescoço e, ansioso para "limpar a barra", retrucou sem grande convicção: &lt;br /&gt;-- Vimo' nada não, seu moço... nóis 'tamo é cum pressa mêrmo, né "véio João" ?!                                   &lt;br /&gt;          &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-6636268306184792603?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/6636268306184792603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-fantasma-do-sino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6636268306184792603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6636268306184792603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-fantasma-do-sino.html' title='O FANTASMA DO SINO'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfImkoaeOhI/AAAAAAAAADI/Hh9d7UIXkeA/s72-c/Transamazonica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-8034383431187495430</id><published>2009-04-20T16:43:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T16:48:36.630-07:00</updated><title type='text'>O  LABIRINTO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O  LABIRINTO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O domingo amanheceu agitado, desde as primeiras horas a "procissão" de gente de todo tipo dirigia-se para um galpãp abandonado, na periferia da cidade. A pé, em bicicletas ou até em velhos carros que só se moviam por milagre. Idosos e jovens, homens e mulheres íam todos em idêntica direção, os facões e enxadas embrulhados em jornais, esfarrapado disfarce.&lt;br /&gt;Estava em andamento mais uma invasão de terra... o novel município de Ananindeua já assistira a outras tantas, aquela era só mais uma. Com estratégia própria de guerra civil, os participantes principais eram todos avisados com antecedência e estes repassavam a ordem de assalto para os demais. A invasão inicial se transformava em pouco tempo numa "invasão' oficial, espécie de favela da região norte, às vezes instalada sobre área alagadiça mas, quase sempre, situada em terrenos de grande valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma bem montada rede de informantes orientava os profissionais de invasão para as áreas em débito com as prefeituras, em litígio judicial ou cujos donos não fossem pessoas de projeção social ou política.&lt;br /&gt;Contando com as falhas na aplicação da lei, com a certeza da impunidade, com uma legislação que apadrinha o incompetente e o preguiçoso, os invasores atuaram sem restrições no coração do Pará durante boa parte dos anos 90. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim sucedeu com a "invasão" Laranjeiras, onde o jovem microempresário Albertino adquiriu modesto lote, que o sistema todo é muito bem organizado, com projeção das futuras ruas e terrenos de tamanho igual. O local invadido vira uma espécie de deserto em 2 tempos, as árvores e os arbustos próximos são transformados em cercas, traves de teto ou mesmo lenha para "fogões" improvisados, enquanto os barracos surgem do nada e cavam-se poços e sanitários. &lt;br /&gt;A primeira residência a ser concluída é invariavelmente uma "estância", casa de comércio de tijolos, madeira e outros materiais para construção. Todo resto vem a partir dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma espécie de capataz maior é apontado pelos demais como o "dono do pedaço", com poder de vida e morte sobre o restante, embora sozinho não teria condições de invadir coisa alguma. &lt;br /&gt;A este "chefão" cabe decidir quem entra ou não na "invasão", quem fica nela e pode até revender terrenos já pagos, caso estes não sejam ocupados no prazo por êle determinado. Por via de regra acaba dono de todos os lotes não comercializados, às vezes meia dúzia ou mais, enquanto inferniza a vida de quem tem um só.                           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orinaldo morava no outro extremo da rua (ainda sem nome) onde Albertino sonhava construir no futuro uma filial de sua Farmácia Chaves, no lote de esquina adquirido na "invasão" Laranjeiras, fechando já seu primeiro ano de existência. Curiosamente, as lideranças "comunitárias" que se apossam das "invasões" não conseguem sequer o modesto milagre de convencer os moradoresa numerar corretamente seus casebres, organizando com alguma lógica a situação da vila em si e de seus habitantes. Adiante, a entrega de contas de luz, de uma simples carta ou mesmo o uso do endereço em documentos oficiais ficam comprometidos pela bagunça que é a numeração nessas áreas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposentado, o velho Orinaldo seguia a rotina de boa parte da população jovem da periferia da capital paraoara e dos municípios limítrofes. Ou seja: de manhãzinha, levar os passarinhos engaiolados para "tomar ar" nas matas próximas ou no que restou delas. Sol a pino, solta-se pipa até que a fome dê as horas para o almoço frugal de sempre. Após às 4 horas, a invariável "pelada" diária, por vezes em meio a não menos invariável chuva, quando esta se atrasa ou prolonga demais sua visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espécie de "pudim de cana", de rosto avermelhado pelo excessivo consumo da "branquinha", o ancião desocupado deixou-se levar pelo vírus da cobiça e, como quem não tem nada para fazer faz besteiras, resolveu invadir o terreno permanentemente vazio do esforçado Albertino, que só muito tarde veio a saber da patifaria do "vizinho". Afinal, "quem tem um, não tem nenhum", pensava o velho.                                           &lt;br /&gt;Assim tramou, assim fez e, sem comunicar ao filho -- soldado-bombeiro no batalhão próximo, situado no bairro -- nem à própria família, começou a construção dos alicerces de uma "meia água", tudo feito às pressas, correndo contra o tempo e a ira do ludibriado farmacêutico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albertino amanheceu na "invasão", bufando de ódio justiceiro, mas tres dias haviam sido suficientes para que o velho Orinaldo levantasse meio metro de parede de todos os cômodos da casa. O filho, valendo-se de seu posto de militar, tentou neutralizar a reação furibunda do proprietário lesado, o que conseguiu a custo. A mãe do rapaz, temendo pela vida do tresloucado marido, implorava aos céus para que não sucedesse ali nenhuma desgraça.                              Albertino vira a futura farmácia esboroar-se no espaço como um prédio implodido mas decidiu recuar a fim de não cometer uma asneira irreparável. Em todo casao, dirigiu-se imediatamente ao quartel dos bombeiros onde, após longa conversa com o comandante, teve deste a promessa de que o filho-soldado não se meteria na confusão arquitetada pelo ganancioso pai. Agora, a briga era só entre êle e o velhote oportunista.Na manhã do 4° dia o achincalhado dono da farmácia visitou seu ex-lote acompanhado por uma dupla de bem nutridos seguranças, mas o teimoso Orinaldo já estava "no batente", "puxando" uma carreira de tijolos. -- "Escuta, vovô, te proponho um bom negócio para nós dois. O sr. pára a obra agora e lhe deixo retirar a tijolada toda e o que puder levar das pedras do baldrame. Do contrário, o caldo vai engrossar pro seu lado".-- "Ora, ora, rapaz... por quem me tomas! Nunca tive medo de homem! Eu vim de "Parago-bala", (1) terra de faroeste e onde eu via tiroteio todo dia. Comigo não tem acordo"!Intimamente Orinaldo já se dava por perdido, a família em pêso negara-lhe apoio e a vizinhança acompanhava de longe, entre apreensiva e curiosa, o desfecho daquela absurda peleja. Mas o velho "batera pé" na certeza de que o rapaz estava blefando e com a remota esperança de ser indenizado por aquelas indesejadas "benfeitorias", já que nem em sonhos pensava carregar de volta o milheiro e meio de tijolos que investira naquela louca empreitada.                       O comerciante, prevendo a teimosa resposta, deu-lhe às costas mas deixou aos seguranças a incumbência de impedir nova remessa de tijolos ou de qualquer outro material para o velho. Voltou pouco depois com três robustos pedreiros, animados por polpuda paga e, assim que a carrada de materiais de cosntrução chegou ao local, puseram mãos à obra. A ordem era subir um alto muro em torno da modesta "construção" do aposentado, emparedando-o finalmente dentro de seua malfadada empresa.Orinaldo não previra tal reviravolta em seus planos e, portanto, não se precavera trazendo alimentos, apenas um punhado de farinha e a cabaça d'água. Passou um dia de cão entre as paredes ensolaradas, sem ventilação alguma porque atingiam quase dois metros de altura e a costumeira chuva da tarde acordou-lhe um reumatismo do qual há anos não se lembrava. Em desespero de causa, pensou em transpor o "muro da vergonha" de seu infortúnio, que crescia como onda fatal prestes a afogá-lo, mas perdeu a coragem ao ler nos olhos de um dos atentos seguranças a maléfica intenção que o inspirava.De Orinaldo sumira toda a arrogância anterior e, qual Minotauro estabanado, palmilhava desconcertado seu exíguo labirinto, sob o pêso das chacotas e piadas dos pedreiros divertidos.A noite perdeu seus encantos e suas estrelas, a lua escondeu-se comovida e, quando raiou o 5º dia, o sol iluminou um sábado febril, com cheiro de tragédia no ar e presságios de morte rodando como poeira em torno dos envolvidos. Na verdade, absolutamente ninguém dormira e, logo que Albertino retornou com os pedreiros, uma multidão apinhou-se ao redor da construção, protestando com veemência contra a maldade dos seguranças, que estavam a torturar um pobre ancião.                                  Aproveitando a maré de sorte Orinaldo passou a soltar sonoros gemidos, que agitaram ainda mais a populaça. O farmacêutico manteve-se irredutível e, alegando que se o fato fosse com êles fariam a mesma coisa, deu seguimento à elevação do muro.Sem almoço, sem janta e sem o matinal café o velho, ao final do dia, estava realmente passando mal e somente uma conversa entre o filho militar do idoso e o proprietário do terreno mudou o dramático rumo dessa história. Abriu-se uma passagem no imenso muro, à tardinha, sob os aplausos da multidão e Orinaldo, cabisbaixo e humilhado, retirou-se cambaleante para casa. Somente lá, entre os seus, soube que a famíliaa sacrificara a televisão em cores recém-comprada, cedida como compensação ao farmacêutico prejudicado pela "palhaçada" do aposentado. Votou-se pela imediata "transferência" do desastrado vovô para a casa dos demais filhos, em outra cidade, até que fosse esquecido o vexame. A comunidade ficou sem farmácia, o sr. Chaves desinteressou-se do malfadado lote mas, a partir do incidente, ninguém ousou invadir novamente o terreno e os restos da infeliz construção resistem ao tempo, espécie de lição escrita com tijolo e cimento declarando em alto e bom som que "quem não tem cão, caça com gato... todavia, pode acabar muito arranhado"!                                     "NATO"  AZEVEDO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-8034383431187495430?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/8034383431187495430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-labirinto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/8034383431187495430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/8034383431187495430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-labirinto.html' title='O  LABIRINTO'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-6936737498126638409</id><published>2009-04-20T16:33:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T13:27:19.671-07:00</updated><title type='text'>MINIDRAMA  EM  2  ATOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIglK3LNgI/AAAAAAAAACo/GMWUVWpFdq8/s1600-h/sergio2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 199px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIglK3LNgI/AAAAAAAAACo/GMWUVWpFdq8/s320/sergio2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328357132075742722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MINIDRAMA  EM  2  ATOS &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ABERTURA -- INGLÓRIO  CREPÚSCULO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estava realizado, cumprira sua missão na face da Terra. Plantara árvores (entre outras tantas coisas), tivera filhos e, por fim, escrevera um livro, todas elas tarefas considerávelmente difíceis, cada qual lhe exigindo sempre maior esfôrço. Acariciava nos braços sua mais acalentada obra, nove meses de ansiosa gestação, de agoniada espera, com o rebento desenvolvendo-se a cada hora, dia após dia. Os méritos daquele nascimento eram quase todos seus, se bem que a espôsa teve importante participação na produção do "caçulinha", sonhada cria há tanto planejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pequeno corpo que o fitava mudo e têso aninhavam-se seus mais secretos anseios, portava o minúsculo ser os sonhos e os desejos do envaidecido pai, seus medos e segredos, suas crenças e sua fé. &lt;br /&gt;Criador e criatura exibiram-se ao Mundo, à vizinhança que os acarinhou e até a desconhecidos que os ignoraram ou desdenharam. Pai e filho andaram por todo canto, autor e obra mostrando-se sem pejo a quem os quizesse ver... por vezes, mesmo a quem nada queria com ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo zuniu como um avião à jato sobre exíguo pátio de colégio e o filho foi perdendo os encantos junto ao pai, que sonhara ver seu nome cruzar mil fronteiras levado através de sua obra maior, com os seus pensamentos, opiniões e filosofia divulgados mundo afora pela "carne" de sua carne.&lt;br /&gt;Amargurado com o insucesso, levou seu pupilo às escolas do bairro, conduziu-o aos mais importantes colégios da capital, apresentou-o até em modestas bibliotecas do interior, a fim de que admirassem nele a sabedoria (do pai?!) e o conhecimento. Foram ignorados em alguns lugares, recebidos com irônico desdém em outros ou mesmo com falso interêsse aqui e ali, que o Mundo sabe ser cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou-o finalmente em longínquo mosteiro, repousando já meia eternidade sobre íngreme encosta e, somente lá, pai e cria foram atendidos com humanidade. Assentiu o monge em dar à jovem promessa de sucesso toda a atenção, tratá-lo com carinho, avaliar nele os conhecimentos e o conteúdo, apreciar suas qualidades e, mais adiante, explanar ao desanimado pai suas conclusões. &lt;br /&gt;Enquanto isso, a singela obra que o gênero humano trouxera à luz um dia estaria entre irmãos, com um cantinho só seu, ao lado de volumosos amigos com vestes em seda e ouro e de esquálidos e pálidos como êle, de modesta roupagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tempo escorreu como água entre os dedos, transmutou-se em anos, depois em lustros e decênios, com o pai desiludido sem coragem nem ânimo para saber de sua criação. No silêncio da clausura, mudo e só como os demais a seu lado, envelheceu à sombra bruxuleante da luz de velas, amarelou com a úmida penumbra, enrugou-se até que os germes e vermes do princípio das eras iniciassem macabro banquete, devorando-o em vida. &lt;br /&gt;Definhou lentamente, sem nenhum escarcéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia no convento, sai esbaforido da biblioteca escura e vazia um jovem frade, levando entre os braços velho livreto carcomido por cupins e traças, a capa enegrecida pelos restos dos terríveis roedores.&lt;br /&gt;-- "Prior Nicodemos, olhe o que sucedeu ao pobre livrinho... foi praticamente destruído" !&lt;br /&gt;-- "Calma, irmão Ângelo! Para tudo há consêrto na vida. Convoque outros frades e façam uma revisão geral de todo nosso acêrvo. Quanto a esta obra, bem me lembro dela. Um jovem escritor a trouxe, muitos e muitos anos atrás, para que opinássemos sobre ela. Nunca mais voltou! Coitado do livro do rapaz... que triste fim! &lt;br /&gt;Junte-o aos demais volumes imprestáveis e toque-lhes fogo. Precisamos exterminar sem demora essa praga"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ATO  FINAL -- SAGA  SEM  LIMITE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Somos quase tão antigos quanto o Universo...já estávamos no paraíso quando Deus criou os demais seres do Éden. Meus ancestrais espalharam-se pelo mundo, viajaram com Noé na arca sagrada, avançaram sobre todos os continentes, povoaram a Terra enfrentando todo tipo de dificuldade, os mais diversos inimigos. &lt;br /&gt;Evoluímos bem mais que as demais raças, nos estruturamos enquanto população em constante crescimento, criamos castas distintas que atuam, sem falhas, para o bem comum: trabalhadores braçais, dirigentes, soldados, gerentes, dispenseiros, babás de ambos os sexos... temos até mesmo uma rainha" !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Orientais ou ocidentais, claros ou escuros, pouco importa a côr, a raça ou a origem de nossos companheiros de luta diária. Nossa união é nossa força e, desde que não nos invadam o território, vivemos em paz com todos, colhendo verduras e frutas, transportando carne, cereais ou condimentos. &lt;br /&gt;Espécie de bandeirantes milenares, já armazenávamos alimentos em silos subterrâneos à prova d'água quando um faraó bíblico resolveu nos imitar e ficou famoso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Temos espiões em toda parte, talvez até na Lua, com faro e experiência para localizar novas fontes de alimentos, onde quer que estejam, por mais protegidas, porque nada resiste à nossa invest... oh, oh, oh, alerta, rapazes... corram, meninas... aí vem uma enchente terrível. Socorro, socor... glub, glub, glub" !&lt;br /&gt;............................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Júnioooor, fecha essa torneira e sai já da cozinha. Quantas vezes terei que dizer que não quero ver você brincando com água"?&lt;br /&gt;-- "Mas, mamãe, eu só fui lavar meu copo de suco que estava todo cheio de formigas" ! &lt;br /&gt;                  &lt;strong&gt; "NATO"   AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-6936737498126638409?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/6936737498126638409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/minidrama-em-2-atos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6936737498126638409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6936737498126638409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/minidrama-em-2-atos.html' title='MINIDRAMA  EM  2  ATOS'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIglK3LNgI/AAAAAAAAACo/GMWUVWpFdq8/s72-c/sergio2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-2809846166137356839</id><published>2009-04-20T16:18:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T17:05:16.684-07:00</updated><title type='text'>O  SAL  DA  TERRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfOlKHIqyFI/AAAAAAAAADg/9bBjsHZ7faY/s1600-h/%C3%81RVORE.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfOlKHIqyFI/AAAAAAAAADg/9bBjsHZ7faY/s320/%C3%81RVORE.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328784377242110034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O  SAL  DA  TERRA  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agonizava... e nem êle mesmo sabia disso. Sua vida passava diante dos olhos qual velha película desbotada, com estranhos "flashes" e brilhos pelo meio, as imagens incomodamente velozes, como se tivessem vergonha do que mostravam. Já não via o mundo; já nem havia mundo para êle, nos estertores da morte, o corpo inchado e disforme pela ingestão prolongada de bebidas, todas elas.&lt;br /&gt;Nada mais importava agora... aliás, há muito tempo nada tinha importância, quase tudo acabara quando seu avô se fôra. "Vô" Augusto César era espelho e modelo, patriarca de um clã com ra´zes na vibrante Espanha e que migrarapara o Brasil quando as balas e granadas da sangrenta II Grande Guerra escolheram sua enorme família como alvo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos Castañeda ficaram, outros mais dispersaram-se globo a fora, pela Europa, as três Amércias, várias regiões do Brasil. Seu avô, jovem ainda, embrenhara-se no El Dorado que seus antepassados tentaram, em vão, encontrar: a riquíssima região de ouro verde (madeiras de todo tipo), de minérios e minerais incontáveis, ervas medicinais, frutas típicas e com uma terra que, mesmo não se plantando, tudo dava. Adotou a região como sua, despiu-se das próprias particularidades e assimilou, em pouco tempo, os falares, gostos, costumes e até a diversão da gente da terra, agindo e vivendo como qualquer deles. O território era extremamente inóspito para individualidades e quem quisesse sobreviver, árvore ou animal, deveria agir como os demais em seu meio, mesmo pensando diversamente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "galego" investiu suas parcas economias na rvenda da castanha-do-pará, quando o fruto das colossais árvores valia mais que sua nobre madeira, nos velhos tempos do Grão Pará. Comprava em litro dos pequenos produtores -- tendo mera lata de óleo de cozinha como medida -- e revendia adiante, em grandes sacas e com belo lucro, para exportadores de Belém, indo de barco ou carro conforme a estação.&lt;br /&gt;Em pouco tempo o espanhol arrumou pé-de-meia, esposa, dois filhos, modesta vivenda com hortas e tanque de peixes e adquiriu vários hectares de castanheiras nativas. Transformou-se no patrão "Guto Castanheira", com um bocado de caboclos a seu serviço e com os filhos atuando na sede da "empresa", ampla casa adquirida na  recém-fundada Castanhal, cuja estrada de ferro barateava em muito o transporte da produção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali nascera Luís Augusto Castanheira Rabelo, pois o avô adotara por sobrenome de família o fruto que lhe trouxera fortuna. O menino, filho único, primeiro e adorado neto de "Guto Castanheira" cresceu cercado de mimos, frequentou um dos melhores colégios de Belém, no qual os frades do Carmo lhe deram esmerada educação. Era o orgulho do avô, embora  pai e tio torcessem o nariz para aquele refinamento todo.&lt;br /&gt;"Primus inter pares", dizia ao avô-coruja o vigário-reitor, melhor aluno da classe e do colégio, "Lula" tornou-se imprestável para as lides do campo, espécie de "patinho bonito" olhado com desconfiança pelo tio e primos, com algum desgosto pelo ativo pai e com certo receio pela abnegada mãe, uma prendada ribeirinha mais afeita aos modos e crendices do populacho do que às certezas e conhecimentos esquisitos de seu pimpolho.                            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No recesso das aulas, nos feriados mais longos e nas férias de julho e dezembro corria para o interior, para os braços do avô que o amava  e entendia, ignorando tudo o mais. Passava com êle divertidos "weekends" na capital, com "soirées" aos sábados no magnífico Theatro da Paz, conforme escolha do avô ou em alegres "matinês" no Cine Palácio, nos ensolarados domingos.&lt;br /&gt;Quanta vez sua mãe se perguntou, proseando com os próprios botões, para que servia tanto estudo se a fazenda lá embaixo precisava mesmo era de um braço forte, pulso firme, cabeça boa e ela de alguns robustos netos. Quanta vez "Lula" se interrogou, à beira da fogueira em longas reuniões noite a dentro ou vendo dançarem a quadrilha -- êle, todo empertigado em sua camisa engomada, de mangas compridas e abotoadura de ouro -- de que lhe servia tanto estudo frente àquele povo tão simples em sua humildade, diante daquela gente tão humilde em sua simplicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, vencera todos os obstáculos para agradar o vovô, fôra tão longe porque isso era, acima de tudo, o desejo maior do pai de seu pai. As imagens jorravam sobre si como torrente ensandecida; professores, matérias, brincadeiras, os amigos, os padres todos, o refeitório, a capela, a piscina... tudo lhe passava sobre os entumescidos e vítreos olhos, como num álbum de figurinhas folheado por um vendaval. &lt;br /&gt;O Pe. Domingos narrando histórias, Pe. Vitor fotografando, Pe. Mozart por incrivel coincidência sempre ao piano, Pe. Mário no futebol, amigos e mais amigos, latim, francês e algo de inglês, "O Jornalzinho" querido, a revista "Entre Amigos", etc e etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demarcando cada momento das vidas dos dois Augusto a castanheira na entrada de Belém, na antiga Estrada dos Boiadeiros, depois BR-316 e, mais tarde, Avenida Almte Barroiso. A imensa castanheira florida numa estação ou soltando como lágrimas suas folhas uma a uma, até assemelhar-se àquelas árvores de filmes baratos de terror. &lt;br /&gt;Era a centenária castanheira cúmplice dos anseios secretos de ambos, que lhe votavam muda admiração, como se ela fosse um longínquo antepassado. Não entravam ou saíam de Belém sem lhe fazer silenciosa saudação, render-lhe respeitosa homenagem, que só cabe a monarcas ou santos. Esse pacto de consideração avô e neto estenderam aos demais elementos da Natureza (pássaros, floresta e animais), procedimento incomum aos demais familiares e sentimento que os unia ainda mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, a monumental castanheira cedeu ao progresso... vergou-se aos machados e serras e foi predendo um a um seus membros, sem nenhuma queixa ou protesto, lacrimando seiva por todos os poros, o tronco imponente e rijo resistindo a todas as ofensas e crimes, impávido colosso inextinguível. Atrapalhava o trânsito, dizem ainda hoje os burocratas, mas o punho bruto, estéril, explodindo do solo bradava aos céus pedindo justiça, que por clemência ela bradou em vão.&lt;br /&gt;Quando o velho Augusto César Castañeda viu o tamanho do crime cometido baixou hospital; acorreram todos à capital para vê-lo e o jovem Luís Augusto foi retirado às pressas da sala de aula. Seu avô nunca mais foi o mesmo, sentiu um mau presságio na morte da admirada amiga e nem a esposa, companheira de todas as horas, conseguia animá-lo. A melancolia criou raízes em sua alma, sombreou-lhe de tal forma o espírito que só voltou à antiga fazenda a fim de contratar o famoso violeiro "Bié" para fazer uma canção em homenagem ao gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abiezer Eleutério da Silva, pernambucano de Olinda, era mais um dos milhares de migrantes que fizeram do Pará sua segunda pátria, constituindo aqui família, filhos, netos e bisnetos, desde meados do século anterior.&lt;br /&gt;Também êle sentira o desastre que fôra aquela medida administrativa, destruindo um dos marcos mais importantes do passado. Vai daí que o violão soou, para encanto dos Augustos, enfeitando os lindos versos de "CASTANHEIRA":                                                    I                         &lt;br /&gt;Quem entra em Belém do Pará                         &lt;br /&gt;vindo do interior                         &lt;br /&gt;vai passar pela castanheira                         &lt;br /&gt;que o tempo desfolhou.                                                   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I I                          &lt;br /&gt;No marco zero da estrada                         &lt;br /&gt;ela estava muito bem.                         &lt;br /&gt;Assistiu toda a história                         &lt;br /&gt;da cidade de Belém.                         &lt;br /&gt;Viu a luta dos cabanos,                          &lt;br /&gt;assistiu a adesão.                          &lt;br /&gt;Falou com Pedro Teixeira,                          &lt;br /&gt;o grande desbravador                          &lt;br /&gt;e com "Chico" Castelo Branco                          &lt;br /&gt;que foi nosso fundador.                                         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I I I  (refrão)                          &lt;br /&gt;Castanheira, castanheira,                          &lt;br /&gt;dê licença de eu passar:                          &lt;br /&gt;-- "Me diga se eu sou benvindo,                          &lt;br /&gt;de volta a Belém do Pará"!                                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I V                          &lt;br /&gt;Hoje, somente o tronco,                          &lt;br /&gt;sem folhas nem algodão,                          &lt;br /&gt;ainda conta pra gente                          &lt;br /&gt;o que ela testemunhou:                          &lt;br /&gt;a história de um povo                           &lt;br /&gt;que nunca lhe abandonou ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avô e neto se derramaram em la´grimas, a fazendola em peso sentiu no pranto um quê de despedida e o velho "Guto Castanheira" passou pela derradeira vez frente ao outrora orgulhoso tronco. Morreu desgostoso da vida pouco depois, enquanto o neto definhava de saudades e tristeza.&lt;br /&gt;Em poucos meses "Lula" abandona tudo: casa, família, estudos, bens, conforto e futuro. Passou a perambular pelas esquinas, sem destino nem paradeiro, mais bebendo que fumando e tendo por amigas inseparáveis a febre, a gripe, por vezes a fome e, adiante, a tuberculose. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdeu a noção de tempo e de espaço, tornou-se irreconhecível e, nos instantes finais de mais uma década ali estava, trambolho quase humano recostado às raízes semimortas de sua amada castanheira, cruz e lápide de seu bizarro calvário. &lt;br /&gt;Agonizava... e nem ele mesmo o sabia. Já não via o mundo... e era esse o seu maior prazer. Estava longe de tudo, próximo do avô querido, os últimos "flashes" da amarga vida arrastando-se como soldados vencidos, ensanguentados, feridos de morte. Fatal hemorragia interna dera seu golpe final, com sutil hemoptise escrevendo em carmim a derradeira oração do livro da Vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gélida noite abocanhou os restos do agitado dia e o fim da feérica sexta-feira prenunciava novo velho ano. "Lula" não ouviu os fogos metralhando a natureza, sequer apreciou o deus-sol saudando mais um per[iodo para os homens de boa vontade na cidade adormecida e parcilmente abandonada. &lt;br /&gt;Sumiu o sábado na poeira dos séculos e, ao raiar do dia santo, o que parecera aos transeuntes mero bêbado largado ao pé do maltratado tronco transformara-se em repulsivo cadáver inchado e sanguinolento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansando finalmente em paz, a seiva que alimentara aquele Augusto nutria agora o que sobrara da augusta árvore, sal da terra revigorando raízes e adubando o chão à sua volta. Impávido colosso, o tronco impressionante resistiria às intempéries por outra década mais, até que um recém-lançado shopping center de luxo desse fim àquele monumento à sandice dos homens, extraindo tronco &amp; raízes e selando com pedras e cimento todo um capítulo sentimental de milhares de pessoas.&lt;br /&gt;Restou apenas a canção do velho cantador "Bié" e a triste memória de quantos a eternizaram como símbolo maior e primeiro da cidade de Belém. Quem entra em Belém do Pará não vai passar pela castanheira... e nem por tantas outras coisas mais.                                       &lt;br /&gt;                &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO        &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-2809846166137356839?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/2809846166137356839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-sal-da-terra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/2809846166137356839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/2809846166137356839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-sal-da-terra.html' title='O  SAL  DA  TERRA'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfOlKHIqyFI/AAAAAAAAADg/9bBjsHZ7faY/s72-c/%C3%81RVORE.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-2249627614297229423</id><published>2009-04-20T16:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T13:36:24.584-07:00</updated><title type='text'>O ÚLTIMO PESADELO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIitlpDc-I/AAAAAAAAACw/lTvm3ok0NBc/s1600-h/vigia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 229px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIitlpDc-I/AAAAAAAAACw/lTvm3ok0NBc/s320/vigia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328359475726480354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; O ÚLTIMO PESADELO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado sob a única jaqueira de seu sitio, o caboclo sonolento pensava e sorria. De barriga cheia, o palito de "fósfo" a dançar-lhe entre os raros dentes, seu olhar passava pelas frondosas mangueiras, que êle sempre achara que Deus cuspia dos céus, tal a quantidade e os locais incríveis de onde elas brotavam.&lt;br /&gt;Ao fundo, na casinha de paredes de tábua macheada nova --- toda doada pelo calhorda do vizinho lá da cidade grande (azar o dele, não lhe pedira nada!) -- seus 3 pequenos e a mulher descansavam o almoço em redes na sala escura, sob a refrescante sombra do teto de palha de anajá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mané-Chêra" estava feliz! Ganhara a "questã" da divisão das terras no último instante e aqueles 10 metros vezes 3 km e tanto íam aumentar em muito a herança dos seus. A verdade é que os pés de café cortados na raiz, que êle deixara aqui e ali na picada demarcatória feita pelos brancos da cidade influíram demais na decisão da Juíza.&lt;br /&gt;Mas é certo também que aqueles anos todos doando frutas e farinha ao único oficial de Justiça do lugar foram o trunfo maior em seu favor, pois não ignorava que este é quem vinha confirmar "in loco" os dados constantes dos processos de invasão de terra lá do Forum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os "barão da capitar" não precisavam das terras e só vinham passar uns fins de semana lá,,, 'inda íam querer demarcar as terras deles conforme aqueles papéis caducos que a filha do velho Ananias lhes cedera, junto com a venda do sítio ao lado?&lt;br /&gt;E justo do falecido, que permitira à Ernestina juntar os trapos com um estranho, gente de fora, um "sulista" qualquer, cheio de idéias marotas e que trouxe com êle uma "tar de talavisão" que foi uma disgraceira pro lugar?&lt;br /&gt;O mulherio passava o dia inteiro na casa do fulaninho, era uma falação danada e o troço estava estragando "inté" os pequenos. Foi graças a êle que os machos do lugar se reuniram e botaram os dois prá correr... afinal, o terreno do vizinho tinha muitas frutas e êle costumava fazer umas caçadas noturnas (de arma e tudo!) muito rendosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu um arrôto, sentiu a cabeça um tanto pesada e concluiu com seus botões que o vinho de cupuaçu que tomava no taberneiro lá da vila, antes de seguir viagem para o sítio, ultimamente não vinha lhe fazendo bem.É, aquele refresco gelado de frutas lhe lavava a alma mas, além de atingir-lhe o fígado, quase o matava de sono. &lt;br /&gt;'Tá certo que o sol do meio-dia do norte do Pará é de assar passarinho voando mas êle nascera ali e, com um chapéu de palha na cabeça, quase não dava para sentir o calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, que esse sono estranho ao voltar na "montaria" -- pequena canoa de tronco de árvore escavado a fogo -- dava prá desconfiar, isso dava. E caiu no sono, recostada à mãe das únicas jacas da redondeza, a cabeça pousada no ombro esquerdo e trazendo na bôca escancarada o palito milagrosamente preso à grossa saliva. &lt;br /&gt;Como derradeira lembrança, a imagem do taberneiro sacripanta em animada conversa com o rico granfino, seu confinante, e as estridentes gargalhadas deste. E "Mané-Chêra" dormiu. Dormiu e sonhou.&lt;br /&gt;..............................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sinuosa estradinha de areia dourada serpenteava floresta a dentro, desaparecendo entre as cinquentenárias mangueiras atrás do seu casebre,De lá vinham sons, os milhares de ruídos de todas as horas e que transformam a expressão "o silêncio da noite na floresta", muito usada pelos citadinos, numa piada de mau gôsto. &lt;br /&gt;Mas não era um barulho qualquer que aquele misto de chinês com kaiapó ouvia... não, a coisa era compassada, tinha ritmo, parecia a "Mané-Chêra" semelhante ao som que êle ouvira naquela caixinha do Diabo, na casa do seu confinante, quando umas crioulas de bunda de fora e rebolado indecente sapateavam feito criança com formiga-fogo no pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguçou os ouvidos, afinou a vista o quanto pôde e não quiz acreditar no que via: sapos e grilos aos montes, pássaros às toneladas, bípedes e quadrúpedes sem conta vinham evoluindo mata afora, numa compacta e perfeita formação, qual magistral Escola de Samba.&lt;br /&gt;Os sapos eram cuícas, os grilos imitavam reco-recos e tamborins e a passarada cuidava de quase todo o resto, com os cabritos, bois, cavalos e até veados fazendo a marcação, do tarol ao surdão. Os galináceos todos, do galo ao peru, entraram também na dança, sob a direção dos papagaios, os maiores imitadores sonoros que a Natureza criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E passaram pelo nariz do incrédulo "Mané-Chêra", boquiaberto de espanto, dando todos sonoras gargalhadas, numa zoada mais parecendo o crepitar do fogo em madeira sêca. Logo atrás, confundindo-se com o som da bicharada, um inacreditável exército de cupins gigantes zunia em direção a êle (e a sua casa) com olhares famintos.&lt;br /&gt;Uma nuvem negra de asas ruidosas cobriu-lhe a visão, sentiu o corpo ferver de calor pelas picadas mas estava pesado demais para levantar-se. Viu de relance sua bela casinha esboroar-se no chão, esfarelada pelos insetos e um sinal de alerta vibrou em seu cérebro, pois seus filhinhos e a cara-metade estavam sob os escombros dela.&lt;br /&gt;...............................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou sobressaltado e o suor congelou-se no rosto crispado com o que viu. Sua casa e tudo o que nela continha ardia já quase só nas cinzas, os esteios negros de fumo apontando os céus, o estalar das labaredas nos restos de palha sêca do que fôra o teto.O cheiro de carne queimada fê-lo adivinhar a derradeira desgraça, o último pesadelo... e "Mané-Chêra" desmaiou ante o impacto daquela estúpida realidade, diante da extensão do seu infortúnio.&lt;br /&gt;Dizem que acordou louco, ouvindo a floresta inteira gargalhar pelo resto de seus dias. Só que êle sabia bem de quem eram aquelas risadas !                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Publicado na coluna "Espaço Aberto" do jornal DIÁRIO DO PARÁ, de Belém, em 14 de maio de 1988, graças ao incentivo do jornalista e ator Cleodon Gondim, a quem agradeço demais o apoio recebido.)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-2249627614297229423?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/2249627614297229423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-ultimo-pesadelo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/2249627614297229423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/2249627614297229423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-ultimo-pesadelo.html' title='O ÚLTIMO PESADELO'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIitlpDc-I/AAAAAAAAACw/lTvm3ok0NBc/s72-c/vigia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-6346664991571510749</id><published>2009-04-19T12:36:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T12:41:56.595-07:00</updated><title type='text'>SOLUÇÃO CRIATIVA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;SOLUÇÃO CRIATIVA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, o Céu estava uma bagunça... quase tudo fora do lugar, lixo por toda parte, poluição, o "escambau". Tinha até uns evangélicos "et similibus" logo alí que sempre fôra um clube exclusivamente para católicos apostólicos romanos.&lt;br /&gt;O diabo é que Deus, com seu infinito poder, não conseguia acabar com aquilo sozinho pois iria ferir susceptibilidades, as diversas áreas de influência de santos e anjos obedeciam a outros comandos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior: seu dileto Filho vivera um bom tempo lá na Terra só com a gentalha e adquirira gestos &amp; hábitos meio libertários, de esquerda, reacionários e isso influenciara um bocado de santos por ali. &lt;br /&gt;O Senhor dos Céus (e da Terra) intimou São Pedro a tirar essa pedra do seu caminho matinal, exigiu que o dono das chaves dos portões celestiais desse um fim naquela baderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos sabem -- só quem já morreu! -- que o Céu tem duas portas; os que vêm do Purgatótir, depois de penarem uma eternidade, entram pelos fundos. Era justamente essa "galera", que merecia estar no Inferno, quem tratava os verdes campos celestes como um clubeco de subúrbio. &lt;br /&gt;São Pedro coçou a lustrosa careca, alisou a barba rala e, de estalo, lembrou do único sujeito capaz de "quebrar aquele galho", mandando um anjo desocupado chamar o "Bené":&lt;br /&gt;-- "Meu caro São Benedito... o Deus dos Exércitos incumbiu-o de limpar a área, driblar todos os problemas, ir ao ataque contra a sujeira, vencer a desordem ee a baderna e, em dois tempos, levar-Lhe um resultado positivo. Caso contrário, sua alama volta à Terra como um vira-lata de caboclo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"-- "D'xá c'migo, ô da portaria. Vou "bater uma bola" com as bases, "dar um toque na rapêizi" e resolver essa "parada", meu camarada"! &lt;br /&gt;Lá se foi o negro magrinho balançando o esqueleto e pensando como poderia "descascar aquele abacaxi", se sair bem daquela "bananosa". &lt;br /&gt;A situação era embaraçosa, tinha muito santo de renome e sobrenome, êle era do andar de baixo da categoria e não podia "entrar de sola" pois iria se machucar, mas se ficasse na defensiva o placar final ser-lhe-ía desfavorável. Voltar para a divisão inferior, nem pensar... sofrera que nem cachorro (êpa!) lá embaixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou do comêço: os santos e anjos limpinhos e engomadinhos foram situados próximo do rotineiro caminho do passeio matinal do Altíssimo, as caras angelicais e o olhar enlevado para honra e glória de Jeovah.&lt;br /&gt;O esperto "Bené" deu um sumiço no pessoal do 2º time, os barbados e desleixados, com trajes adquiridos em "brechó" barato, a tal ponto que as plagas celestes voltaram a ser "um brinco", sem uma toiça de grama fora do lugar e nem aquelas "peladas" indecentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A santíssima Nossa Senhora, que tinha uma "caída" suspeita pelo pretinho --- afinal, seu beato marido José era quase daquela côr -- veio dengosa e charmosa perguntar ao santinho afroeuropeu ( a pedido secreto de São Pedro) como êle havia resolvido a questão.&lt;br /&gt;São Benedito não se fez de rogado e conduziu a Virgem-Mãe até um atalho, com uma placa indicativa. Nela, os seguintes dizeres: &lt;br /&gt;"Visite o CANTINHO HIPPIE a 500 metros... mantenha-se à esquerda e boa viagem".&lt;br /&gt;Enfim, o restante do Céu estava à salvo !                                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          &lt;strong&gt;"NATO" AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-6346664991571510749?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/6346664991571510749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/solucao-criativa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6346664991571510749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6346664991571510749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/solucao-criativa.html' title='SOLUÇÃO CRIATIVA'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-969179989276886402</id><published>2009-04-19T12:26:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T12:36:16.170-07:00</updated><title type='text'>MANCHETE FATAL</title><content type='html'>&lt;strong&gt; MANCHETE FATAL  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planejara tudo nos mínimos detalhes... aliás, nos três últimos meses não fazia outra coisa senão calcular item por ítem, dado por dado como se fôra jogador profissional de cassino, a pensar cada lance e cada passo. Na hora certa, agiria qual detetive d novela policial, silencioso e sem deixar rastro, perfeito em cada gesto, invisível até para os mais próximos.&lt;br /&gt;Hermenegildo (com H, por favor!) era um tipo circunspecto, já avançado nos anos, de mia idade diriam as más línguas, sempre d terno escuro, gravata surrada e com o inseparável guarda-chuva de cabo de madrepérola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma figura machadiana, complementando à perfeição o ambiente de Rio antigo do que ainda resta de casario do princípio do século 20 nas redondezas do bairro do Catete.&lt;br /&gt;Instalara-se "há séculos" num sobradão de poucos andares, no 2º pavimento, num prédio tingido de cinza pelo suor do Tempo, em forma de enorme U, com um grande pátio interno, silenciosa testemunha de fofocas entre varais de roupa, entreveros, com latões de lixo e seus visitantes noturnos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hermenegildo (com H, por favor!) amealhara pequena fortuna enquanto contador ciente de suas qualidades, de boa e fiel clientela e o cofrezinho num canto do vetusto armário comprovava parte de sua rendosa trajetória.&lt;br /&gt;Apenas 2 anos antes o amor batera à sua porta e, como uma andorinha só não faz verão, o enferrujado coração aquiesceu aos arrulhos daquela voluptuosa "pombinha" morena, pecado de mulher morando ao lado ou, mais exatamente, no apartamento 23, produto mais que perfeito da miscigenação de quantas raças tenham aportado na ex-Terra de Vera Cruz. Provocava ela na macharia tantos ou mais clichês e chavões que os deste modesto conto: "uva", pedaço de mau caminho, "avião", tesouro, nora que mamãe pediu a Deus, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra Rosa Madalena era daqueles "petiscos" que nenhum "coroa" em sã consciência levaria para o sagrado recesso de um lar, mas o deslumbrado Hermenegildo (dane-se o H, filha!) Álvares de Assis deixou-se levar pela luxúria e pela ingênua crença de que seu rico dinheirinho compraria a fidelidade da sensual mulata.&lt;br /&gt;Ledo engano: bem pouco tempo depois que, discretamente, juntaram os trapinhos o sisudo e renomado doutor em contabilidade e a ex-babá (doutora em sacanagem), os sonhos do "Menê" -- assim lânguidamente ela o chamava, com voz d gata no cio -- foram para a vala comum dos projetos e ideais tachados com lamentoso bilhete... "ah, se arrependimento matasse"!                                           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal o "Hermê" saía peal porta da sala -- com o H e a honra tão diminuídos que já nem se os notava -- a fogosa morena "se mandava" pela porta da cozinha, ía "costurar prá fora",  " jogar água fora da bacia", se acabar nos dançarás vizinhos, cobiçada pelos cachaceiros de plantão.&lt;br /&gt;Marido traído é o último a saber e êle, que sequer casara com a "zinha", custou a crer quando soube. A bandida tinha tudo, do bom e do melhor, era-lhe tão difícil guardar-se só para êle?!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macho ferido nos brios, fabricou dia após dia a vingança, que só agora poria em prática, sem falhas nem èrros para poder continuar uma nova vida em São Paulo, livre e desimpedida como sempre fôra, antes daquela ordinária entrar nela.&lt;br /&gt;Sentado na ampla sala ornada de móveis antigos, ruminava o golpe de mestre que preparara a fim de castigar a perfídia da ingrata. A hora estava próxima, o dia (ou melhor, a noite) era aquela e a miserável nem sabia. Relembrou as constantes chacotas &amp; chalaças da vizinhança, os presentes que vez ou outra chegavam para sua cara-metade e o agora sofrível desempenho da fogosa flôr-da-lama nos raros momentos de "exercício conjugal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora da onça beber água, regosijava-se Hermenegildo, repassando cuidadosamente seus passos... desde meses antes quando se fizera sócio de um grande escritório de contabilidade no centro da capital paulista. &lt;br /&gt;Lá, quedava-se laborando frenéticamente de segunda a sexta, só regressando para os morenos braços da devassa "esposa" aos sábados... como o de ontem, especial, com jantar em restaurante chique a beira-mar e sessão de cinema (pornô, é claro!) em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O domingo surgiu resplandescente, bem carioca e o casal foi ao Shopping, onde "Menê" cobriu seu antigo amor de presentes, um mar de caixas e bolsas que afogaria com certeza a mais persistente das vaidades. As fofoqueiras de plantão no velho prédio emudeceram todas, roxas de inveja e engasgadas pelo despeito. &lt;br /&gt;O contador, olhar superior e um leve sorriso de môfa sob o bigodinho à la Clark Gable, deu por findo o 1º ato. Aproximava-se o momento do "Gran Finale".                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza cobriu de veludo negro a maravilhosa cidade, a noite prenunciava chuva e a indefectível novela global -- sobre uns italianos radicados em São Paulo, "tutti cosa nostra" -- em seus derradeiros capítulos avassalava corações &amp; mentes. Chuviscava forte quando êle bateu na porta do apartamento 21, pigarreando com exagerada energia somente para atrair a atenção dos moradores do 22, o que de fato conseguiu. Solicitou da senhora portugusa suas roupas, por ela lavadas e passadas com carinho. Despediu-se de todos com um leve aceno do chapéu, retornou ao lar no fim do corredor, beijando longamente Sandra Rosa Madalena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19,30h. Na rua, respirou fundo o ar molhado enquanto providencial "pé d'água" tamborilava sobre seu guarda-chuva. Solitário táxi o levou em poucos minutos ao Aeroporto Santos Dumont e, às 20 horas adentra ao saguão para os procedimentos de embarque, confirma presença na lista de passageiros da ponte aérea Rio/SP, movimenta-se bastante na sala de espera, mostra-se, preparando o álibi do crime mais que perfeito.&lt;br /&gt;Às 20,20h o avião pefixo AZ-AR 13 parte... mas sem Hermenegildo que, sorrateiramente, esgueirara-se jhunto ao alambrado logo que o grupo de passageiros dirigiu-se para o avião pronto na pista, uns 30 metros além. Voltou o mais discretamente possivel ao estacionamento do aeroporto, entrou no seu carro, rumando sem pressa de volta para sua casa. Alugara o automóvel em modesta "Rent a Car" do interior paulista com documento falso, que esse luxo vulgo computador permitia essa e outras "comodidades", mas destruiria o papelucho assim que devolvesse o carr. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21,15h. Êle, que não fumava a anos, tragou com volúpia um Hollywood, a marca do sucesso. O show, a partir de agora, não admitia erros. Deixou o modesto mas possante veículo a quadra e meia do sobradão, enterrou o chapéu de feltro quase até o nariz, vestiu a capa de chuva igual a dos mocinhos dos clássicos do cinema e dirigiu-se com extremo cuidado para os fundos do prédio. O pátio a céu aberto era um breu só !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21,25h. Lá estava a corda dupla que ligara à coluna da cristaleira de pinho maciço, bem junto à janela dos fundos. A novela estava no auge do drama lacrimogêneo, nem a Bomba H tirarias as beatas e "candinhas" da frente da "telinha". &lt;br /&gt;Subiu com imenso esforço ao 2º piso, luvas protegendo as mãos suaves da corda crua, o coração latejando no peito, um suor frio a porejar-lhe a testa.A sensual Sandrinha, esparramada no sofá, deu um grito de surpresas ao vê-lo surgir do nada na sala em penumbra, julgando ser um fantasma. &lt;br /&gt;Hermenegildo ignorou-a por instantes, indo fechar os cortinões de sda da enorme sacada, com vista para o pátio interno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21,35h. Sentou-se a seu lado, alisando seus belos cabelos de sereia. Incontinenti, jogou com ódio e violência sua cabeça para trás do sofá, ao mesmo tempo em que tapava o rosto dela com o almofadim, sufocando-a até a morte. &lt;br /&gt;Um prazer orgasmático tomou conta dele, sentiu-se qual valente garoto que dera cabo de uma sepente venenosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21,40h. Arrastou o inerte corpo até o quarto do casal, onde monstruoso armário Luís XV serviu de cadafalso para a infeliz defunta. Com uma corda no pescoço, o corpo foi guindado ao alto, a ponta oposta bem amarrada ao pé do guarda-vestidos de jacarandá. Um banquinho ao lado compunha tétrica cena de suicídio, sem bilhetes até porque a morenaça não dominava os meandros da escrita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21,45h. Hermenegildo foi ao banheiro, voltando de lá com um copo de urina que entornou sobre o roupão e as pernas a extinta. Devorar os romances da extensa coleção "Mistério Magazine Eleery Queen" de muito lhe servira nessa hora. Jogou o copo no lixo após desinfetá-lo, apagou a luz do quarto e desceu corda abaixo, recolhendo-a toda por um dos fios.&lt;br /&gt;..................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressou a toda velocidade para São Paulo, o veículo voando na madrugada vazia, a satisfação da obra-prima zoando em seu ego, enchendo-lhe o peito de glória e poder.&lt;br /&gt;O tênue sol paulista rasgava espaços entre a floresta de concreto e aço quando o extenuado Hermenegildo varou pelo Viaduto do Chá, doido por uma "média" com pão e manteiga que, pelo menos nisso, êle ainda era bem carioca. &lt;br /&gt;Estacionou na porta de um "pé sujo", barzinho chinfrin no coração da cidade que ´não pára e, enquanto saboreava um "pingado" (café com gotas de leite), surge à porta um menino jornaleiro, humilde na honrada pobreza, roupas rôtas e chinelo gasto, a vender palavras que tornam ainda mais ricos alguns poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um assobio Hermenegildo traz o garoto até si. Adquire a Folha e fica lívido ao ler a manchete fatal. estampada em letras garrafais:&lt;br /&gt;"NOVO ACIDENTE COM AVIÃO DA TAM -- AZ-AR 13 choca-se contra montanha -- nenhum sobrevivente". Relacionado entre os mortos seu belo nome.&lt;br /&gt;Largando a chícara com estardalhaço no balcão, o "defunto" saiu correndo rua abaixo, fora de si, praguejando contra Deus e o Mundo.                                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-969179989276886402?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/969179989276886402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/manchete-fatal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/969179989276886402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/969179989276886402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/manchete-fatal.html' title='MANCHETE FATAL'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-1657427582913440967</id><published>2009-04-19T12:16:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T12:24:10.868-07:00</updated><title type='text'>O "RABO" DO "TATU"</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O  "RABO"  DO  "TATU"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ramiscléin" era um produto típico da Amazônia, misto de índio e negro, estatura relativamente baixa, entroncado, de corpo atlético excessivamente bronzeado pela canícula regional.&lt;br /&gt;À primeira vista causava certa desconfiança no interlocutor, com algum tempo conquistava o afeto de quantos o conhecessem, pelo jeito descontraído e também por seu virtuosismo com a flauta de cano d'água (PVC), qualidade surpreendente até mesmo para a maioria dos nativos que o constante contato com a mãe-natureza transmutuva em artistas amadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visível ignorância do caboclo e sua incômoda humildade quase sempre iludem ao mais perspicaz citadino. Só muito tempo depois êle reconhecerá seu equívoco porém, até lá, o pobre miserável na visão do "invasor" leva uma bruta vantagem no jôgo de poder &amp; barganha que se estabelece entre os nascidos nas "selvas de pedra" e o filho legítimo da hiléia tropical. &lt;br /&gt;A história que se segue foi-me narrada por um amigo (e compadre) do flautista, mas como os motoristas, pescadores, caçadores -- que o ribeirinho também é! -- e caboclos em geral fazem parte daquela fauna para a qual fato e invenção são partes inseparáveis da mesma história, prefiro tratá-lacomo um mewro conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, me veio agora à lembrança o entrevero literário, pelos jornais de Belém, em fins da década de 90, entre um renomado professor e a jovem vencedora de um concurso cuja obra, um Diário ficcional, quebrava as barreiras entre crônica e conto, quase um sacrilégio segundo os puristas.&lt;br /&gt;Voltando à vaca fria, o Dr. Estefânio de tal era um tipo longilínio, alto, descarnado, "cabeça de ôvo" segundo os locais, empertigado e de ar superior, mais parecendo um maguari a pisar com relutância o lamaçal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sacrifícios vários adquirira uma nêsga de terra no interior da cidade de Vigia, no aprazível lugarejo paraoara denominado Itaporanga, numa transação altamente suspeita com um colombiano de passado obscuro. O "dotô Stéfio", como a caboclada o chamava, sequer fazia jus ao título porque mero ex-diretor de um escritório de representação comercial no Rio, onde amealhou o dinheirinho que lhe permitia hoje fingir-se de fazendeiro.&lt;br /&gt;O sítio era um esplendor, algo do outro mundo, 3 km X 150m de palmeiras frutíferas das mais variadas espécies, frutas regionais "di tuda inspécha i colidadi", como afirmava com orgulho seu confinante. No costume local o têrmo vizinho é usado como cumprimento ou saudação, quando se desconhece o nome de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados alguns meses "sua excelência" encasquetou com a idéia de construir um chalé ao lado da rodovia estadual,  na "cabeça" do terreno, já que a sede localizava-se no fim da gleba, às margens do riacho Itaporanga.&lt;br /&gt;O casarão surgiu em dois tempos, madeira de boa qualidade, "bangalô" com varanda e janelões, tudo "nos trinques" até que, num belo dia, começou a ruir o sonho do magnata de ser visto (e admirado, pensava êle!) por meia cidade, que circulava dia e noite pela estrada de asfalto. É que todas as paredes internas começaram a sumir, tábua após tábua a cada luar, sem deixar rastros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu conto terminaria aqui, como tantas estórias semelhantes, não fôra a luminosa idéia do Estefânio de contratar nosso amigo "Ramiscléin" como investigador particular, regiamente pago com mantimentos, fumo e até pólvora para seu vetusto trabuco artesanal.&lt;br /&gt;Caçador exímio, "paqueiro' de fama na região, êle não se fez de rogado... armou seu "mutá" no cimo da frondosa mangueira, tendo varado 3 ou 4 noites na tocaia, sem ter visto uma vírgula qualquer. Bastante determinado, voltou ao "barão" pedindo-lhe paciência e algum tempo mais, pois era época de chuva devido à saída da lua. "Adispois", tinha largado meia tarefa de roçado ao léu e aquilo era seu sustento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, "Ramiscléin" descobrira pegadas de tatu próximo da futura casa, bicho "porrudo" e não queria ver escapar a oportunidade (e o animal). Esse roedor, misto de coveiro e tartaruga, cava túneis sob troncos e grossas raízes onde vive e se esconde. Ao menor sinal de perigo entoca-se bem fundo, "recolhe" a cabeça e os membros mas deixa à mercê do inimigo o extenso rabo, sua perdição. Acuado pelos cães, ao caçador resta somente o arriscado trabalho de tatear buraco a dentro até topar com o rijo apêndice dorsal.&lt;br /&gt;Fôra uma noite feliz! Matara dois "coelhos" duma só cacetada... "Ramiscléin" exibia para o "patrão" o troféu antediluviano de olhos já vidrados e a notícia há tanto ansiada. Descobrira os ladrões ou, melhor, o modus operandi dos "lalaus" e mais o produto do roubo, que largaram às pressas no local do crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Êle até vira os 2 pilantras de relance, subindo à toda na carroceria de uma caminhonete.&lt;br /&gt;-- "Dotô Stéfio", sinhô nein magina... us desinfeliz passava as táuba di um troncu pôdri prá ortu mais avanti, fazeno ponti cum bucado delas. Daí, travessavam prucima i recuía tudu nortu ladu... entonces, num ficava rastu nein matu batidu !&lt;br /&gt;Recebeu efusivos cumprimentos da "doutorada" em peso, almoçou com toda a nobre família, preparou o ex-tatu ali mesmo no jardim sob os olhares recriminadores e lacrimosos do "baronato" in totum e partiu ao fim da tarde, com nova carga de mantimentos como prêmio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais sumiu um prego da nova construção, o "barão" pôde terminar o casarão sem sobressaltos e o polivalente "Ramiscléin", marceneiro/pedreiro como poucos no lugar, foi nomeado capataz com ótima paga e expressivas responsabilidades.&lt;br /&gt;Passado um bom tempo após a conclusão da obra, o dr. Estefânio ressentia-se da falta de seus instrumentos básicos como serrote e martelo "emprestados" pelo flautista, que não fazia menção de os devolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidido a recuperá-los a qualquer preço, certa manhã bem cedo rumou caminho afora até o barracão, trilhando reles fio de terra serpenteante entre moitas e monstros de galhos e folhas, pois a gente da terra parecia detestar linhas retas. Suava frio toda viagem, com pavor de picadas de cobra ou de escorpião, habitantes bastante comuns daquelas plagas, mas enfim chegou ao retirado local, sola pino.&lt;br /&gt;Deu de cara com um casebre que mal se mantinha em pé, a frente de velhas tábuas azuladas pela umidade da floresta e o vira-lata latindo esganiçado dentro dele. Evidentemente o dono não estava; fôra certamente para uma daquelas intermináveis pescarias, sem hora certa para acabar porque dependiam das marés. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maré é assunto sério na Amazônia e regula vida de pessoas, cidades e até de quem não depende dela.Estefânio circundou o barraco miserável até os fundos... e quase morreu do coração! As tábuas roubadas estavam todas ali, brilhando de novas, uma incongruência absurda naquele trastede casa. &lt;br /&gt;A raiva messiânica de Moisés ao pé do Sinai apossou-se dele. Respirou fundo, reuniu o pouco de coragem que ainda lhe restara e espiou pelas frestas da janela recém-feita para o interior da cozinha do patife. A mesa, cadeiras, prateleiras, chão e até a cama, divisórias e tudo o mais construídos com suas queridas tábuas, compradas a duras penas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve a nítida impressão que a floresta inteira ria dele, a caboclada toda borrando-se de tanto gargalhar. Voltou aos trancos e barrancos para o casarão, com a família cansada de esperá-lo já findando o almôço e anunciou, com um fio de voz e os olhos faiscando:&lt;br /&gt;-- "Nós vamos voltar para a capital amanhã mesmo... arrumem suas coisas e ai de quem der um pio"! &lt;br /&gt;Na mesma semana os jornais de Belém anunciaram a venda de maravilhoso sítio na cidade de Vigia, com rio, frutas e duas casas, tudo a preço de banana nanica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tristeza geral "Stéfio" nunca mais foi o mesmo e, sempre cabisbaixo, trazia indelével na memória a lembranaça da vaidade mortalmente ferida a pauladas, digo, a "taubadas" como comentava a patuléia com escárnio. &lt;br /&gt;Contudo, sua família jamais tomou conhecimento do vexaminoso episódio.                                                                             &lt;br /&gt;              &lt;strong&gt;"NATO" AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-1657427582913440967?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/1657427582913440967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-rabo-do-tatu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/1657427582913440967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/1657427582913440967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-rabo-do-tatu.html' title='O &quot;RABO&quot; DO &quot;TATU&quot;'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-6271468921032836110</id><published>2009-04-19T12:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T12:12:31.220-07:00</updated><title type='text'>CINEMA DE VANGUARDA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;CINEMA DE VANGUARDA  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a ditadura militar aprontava as primeiras "tomadas" do que se transformaria num longo filme de terror, o tal de cinema nacional tomava de assalto as bilheterias de quase todas as salas de exibição. Perseguindo o enorme sucesso que as extintas "chanchadas" da Atlântida conquistaram, as novas peliculas em cores de meados dos anos 70 primavam por muita correria, a pé ou em carros, alguma sacanagem quase explícita e diálogos quilométricos recheados de palavrões e têrmos cabeludos. Mas levavam público às salas, gente ávida por extravasar seus medos e uma libido super-reprimida fazendo muita algazarra, xingando uns aos outros e, vez ou outra, vaiando atores e estrelas que brilhavam na parede iluminada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florisvaldo era um desses assíduos frequentadores das poeirentas poltronas do Cine Jóia, descolorido prédio do mais modesto dos bairros da zona sul carioca, jovem complexado com seu próprio nome, insatisfeito com o mísero salário que findava antes do dia 15 ecom quase tudo o mais na vida. Sentado na sala escura, a mastigar nervosamente um saco de pipoca da sessão anterior, analisava preocupado seu investimento do momento. &lt;br /&gt;Recusara a diversão garantida dos filmes americanos de sacanagem pura, de sexo profundo e escandaloso, apenas para valorizar a produção nacional. Não gostaria de passar pelo vexame de um domingo anterior quando, ao exigir na gerência seu dinheiro de volta em meio à projeção, quase apanha do "lanterninha" e de uns desocupados que usavam o cinema para dormir ou mesmo transar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florisvaldo armara um escarcéu dos diabos na ante-sala, "botara a boca no trombone" protestando em altos brados contra torpe qualidade do filmeco "Asyllo muito loco", um verdadeiro assalto ao bolso do trabalhador, achando que o Cine Jóia tinha a obrigação de prevenir a todos sobre isso. Afinal, êle era "crienti" daquela espelunca... &lt;br /&gt;Sob vaias e assobios do público impaciente alguém ligou o projetor, com atraso como sempre e as imagens de uma típica família classe-média carioca encheram a telona, com a filha boazuda só de calcinha e a quarentona mãe com "rolinhos de bobs" nos fartos cabelos. A discussão matinal girava em torno da elegante "lulu" de ancestrais franceses, uma "poodle" branquinha que era o xodó de dona Amélia e filha.                                         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo Apolinário Neto, seu burocrático pai e o aposentado avô não morriam de amores pela esnobe e afrescalhada cadelinha, chata para comer e inútil como vigia, deitada eternamente em berço esplêndido (a cama da jovem Lúcia) ou no tapete da sala. "Liloca" ignorava olimpicamente todos êles! &lt;br /&gt;Enfim a família estava toda reunida... polemizando na mesa repleta de alimentos e líquidos sobre a última moda do mal-sucedido projeto da "socyalite", a madame "Nenê", matrona dos Apolinários e que decidira "degolar" o rabo de "Liloca", pois essa a derradeira palavra ("dernier cri") em moda internacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calças versus saias, os homens contra as mulheres da casa, batendo pé a favor da silenciosa (nem sempre !) cadela, que a tudo assistia sem entender patavina. Venceu o sexo frágil; afinal, dona Anésia era dona e senhora do inocente quadrúpede, que teve seu rabo decepado por outro animal de gestos delicados, voz melíflua e, dizem, alguns galhos na testa... num canil vizinho. &lt;br /&gt;Tristeza quase geral, principalmente da bichinha, qua passava os dias a olhar para trás à procura do apêndice perdido. Foram-se os anos (no filme) e vovô Apolinário, cavando entre as raízes de seu roseiral favorito, no belo jardim que cultivava, descobre estupefato que o rabinho ali enterrado transformara-se em peludas minhocas falantes, que latiam em francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imprensa brasileira, ávida por bobagens desse tipo, elege a família Apolinário manchete da semana, com as Rádios, as revistas e programas de TV de "gagás", "Gigis" e "Gugus" fazendo extensas entrevistas com os tres heróis e até com a cadelinha. &lt;br /&gt;O filme se encerra com o vovô da confus família num caixão, desencarnado por estafa ("stress", hoje!) das viagens com as extraordinárias minhocas por toda a Europa, o Japão e EUA.&lt;br /&gt;...........................................                                                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Puta que pariu, que merda! É mais uma daquelas bostas do tal cinema novo! Essa não... quero meu dinheiro de volta!", protesta exasperado Florisvaldo, espremendo os braços da poltrona, enquanto forçava com os pés a cadeira da frente. &lt;br /&gt;Amassou com raiva o saco com restos de pipoca velha, lançando-o à distância. Mas não teve tempo para mais nada; começara a segunda parte do suplício, que desgraça pouca é bobagem. Raciocinou que a "grana" do ingresso já estava perdida mesmo, iria suportar o purgante até o final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovô Apolinário chega aos céus, paraíso de filme tupiniquim com portão de papelão pintado e enfeites de cartolina dourada. Dá de cara com São Pedro e lhe apresenta seu currículo de belas obras, de caridades mil, de jejum, penitência e óbulos, de frequencia de missas, de novenas e de todo aquele "mise en scene" que faz a festa da Santa Madre Igreja. &lt;br /&gt;O porteiro celestial ignorou o papelório e disse ao anjo Hahassiah que puxasse no computador a ficha do candidatoàs plagas divinais. O rapaz de asinhas caídas (problemas no elástico da fantasia) apertou botões num enorme guarda-roupa tremeluzente de metal que, gemendo e guinchando, cuspiu uns cartõezinhos perfurados. Noutra máquina semelhante, São Pedro imprimiu o histórico terrestre do avô.&lt;br /&gt;-- "Bela ficha, seu Apolinário... jardineiro, funciuonário público aposentado, músico, escoteiro na juventude. Hahaiah, veja se tem vaga pro vovô numa dessas categorias aí, em qualquer dos cinco céus!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Ha, ha, ha, mestre... o sr. está sonhando? Nem no 6º céu, o dos padres e bispos -- que quase sempre não passam do purgatório -- tem mais vagas. O céu está completamente lotado!"&lt;br /&gt;-- "Hahahel, o que você sugere? O problema também é de vocês, pois são meus ajudantes!"&lt;br /&gt;-- "Nada feito, santo Apóstolo! O sétimo céu é dos serafins e querubins, dos potentados e principados. Esta nobre alma terá que aguardar até que surja uma vaga. Afinal, alguns arcanjos já foram expulsos daqui, no principio de tudo. Quem sabe o fato não se repete ?!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim o anjo Lehahiah teve brilhante idéia. Providenciou uma placa com os dizeres "PORTA DO CÉU - entrada - aguarde na fila" e deu para o vovô Apolinário segurar, dizendo:&lt;br /&gt;-- "Vai matando o tempo aí, velhinho, até chegar a sua vez. Afinal, quem não fazia nada lá embaixo não vai cansar aqui... depois, funcionário público sabe melhor que ninguém armar uma fila!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o filme foi se desbotando, se apagando, com uns dizeres que ninguém lê sobre as imagens, enquanto o resto da paciência de Florisvaldo desvanecia-se junto com a película. Levantou aos berros, clamando contra aquela "cachorrada" e pedindo o dinheiro de volta.   &lt;br /&gt;Nem chegou à metade do corredor... um segurança tipo armário embutido, cuja sombra dava dois dele, botou-o para fora do cinema aos safanões: &lt;br /&gt;-- "Sai prá lá, vira-lata ordinário! "Se manda" antes que eu te dê uma porrada. "Tá pensando que cinema é casa de caridade? Some já daqui, seu cachorro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Florisvaldo implorou aos céus que o transformassem naquele instante num mastim, doberman ou pastor alemão, para estraçalhar as canelas daquele brutamontes desgraçado. Cruzou a rua, noite alta já, a cuspir impropérios ao segurança, olhando de soslaio para trás para conferir se o "cavalo vestido" não o perseguia. &lt;br /&gt;Quiz o Destino que uma caminhonete, vindo em sentido contrário, jogasse violentamente Florisvaldo contra o macadame rijo e frio, que asfalto era privilégio só de algumas avenidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrebuchando nos estertores da morte, com o sangue quente tingindo o negro terno de "tergal" (não amarrota nem perde o vinco") adquirido no crediário da Maré Mansa, Florisvaldo ainda conseguiu ler no "baú" do veículo: "CARROCINHA DA PREFEITURA -- mantenha seu cão na corrente e vacine-o todos os anos".&lt;br /&gt;A família do falecido descobriu tempos depois, através de um amigo médium, que Florisvaldo reencarnara como um robusto e irado "pitbull", de dificil controle até pelos próprios donos.                                    &lt;br /&gt;               &lt;strong&gt;"NATO" AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-6271468921032836110?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/6271468921032836110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/cinema-de-vanguarda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6271468921032836110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6271468921032836110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/cinema-de-vanguarda.html' title='CINEMA DE VANGUARDA'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-5131849282635099579</id><published>2009-04-19T11:47:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T12:02:24.296-07:00</updated><title type='text'>O ETERNO COMBATE DOS VENCIDOS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O ETERNO COMBATE DOS VENCIDOS  &lt;/strong&gt;                                    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No imenso vale a circundar o palácio um mar de corpos jazia e, à distância, em muitos outros lugares e tempos a batalha pela Vida continuava, surda e persistentemente, pois os inimigos eram muitos, desconhecidos e cruéis, naqueles bravos tempos. &lt;br /&gt;Entre ondas sucessivas de corpos mutilados de todo tipo, com trajes retintos de sangue e rostos crispados de dor, o magnífico faraó caminhava impassível e o séquito de extasiantes donzelas em alvíssimas vestes lhe cobria os passos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À vista dele cessavam os gritos, os gemidos apagavam-se nas gargantas e reacendia-se nos corações a certeza de que só o Filho do Sol, que apenas o imortal Pshalou I poderia restituir a saúde a todos. &lt;br /&gt;Ali, no vale dos (semi)mortos, bastava um olhar da divina figura e muitos se veriam curados, sãos para toda vida, vivos, enfim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o imponente soberano, rosto granítico, olhar comedido a vasculhar a amplidão, vislumbrou ao longe o que procurava: seu jogral, alento de suas noites de insônia, remédio único para sua melancolia, néctar suave para seu coração amargurado.&lt;br /&gt;-- "Salve-me, Senhor, minha Arte é vossa vida"!, implorou o poeta real com os olhos, os braços estendidos em muda súplica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um breve aceno do Faraó as jovens conduziram Rayon para o templo de Osíris, cujo altar de gélido mármore se transformara em tábua de salvação para alguns ou porta de entrada para o reino das sombras. &lt;br /&gt;De costas para o céu, rigidamente amarrado e amordaçado, os esculápios do reino extirpam dele o que não pode mais ser salvo... a serra rudimentar a fazer o serviço, com o sangue incontível inundando tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos minutos finda a operação e o majestoso monarca, que a assistira com indisfarçável apreensão, não consegue reter as lágrimas.&lt;br /&gt;-- "Oh, Amon-Rá, eu vi: o Faraó chorou... por mim! Êle chorou por mim"! &lt;br /&gt;Rayon não poderia estar mais feliz. Recebera, a um só tempo, a dádiva da vida e de prèmio a amizade e a admiração de Pshalou I, sagradas pérolas em forma de lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, mutilados de todo tipo sustentavam (ainda) o eterno combate dos vencidos da Vida, aferrados tão-somente à esperança de salvação. &lt;br /&gt;                    &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO   &lt;/strong&gt;                                  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este conto é uma singela homenagem                                   &lt;br /&gt;a todos os que têm por função/profissão                                   &lt;br /&gt;lutar contra a Morte salvando vidas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;****************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Publicado no jornal DIÁRIO DO PARÁ, &lt;br /&gt;de Belém, em 4 de abril de 1991.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-5131849282635099579?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/5131849282635099579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-eterno-combate-dos-vencidos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5131849282635099579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5131849282635099579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-eterno-combate-dos-vencidos.html' title='O ETERNO COMBATE DOS VENCIDOS'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-5852851315743124473</id><published>2009-04-19T11:17:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T11:35:52.836-07:00</updated><title type='text'>A ÚLTIMA CEIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A  ÚLTIMA  CEIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nero acordou de mau humor... aliás, na verdade nem dormiu direito pois o vexame dado pelos seus leões na arena do Coliseum não lhe saíra da coroada cabeça. Havia algo de podre no reino da bicharada, as feras famintas e torturadas semanas a fio recusavam-se a devorar aqueles portentos negros, vestidos de gladiadores, que a bélica Roma trouxera como escravos junto com os reis dos animais. &lt;br /&gt;A divina figura do Imperador sentia-se ultrajada pela desobediência daqueles monstros dourados de olhos faiscantes e morte estampada na face peluda. Abaixo do céu todos cumpriam suas ordens... era preciso dar um basta naquela rebelião leonina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou chamar ao palácio deserto seu braço-direito, Tigelino, espécie de "pau" para toda obra e secretário particular do iracundo Imperador, que soltava fogo pelas ventas quando o ressabiado "Titi" acorreu ao "atrium". O "Filho de Marte" repousava entre almofadins numa poltrona de ouro maciço, saboreando belo cacho de uvas e sendo abanado por esplêndidas donzelas.&lt;br /&gt;-- "Meu querido, tu assististe a minha desgraça ontem, durante os jogos "Juvenais". A plebe ignara riu da minha augusta pessoa e até os malditos cristãos falaram em milagre daquele seu deus que ninguém vê nem sabe como é. Ou você, meu anjo, dá um fim nessa história ou dou um fim em ti... numa grande tigela de prata e em pedacinhos, que é para os meus "gatinhos de ouro" não se engasgarem. Agora, suma da minha presença!". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tigelino saiu às pressas, incomodado com o tratamento com que Nero o distinguia na presença das moçoilas, gesto que desenterrava do Passado os momentos de estranha intimidade que o delicado imperador exigira dele em outros tempos. (Oh, têmpora, oh, mores... clamavam os sacerdotes!)&lt;br /&gt;Foi procurar Calígula, na época chefe da guarda pretoriana e gerente do calabouço real, de onde se recrutava bandidos e escravos para servirem de diversão para o povo romano, cidadãos e plebe, e de pasto para os leões esfomeados. Encontrou-o atarefado e, com ar sério e compenetrado, disse-lhe:&lt;br /&gt;-- "Calígula, meu velho, trago-te ordem expressa de nosso magnífico Imperador, que não está nada satisfeito com o estranho jejum das feras africanas. Ou você resolve esse problema ou Nero ordena tua morte, o expurgo de todo a vossa descendência, além de queimar sua quinta, com os animais e a criadagem". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calígula estremeceu... a "Rainha Louca" -- como o populacho vil apelidara o imperador -- adorava uma "fogueirinha" e certamente cumpriria com prazer sua ameaça. Aquele doido era bem capaz de incendiar a cidade inteira, principalmente a barracaria de madeirame vagabundo da população mais pobre e que circundava os bairros nobres da Roma dos Césares.&lt;br /&gt;Felizmente, Calígula tinha um trunfo: um avantajado mouro, lotado na centúria de etíopes e gregos, lhe devia favores e era de tez escura, dado muito útil a seus futuros propósitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salafrárius atendeu ao som surdo da campainha de bronze de sua rústica porta. Um lacaio dos nobres entregou-lhe um rolinho de papiro com o sêlo imperial, que Calígula conseguira junto ao antigo "caso" de Sua Majestade, o Imperador. &lt;br /&gt;Leu no bilhete um convite para que fosse até a mansão de seu superior, a quem devia a vida, salva durante cruenta batalha contra os trácios, quando os romanos estavam em desvantagem. Despediu-se da família, deixou recomendações com a esposa lacrimosa e rumou, pensava, ao encontro da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheceu ao fim da conversa que, se não era a morte, a incumbência estava perto disso. Sob pena de perder a própria vida, de forma desonrosa, pendurado numa cruz e ainda desgraçar a família, Salafrárius deveria assumir-se como escravo africano e viver entre os demais cativos no calabouço do Coliseum. &lt;br /&gt;Ficaria lá até descobrir o segredo da negrada, o que fazia com que os leões os ignorassem na arena, mesmo com fome. Lutava contra o tempo e contra a desconfiança dos outros presos, já que fingira-se de mudo, pois não falava nenhum dos dialetos comuns à negraria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior: pouco entendia do manejo das armas dos gladiadores porque sempre lutara apenas com espada e escudo, quando muito com uma lança. Mas a vida de toda a sua família estava em jôgo, mais que a própria e êle nem sonhava em desistir. Ficou feliz ao reconhecer que as rezas, defumações e batuques que faziam toda noite (digo, a noite toda!) não os protegiam, nos treinos, de golpes mais rudes dos adversários. &lt;br /&gt;Pelo contrário, alguns só nçao se matavam ali mesmo porque os instrutores os impediam. Estava desfeito o boato geral de magia negra, de corpo fechado, de pacto com Gárgula, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe não seria o consumo exagerado de alho -- deglutiam o condimento tal qual os senadores degustavam uvas -- que, dando-lhes um hálito insuportável, dava-lhes também engenhosa proteção? Salafrárius descartou desanimado sua derradeira hipótese: afinal, o bafo daqueles quadrúpedes da família dos felídeos não era nenhum "sabor kolynos" e, ademais, suas vítimas não tinham tempo nem de abrir a boca. &lt;br /&gt;Era preciso observar como um gato, ficar à espreita como um felino e de ouvidos atentos, pois os negros convertidos já balbuciavam algumas frases da Vulgata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tênue luz solar que infriltava-se por entre as imundas grades da janelinha do porão infecto iluminou um Salafrárius à beira do desespero total, indormido, sujo, sufocado pelo odor nauseabundo de fezes e urina dos demais condenados. &lt;br /&gt;Contudo, os raios de sol da quarta manhã bordaram singela e tocante cena: a mãe negra a banhar seu molecote numa modesta tina, molhando-o repetidas vezes com o líquido multicôr de uma pequena botija. &lt;br /&gt;Aproximou-se comovido, lágrimas nos olhos, a relembrar a si mesmo em longínqua era e a seu lindo filhinho, a poucas quadras daquele inferno. Um cheiro forte, almiscarado, exalava da bacia de cedro, invadindo todo o ambiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Júpiter!, a matrona lavava sua cria com uma espécie de "môlho" onde sobressaía a pimenta, todas as pimentas do globo terrestre, as salsas, alho, arruda, manjericão, de tudo um pouco.Ao espantado Salafrárius, mais mudo do que nunca, a mãe preta explicou, tropeçando nas palavras do latim vulgar:&lt;br /&gt;-- "Misifio... acqua nostra porteges minínus contra mau-olhadus, as bestafera da nocte, serpêntis, hienas, us lôpus et tomém us leônibus. Yeh, acqua poderosa contra "numa"... saravá, oyá"! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuou cambaleante, prestes a ter um colapso cardíaco, o coração descompassado pela descoberta. Alí estava o segredo, estivera todo o tempo bem na sua frente, mas êle julgara aqueles "banhos" malucos mero capricho de um povo bárbaro, cuja evolução levaria séculos.&lt;br /&gt;Salafrárius gritou, esperneou, chacoalhou as grades até que a guarda pretoriana chamasse o centurião do dia. Tiraram-no da cela e, após faxina em regra, compareceu à presença de Calígula. Com dois dedos de prosa, este deu várias ordens, cumpridas à risca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A negralhada mudou de vida: banhos diários na Therma pública, boa comida com pouco tempêro e muitos doces, exercícios físicos que os fizessem suar bastante e purificar aquele sangue envenenado por tanto alho e pimentas. Por fim, promoveu-se com total sucesso um teste definitivo, usando um negrilho que limpava as estrebarias do palácio imperial. &lt;br /&gt;O ensaio foi algo do tipo "brincadeira de gato e rato" que causou gargalhadas gerais, mas sobrou muito pouco do "camundongo" para contar a história.Informado do êxito dos preparativos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nero autorizou emanar-se diversos Editos conclamando toda Roma para mais um tempo de festas e orgias, agora em homenagem ao deus Baco, com "panem et circensis"... e muitos leões novos. Antes, reunido seu "staff", "sugeriu" que cada homem tirasse uma barra de ouro de uma sacola de couro, todas elas numeradas. &lt;br /&gt;-- "Meus prestimosos e fiéis servidores... irão comigo ao Coliseum. Se acaso algo sair errado, já dei ordens à minha guarda pessoal para lançá-los aos leões, um a um, seguindo a numeração dos barrotes. Se os deuses bafejá-los com a sorte, façam bem proveito desse valioso presente !" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O domingo amanheceu deslumbrante, os cristãos desmancha-prazeres e sua lenga-lenga religiosa foram convenientemente afastados das cercanias do Coliseum. Os boatos tinham corrido de boca em boca e a ralé maltrapilha e desnutrida querianada menos que a cabeça da negrada que fôra tratada a pão-de-ló, vivendo no bem-bom nas últimas semanas.&lt;br /&gt;O povaréu da mãe-África estava petrificado de pavor, gemendo encolhido pelos cantos da masmorra fria, para onde havia sido transladado na noite anterior. Quando soaram as trombetas, foram empurrados aos magotes para a arena ensolarada, à chicotadas, enquanto a galera ensandecida urrava de satisfação nas arquibancadas, gritando... "Numa, Numa" !. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- "Numa, numa"!, repetiam aparvalhados os escravos logo abaixo, correndo feito baratas tontas para lugar algum, porque toda a arena estava coalhada de feras assassinas, ansiosas por estraçalhar alguém. Horror e prazer se misturavam num banquete de sangue e morte, dor e delírio, a catarse da plebe humilhada a vingar seu infortúnio na desgraça dos miseráveis africanos.&lt;br /&gt;Nero babava de contentamento e vaidade, com meia Roma desejando longa vida ao imperador e dando "vivas" à "divindade". Os leões vilipendiados vingaram o longo período de abstinência de seu prato predileto, devido ao detestável costume da "africanada" de banhar-se com a horrível pimenta brava. Agora, as carnes sabiam à pudim de uva, raro manjar a tanto tempo não saboreado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monumental leão apelidado pelo populacho de "Numa" refestelou-se sobre os restos de um escravo, a palitar os imensos dentes com os ossos do cadáver "semimorto", enquanto admirava lá no alto um gordinho rosado, com uma coroa de ouro sobre a volumosa testa, pensando "com seus botões" (?!) que o tal sujeitinho daria uma ótima sobremesa. &lt;br /&gt;De repente, os olhares de ambos se cruzaram e Nero, percebendo a má intenção do gato tamanho-família, empalideceu. Num lance de gênio, ergueu os braços pedindo silêncio e clamou à populaça:&lt;br /&gt;-- "Povo que me ama e venera, os leões são seus! Mooorte aos leõõões!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dilúvio de chinelos, cestos, espadas, lanças, pedras e até muletas sucedeu à permissão do imperador. Os leões saltavam como gatos em teto de zinco quente, mas em vão... foram mortos sem piedade, esmagados como baratas.&lt;br /&gt;A julgar pelo sorriso estampado na funérea cara de quase todos, embora tenha sido sua última refeição, parece ter realmente valido a pena.&lt;br /&gt;"AVE, CAESAR... MORITURI TE SALUTANT" !, teriam dito, se os animais falassem.&lt;br /&gt;                         &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************** &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ADENDO  AO TEXTO: como estamos de volta a novos tempos da Santa Inquisição, informo a quem interessar possa que os têrmos "negraria/negrada/negralhada e negrilho" foram extraídos do Dicionário Escolar da Língua Portuguesa (MEC, 1965) e que "africanada" é apenas um "neologismo" de uso popular.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;**************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-5852851315743124473?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/5852851315743124473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/ultima-ceia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5852851315743124473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5852851315743124473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/ultima-ceia.html' title='A ÚLTIMA CEIA'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-7075745830948484562</id><published>2009-04-19T11:10:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T13:55:50.742-07:00</updated><title type='text'>PAISAGEM AMAZÔNICA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfInSpiPFyI/AAAAAAAAADQ/_XsGLtMjwHg/s1600-h/casa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 237px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfInSpiPFyI/AAAAAAAAADQ/_XsGLtMjwHg/s320/casa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328364510473295650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; PAISAGEM  AMAZÔNICA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espremida entre a imensidão de floresta e água, a choupana de tabatinga parecia ao pescador ainda menor. Costelas de bambu à mostra, as paredes descarnadas confirmavam o prolongado abandono da palhoça à beira rio-rio, canelas finas de maçaranduba impedindo que o assoalho alto tocasse as águas da preamar. Na época da cheia lembrava mal e mal uma garça amarela, de pernas muito esticadas no último esforço para não molhar "os fundos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, tempo de verão, o casebre dormitava ao sol, espraiado sobre o areial piçarroso, tufos de capinzal aqui e ali, a hera invadindo-lhe o teto de cavacos de madeira enegrecidos pelos anos. Nela, um quadro a óleo retratava exatamente a paisagem lá fora, detalhe por detalhe, o minúsculo retângulo pontudo com boca, olhos e seis pernas encolhido entre monstros de fôlha e água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vulto, olhar triste, recordava o que fôra para êle aquela casa; sua vida, seu mundo, seu tudo. Os tempos de pequeno subindo com o auxílio da peconha -- espécie de anel de capim trançado pôsto entre os pés -- coqueiros de todo tamanho; os banhos pelado no rio com os primos (grandes já); a caçada aos caranguejos nas águas de março, cegando-os com mãozadas de lama que quase os pregavam no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, os bailes lá no Clube distante, a melhor roupa e o sapato protegidos num saco plástico, quilômetros e mais quilômetros a pé ou em bicicletas para uma noite de amor &amp; prazer, os olhos brilhantes de emoção ao ver as luzes coloridas do "sonóro" e aqueles aparelhos estranhos transformando os cantores dos radinhos de pilha em presenças impressionantes floresta a dentro, na madrugada. E como gostava de apreciar aquele motorzinho de luz a gasolina (puf, puf, puf!) dando vida a tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois cresceu e, bailes pra lá/bailes pra cá, a garota com quem dançava numa noite "dançou"... -- talvez já o tivesse feito com outros, não importa -- mas o pai  soube e ela foi morar com êle, ali naquela casa. Tiveram filhos naquela casa, que conviveram com seus primos também naquela casa, pois na Amazônia cada moradia é quase uma tribo, nela cabem todos os que tiverem a mínima ligação com a família... e Deus dá um jeito no resto ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, vindo da cidade grande, apareceu o dono das terras onde seus bisavós nasceram. Onde seus avós criaram seus pais o papel do branco disse que não era ali... e tudo acabou. Onde êle estava (e estivera antes mesmo de nascer) êle não devia estar e, portanto, não podia ficar. Não compreendeu bem aquele papel e nem os homens atrás dele e ficou... todos os seus se foram, nesse excesso de respeito de seu povo pelo estranho e que, às vezes, mais parece covardia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só êle ficou, mas não houve luta.&lt;br /&gt;Só êle ficou... e aqui está até hoje ! O vulto se vira´pra a janela e vê lá fora alguém saltar duma canoa em direção ao coqueiro à beira d"água, onde está tôsca cruz sobre montes de pedra e terra. Sabe que o nome que o pescador lê ali é o dele. &lt;br /&gt;Já a data é antiga, muito antiga !                                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;strong&gt; "NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;**********************************************************************&lt;br /&gt;(Publicado no jornal DIÁRIO DO PARÁ, de Belém, em 18/dez. de 1990)**********************************************************************&lt;br /&gt;OBS.: texto baseado em uma bela pintura que eu, jornaleiro em 1987/88, &lt;br /&gt;sempre via na casa de uma freguesa da rua WE 35, na C. Nova 4, &lt;br /&gt;bairro de Ananindeua, Pará.)*********************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-7075745830948484562?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/7075745830948484562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/paisagem-amazonica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7075745830948484562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7075745830948484562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/paisagem-amazonica.html' title='PAISAGEM AMAZÔNICA'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfInSpiPFyI/AAAAAAAAADQ/_XsGLtMjwHg/s72-c/casa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-206784815354567361</id><published>2009-04-19T11:02:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T16:59:19.899-07:00</updated><title type='text'>"BENÉ", O "DENTE DE OURO"</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfOjL0sytiI/AAAAAAAAADY/9rgmpwAjDaU/s1600-h/20.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 215px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfOjL0sytiI/AAAAAAAAADY/9rgmpwAjDaU/s320/20.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328782207629833762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foto/cortesia de ANÍBAL PILOT (Feira de São Cristovão, RIO, 1979)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"BENÉ",  O "DENTE DE OURO" &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amanuense Joaquim Silvério dos Reis andava sobressaltado; virava noites em claro imaginado os beleguins do Marquês de Barbacena a derrubar a maciça porta de cedro por ordem do sepótico governador, esquecido que, além de súditos de Portugal, êle e muitos dos brasileiros eram também descendentes de nossos patrícios.&lt;br /&gt;Joaquim Silvério devia já grande soma de impostos à Coroa e o tempo da derrama estava próximo. Seus escravos, alugados a bom preço na praça de Vila Rica, não estavam rendendo o suficiente e a extração de ouro na velha mina herdada da família resultava em produção a cada dia mais insignificante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desconfiança de que havia algo de podre no reino -- com mil perdôes, corrijo, na mina -- agigantou-se no íntimo do abastado funcionário público das Minas Gerais, até sombrear-lhe a cobiçosa alma, só satisfeita com o brilho do vil metal entre os macios dedos. &lt;br /&gt;Os escravos trazidos da Bahia vendera-os ao longo dos anos, pois os trastes só pensavam em danças e viviam cantando dia e noite. A maior parte vinha de lá doente, impresyável para o trabalho mais duro, escumalha que as províncias do Rio ou da Bahia teimavam em repassar para as regiões menos favorecidas.                                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De sua propriedade restara somente o crioulinho Benedito, o "Bené", resquício de um passado de fausto e prosperidade, quando a fazendola do velho Reis produzia nas senzalas o "ouro preto" que inundava a região, com iáiás sestrosas e bem cuidadas destinadas únicamente a procriar a mão-de-obra escrava que sustentaria a enorme riqueza da província.&lt;br /&gt;Dos valiosos ventres saíam centenas de Beneditos e Franciscas, de Beneditas e Franciscos, "erês" de calça ou saia batizados pela Santa Madre Igreja, que os queria escravos mas jamais pagãos... porque isso seria pecado! Ao "Deus dará" o "caxinguelê" "Bené" cresceu na fazenda, girando em torno do tacho fervente de caldo de cana e provando, aqui e ali às escondidas, nacos de rapadura que em pouco tempo lhe estragariam os alvos dentes, cavando "panelas" nas "canjicas" do fundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escravo jovem não ía para o pelourinho, que inutilizava por bom período a mercadoria e as máscaras de folha-de-flandres eram muito grandes para aquela cabecinha. Mesmo assim "Bené" andou experimentando a sala de torturas da fazenda, para aprender a não comer porcarias, pois os dentes perfeitos valorizavam a peça na hora da revenda.&lt;br /&gt;Quando os barões mudaram-se para a cidade, com malas e criadagem, o tratamento aos escravos se modificou, porque não era ato cristão e nem de bom tom torturar "nossos irmãos de côr", conforme aqueles letrados de meia tigela divulgavam em panfletos e pasquins, a partir de textos franceses, isso porque tinham boa vida e não precisavam trabalhar, filhos que eram de abastados reinóis com posição e posses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contendo suas despesas, o próprio Silvério encarregou-se de vigiar o trabalho escravo na mina fétida, a poeira escura a invadir-lhe os pulmões, com a eterna umidade germinando nele florida tuberculose. Só ao jovem e sorridente "Bené" era permitido entrar na sombria caverna trazendo, de quando em quando, supimpa lanche para o patrão e reles "água de batata" com nacos de pão para os poucos serviçais que marretavam, nús como nasceram, as paredes daquele "mausoléu".&lt;br /&gt;Numa algazarra geral, com uma gritaria ensurdecedora largavam às pressas suas picaretas e avançavam sobre o espantado menino com a enorme bandeja de pão e um balde de líquido doce e colorido. A parede humana escondia virtualmente o rapazinho, que sumia entre braços e peitos suarentos. Essa rotina se repetiria, dia após dia, por mais quatro ou cinco anos, sem que Dom "Quinzinho" suspeitasse como suas adoradase valiosas pepitas de ouro puro, seus minúsculos "grãos de felicidade" escoavam-se de sua fortuna diante de seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escravos alugados, entre tantos outros, reuniam-se à noitinha num local êrmo e, juntando suas economias, promoveriam adiante a compra da liberdade de um deles, mediante sorteio, os mais velhos primeiro. "Bené" também participava, trazendo sempre consigo a imagem de São Jorge Guerreiro, muito venerado entre êles. &lt;br /&gt;Depois das preces e sob os olhares curiosos da escravaria, o garoto raspava a argila mole sob a cauda do dragão e de lá retirava 4 ou 6 bolinhas douradas, debaixo dos aplausos frenéticos da galera.                                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era durante os raros momentos de lanche na mina que os africanos, adrdemente combinados, contrabandeavam o ouro que os libertaria, na única forma de escravidão que permitiu ao cativo, desde seus primeiros dias, comprar a própria liberdade.&lt;br /&gt;Enquanto a parede humana fechava-se sobre o moleque dois negros, apenas dois, entregavam-lhe as diminutas esferas que eram então colocadas nos buracos dos molares cariados, recorbertas em seguida com fina camada de argila, "recompondo" os dentes, E assim, por semanas, meses e anos, "Bené Dente de Ouro" ajudou a salvar inúmeros irmãos de infortúnio, apesar da revista que o patrão fazia nas vestes e na boca mal-cheirosa do moleque sempre feliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim Silvério dos Reis viu-se obrigado a inglório acordo com o cruel Governador, cujos espiões o informaram que Dom "Quinzinho" fazia parte das reuniões daqueles poetas baderneiros subversivos. Não pôde negar a acusação mas alegou que o fez para informar-se do plano total, que pretendia mais tarde comunicar á Sua Excelência.&lt;br /&gt;Na verdade, Silvério participava por precaução pois, caso a revolução vingasse, não queria ser perseguido como escravocrata. &lt;br /&gt;Logo, contribuía  com alguns trocados para sustentar aquela panfletagem desvairada e colaborar nas despesas de viagem de seu "xará", alferes saca-molas sempre de boticão à vista e que vivia a cavalgar de Minas para a Côrte ou no trajeto inverso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na situação em que se achava, não lhe restava alternativa: entregar os rebelados todos ou entregar sua cabeça ao nó da fôrca, perdendo casa, bens e a enxovalhada honra, confiscados pelo despotismo português no auge de sua prepotência. Sendo assim, não hesitou... admitiu fazer uma pequena &lt;strong&gt;inconfidência &lt;/strong&gt;à suprema autoridade, desde que seu infame ato ficasse entre 4 ou 40 paredes, pois o palácio era imenso.&lt;br /&gt;Entregou todos, "dedurou" um por um, acrescentou nomes de inocentes concorrentes cujas minas competiam com a sua e saiu, leve e saltitante, que aquela corja de "ratos de biblioteca" nada tinham com êle, só viviam de escrever e poetar, ambas coisas inúteis já que pouca gente sabia ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o destino não lhe daria tempo para vangloriar-se do feito. O povo enfurecido apedrejou sua mansão e uma língua viperina, só por vingança, desvendou-lhe o mistério mais temido. Seu fiel escravo Benedito era o ladrão que o enganara todos aqueles anos, surripiando onças e arrobas de ouro do mais puro quilate durante o longo período. &lt;br /&gt;A ira de todos os demônios apossou-se de Joaquim Silvério dos Reis que, na calada da noite, arrastou o indefeso "Bené" amordaçado para a solitária mina, torturando-o até a morte. Esquartejou-o, podando seus membros nas juntas e a cabeça de olhos esbugalhados terminou fincada em haste de metal na praça central da cidade, posando espantada ao lado do tronco decepado, qual peru de Natal gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pendurado ao côto de pescoço uma placa de papelão, rabiscada com os sizeres "traidor do patrão".Desolação geral entre a negraria, com toda a Vila Rica em polvorosa por conta do hediondo crime. Ninguém ignorava o nome do autor que, abandonando tudo, "deu às vilas diogo", escafedeu-se, "sumiu do mapa". &lt;br /&gt;Querido por todos, Benedito teve o mais africano dos enterros. A confraria dos libertos por êle decidiu naquela noite mesmo declará-lo santo, iniciando a construção de uma capelinha em sua homenagem já na manhã seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Santa Madre Igreja protestou com veemência... "Bené Dente de Ouro" não era propriamente cristão, não fizera a primeira comunhão nem sequer fôra crismado, apenas o batizaram. Não poderia portanto ser santificado, mesmo porque com esse nome já havia outro, beatificado pelo Santo Papa em Roma.&lt;br /&gt;Os negros ignoraram qualquer argumento, deram às costas para o santinho "lá das Oropa" e, logo que findou a construção da capelinha, entronizaram a imagem em tamanho natural do brasileiríssimo São Benedito, com a cara e o sorriso do "Bené Dente de Ouro", um pedaço de rapadura numa das mãos e as preciosas pepitas na outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Irmandade de São Benedito dos Negros Fôrros cresceu com o tempo, ampliou-se, criou filiais em várias capitais e luta agora junto ao Vaticano para que o Santo Benedito dos brancos adote outro nome, seu sobrenome talvez, para não atrapalhar a fama e a carreira de milagres do "xará" tupiniquim.&lt;br /&gt;-- "E viva São Benedito"!                                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-206784815354567361?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/206784815354567361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/bene-o-dente-de-ouro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/206784815354567361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/206784815354567361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/bene-o-dente-de-ouro.html' title='&quot;BENÉ&quot;, O &quot;DENTE DE OURO&quot;'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfOjL0sytiI/AAAAAAAAADY/9rgmpwAjDaU/s72-c/20.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-2582078272223660718</id><published>2009-04-18T17:55:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T18:02:49.382-07:00</updated><title type='text'>O OLHAR PENETRANTE DA NOITE</title><content type='html'>&lt;strong&gt; O OLHAR PENETRANTE DA NOITE &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz um ditado popular que  "de noite, todos os gatos são pardos". Isso, claro, quando se fala de madrugadas em cidades ou mesmo vilas de alguma forma iluminadas. A noite na floresta -- e numa selva onde até em pleno dia mal se vislumbra uma nesga de céu -- é um mar de enganos, no qual gatos e tudo o mais "somem" ou se transformam em "espíritos" a assombrar mortos e vivos.&lt;br /&gt;O "silêncio da noite na floresta" é só mais um dos muitos equívocos que encontramos nos livros escolares ou em obras de quem nunca se deparou com a necessidade de passar longas (e tenebrosas) horas sem enxergar mais que alguns palmos além do nariz, ouvindo por todos os lados a algaravia "ensurdecedora" de vozes, gritos e sussurros de seres noturnos cujas formas a gente sequer imagina quais sejam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na selva amazônica, mesmo devastada e já sem o antigo esplendor, a mata tem corpo, tem garras, hálito gelado e olhos horripilantes, hipnóticos, que atraem. Toca sua nuca com seus dedos gosmentos, enquanto bafeja pragas em seu ouvido, preparando o espírito do invasor para os terrores que o aguardam a cada instante e a cada passo.&lt;br /&gt;Com seu poder de fada maligna transmuta velhos galhos apodrecidos em serpentes semoventes, o canto do bacurau em aviso de mau agouro, o pio da "rasga-mortalha" em epitáfio sonoro para aquele que a terra e seus vermes hão de comer.&lt;br /&gt;Agindo bem orquestrados sob as ordens da Noite, mãe e protetora, tudo se une contra quem invade seus domínios: víboras e escorpiões sob as folhas secas no chão, espinheiros venenosos com suas cobras à meia altura, além de morcegos, carapanãs, maruíns, varejeiras e demais seres alados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Çandrowall dizia que a noite tem olhos, olhar profundo e ameaçador, que era preciso pedir licença para adentrar seu reino, penetrar em sua casa. Porém, Çandrowall não era como os demais caboclos da redondeza, tinha medo da noite e pro isso via coisas onde ninguém via nada. Fôra criado na barra da saia da mãe, único filho homem entre tantas mulheres e lhe coube por destino cuidar da velha, quando esta nem velha era.E foi ficando... rodando como pinto novo entre panelas e afazeres bem femininos, enquanto suas irmãs preparavam-se para procriarem, treinando desde "gititas", ocultas entre a imensidão de mata e sob a vista descuidada de micos, lebres e passarinhos. &lt;br /&gt;E foi ficando... cercado de preocupações caseiras, enquanto machos iguais a êle dedicavam-se a caçar vez ou outra, a pescar quase sempre, dividindo as semanas do ano com ruidosas "peladas" dominicais regadas a muito "goró", "mé", "branquinha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, se a vida pacata o diminuía perante os demais, o livrava de picadas de mosquitos e de serpentes peçonhentas durante as vigílias nas trilhas das caças, a fome atroz amenizada com farinha e fumo, além do calor infernal, ainda maior após a "meia hora". Cuidar da casa também o salvava do terrível reumatismo mais adiante, herança de dias inteiros de pescaria "na montaria" alagada, os dedos dos pés "ingilhadus" após tantas horas "nadando" em água fria. &lt;br /&gt;Bellinda, irmã mais velha de Çandrowall, era mulher de muitos homens, com 3 filhos de 4 pais, pois nem ela sabia ao certo quem fizera o menorzinho. Xodó maior do irmão, que sempre lhe dedicava a melhor parte do bôlo de tapioca, a primeira cuia de tacacá, o suco mais grosso da bacaba, Bellinda se transformara no tormento noturno do caboclo, algoz de seus sonhos mais lúbricos, terror de muitas noites insone.Em outros cantos, em outras tantas casas as coisas eram mais fáceis e quase todos se iniciavam com os parentes mais próximos, sobrinhas com os tios mais velhos, primas com primos até, quando o apelo animal se tornava avassalador e irresistível... "que mulher nasceu prá isso mesmo".                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, Çandrowall era tímido demais para passos tão ousados e, consumido pelo desejo não concretizado, foi-se desmilinguindo,  emagrecendo a olhos vistos, mais parecia um peixe subnutrido. Se já não fazia bela figura, desengonçado e branquelo em meio a homenzarrões tostados de sol, esquálido seu rosto ossudo e anguloso destacava o ridículo bigodinho à la Hiltler.&lt;br /&gt;Não mais saía de casa, escondendo-se no paiol  sempre que a idosa mãe recebia visitas. Seus devaneios com o corpo da mana se acentuaram e, quando foi morar sozinha nos confins do terreno da família, Çandrowall arrumava pretextos para visitá-la. Acostumara-se, nos tempos em que dormia ao lado da sensual morena índia, a ir para o quintal coberto de sombras durante a madrugada, sempre que o corpo, torturado por desejos insanos, apontava seu apêndice entumescido para a fonte de seus anseios mais profundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, dialogando em pensamento com a Noite, desfilando seu rosário de queixumes, confessando-lhe as mais secretas frustrações, foi vislumbrando nela a amiga, a companheira de solidão, a ouvinte ideal. Por fim, o olhar penetrante da Noite, lascivo e irresistível como o de Bellinda, acabou por cativá-lo. Sentiu o calor de seu manto negro aquecer as entranhas, seus dedos gelados causando-lhe calafrios de prazer e, ouvindo repetidas vezes seu chamado, acabou acedendo a seu silencioso convite.&lt;br /&gt;Com o melhor vestido de Bellinda num saco plástico e uma considerável dose de coragem que nunca antes tivera, Çandrowall penetrou com respeito e receio no corpo da Noite, tateando cada centímetro daquela pele verde-negra e avançando ofegante até o âmago daquela massa escura e folhosa.                                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Noite gemia e arfava, sussurrava adjetivos de incentivo e gritava advérbios de prazer. Çandrowall  embranhava-se seduzido e delirante por entre as artérias vegetais, até que topou com a alma da Noite, nua em pêlo a seus pés, seios macios e tesos como os de Bellinda, o colo lindo e sedoso como o dela, as nádegas salientes e latejantes como eram as de Bellinda, quando êle a "brechava" (1) em pleno banho, "tardezinhas".&lt;br /&gt;Recobriu a Noite com vestido da irmã, que lhe coube como luva e deitou-se sobre seu belo corpo como um cão no cio, copulando enlouquecido repetidas vezes, o vestido de Bellinda a encharcar de sêmen há tanto tempo represeado. Quando deu por si, diversos olhos famintos e aterradores o fitavam com ar de silenciosa reprovação, seres das trevas a mirar severos o animal-homem. O medo invadiu-lhe o corpo enfraquecido e Çandrowall subiu espavorido na primeira árvore que encontrou, tremendo feito palma ao vento entre o cipoal que enlaçava a frondosa planta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Noite, serena e fria, de olhar distante e semblante triste, afastou-se dele, sumindo na bruma da madrugada. O vilarejo amanheceu em polvorosa, com a velha mãe agitada com a ausência do filho. Fôra bem cedo à casa de Belllinda mas seu irmão não passara a noite anterior lá.&lt;br /&gt;Os confinantes todos e os parentes das redondezas foram alertados, pois Çandrowall jamais dormira um só dia fora de casa. Quem ía para o roçado era avisado, bem como os barqueiros, pescadores e os que levavam produtos para vender lá na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toparam com Çandrowall à tardinha, balançando desnudo dependurado a um grosso galho de enorme mangueira, com um palmo de língua azulada, os olhos esbugalhados pela presença da morte, a rude embira enrolada no frágil pescoço como imensa sucuriju esverdeada.&lt;br /&gt;Logo abaixo do cadáver, um belo vestido cobria tronco podre, em tudo semelhante ao corpo de esguia donzela.                                  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;strong&gt;"NATO" AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;OBS.: 1) "brechava" -- no linguajar amazônico -- quer dizer espiava, olhava escondido.     &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-2582078272223660718?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/2582078272223660718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-olhar-penetrante-da-noite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/2582078272223660718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/2582078272223660718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/o-olhar-penetrante-da-noite.html' title='O OLHAR PENETRANTE DA NOITE'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-7529305591131851441</id><published>2009-04-18T17:43:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T10:03:43.918-07:00</updated><title type='text'>REVELAÇÃO DO ANO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHw3ceDkAI/AAAAAAAAACg/n1PghzISg04/s1600-h/Digitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 258px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHw3ceDkAI/AAAAAAAAACg/n1PghzISg04/s320/Digitalizar0001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328304669481734146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;REVELAÇÃO DO ANO  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marceneiro José Abdias suava em bicas, mais atordoado pela fome e pelo palrar incessante do rapagão a seu lado, dileto e único filho da madame que contratara seus serviços.Já passava das 3 da tarde e o ralo "almoço" raspado da magra marmita de alumínio barato sumira em algum local entre as paredes do estômago e a sanfona intestinal. Aquele gôsto azedo de apetite mal satisfeito incomodava-lhe o fundo da garganta. &lt;br /&gt;Pediu mais água gelada à bela empregada curvilínea e de olhar sugestivo, porque o líquido aplacava por algum tempo a persistente e angustiante sensação de fome. Enquanto alisava pela décima vez as portas do móvel recém-construído, obra magistral de um perito em sua arte, ouvia mortificado a lenga-lenga do nutrido "pitboy" sobre a importância e o extremo valor de cada tela que enfeitava as pomposas paredes da sala de jantar do sofisticado apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheio de si, exibia ao humilde "Zé" o enigmático trabalho de um japonês com nome de zebu, cujo filho "zaponzito" devia ter derramado por acidente um bocado de tintas em cima do quadro. Daí, para não perder o pano, o pai de olhinhos puxados só fez dar pinceladas a torto e a direito. Agora, a estupenda, a magnífica obra de um tal de "prá ti nada" não tinha menor graça. &lt;br /&gt;Era um grupo de miseráveis esmolambados, braços e pernas defeituosos e uns "bacurizinhos" barrigudos e tristes. Só um rico doido para querer aquele "miserê" todo enfeitando (?!) a sua rica sala. Felizmente, o ruído de molho de chaves girando na fechadura da porta social deu ao pesado coração do marceneirro o ansiado alivio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona da "grana" estava de volta... em poucos minutos se veria livre daquele cenário de filme e, com os pés na terra --- estava no 18º andar de um "resort" de luxo em Ipanema -- poderia saborear o prazer de respirar o ar dos mortais comuns e endividados.&lt;br /&gt;--  Seu "Zé", meu anjo, você ainda está ai?! Pensei que já estivesse em casa!&lt;br /&gt;-- Pois é, madame, mas o doutor Anphilófio esqueceu de deixar a parte final do pagamento. A senhora sabe, "né", a gente "percisa"... as coisas estão pela hora da morte!&lt;br /&gt;-- Ah. meu Santo Antônio... o "Phil" só vem lá pela meia-noite e eu gastei todo meu dinheiro num vestido para a "soirèe" dançante na mansão do novo ministro, hoje à tarde! Passe amanhã, na hora do almoço, que eu deixo um lembrete para meu marido. Aproveite  e leve este presentinho para seus filhos: dois cofrinhos da caderneta de poupança RECOMPEX. Tem até uma moedinha dentro, fui eu que botei. Êles vão adorar ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Abdias mirou cabisbaixo as latinhas de papelão, se questionando se elas, na frigideira quente, se transformariam em salsichas. Pensou em pedir um cantinho do "mano zebu" ou, quem sabe, um braço torto do "prá ti nada"... pagariam um ano inteiro, pelo que valiam segundo o "filhinho de papai", do aluguel de seu barraco no Morro da Penitência e ainda sobrava uns trocados para comer bem até o natal e o ano novo.&lt;br /&gt;Quando o elevador de serviço parou na garagem, o ex-carpinteiro tinha decidido dar novo rumo a sua humilhante e decepcionante existência. Rasgou com indignação e ódio os cofrinhos, catando no chão oleoso os "trocados" que a ricaça pusera neles... e partiu célere para a papelaria mais próxima. Já noitinha, abriu a porta do barraco com rudeza e desabou na poltrona esburacada, as correias à mostra entre restos de espuma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ritinha e "Neco" acorreram, esperançosos de saborear novamente biscoitos ou tabletes de chocolate branco. Até o Drácula arrastou-se de debaixo da cama do casal e veio, latindo esganiçado, exigir suas balas de côco, o ápice do prazer."Zé" afastou sem cerimônia o vira-lata preto e ordenou, dirigindo-se ao casal de filhos, entre dez e doze anos: &lt;br /&gt;-- Seu pai mudou de ramo... de hoje em diante vai vender desenhos, os seus desenhos. Se fizerem porcaria vão comer papel; por isso, é bom capricharem. Agora, mãos à obra!"Neco" ameaçou protestar, aquilo não era atitude de um pai de verdade mas, ao examinar o semblante do "coroa", concluiu que o negócio era para valer.José Abdias lançou-lhes sobre as mãos nervosas cadernos de desenhos e modestas caixinhas de lapís de cera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quedaram estupefatos diante do universo em branco no qual teriam  que traçar doravante os rumos do próprio futuro. Um misto de ansiedade e pavor impediu-lhes de passar dos rabiscos. Coube ao pai, tão ansioso quanto as crianças, sugerir-lhes um caminho, uma vereda salvadora: retratar seu dia-a-dia na favela, na escola comunitária, na praia, igreja, na feira, etc. &lt;br /&gt;"Zé" preparou todo o "mis en scene" necessário para incorporar um artista da pintura, gênio ignorado e incompreendido, baseando-se nos "tipos" que os filhos universitários de tantas famílias esnobes faziam nas suas horas vagas, isto é, quase que o dia inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprou num belchior barato um camisão multicôr de turista americano e uma boinazinha "che guevara" surrada e descolorida. Grande bolsa "lee" e alpercatas franciscanas completaram a indumentária "rive gauche" do artesão da madeira que, frente ao espelho, decidiu cultivar a partir daquele momento um bigodinho de cantor de tangos. Estava pronto para a estréia !                               &lt;br /&gt;Na quinta-feira seguinte, seu dia de sorte segundo o horóscopo, embarcou num ônibus lotado para Copacabana, a Princesinha do Mar. Terra de pobre metido a rico, constataria logo nos primeiros instantes, assim que chegou à praça "dos paraíbas", na área central do bairro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meteu-se no mictório de um bar próximo e travestiu-se de pintor "carnavalesco" para gáudio da plebe ignara e de alguns "classe mérdia" que, pelo visto, nada entendiam de arte.&lt;br /&gt;-- O que é isso, meu camarada... meu sobrinho de 12 anos faz um troço bem melhor. Quinze reais por esse "treco"?! Não vale nem cinco!&lt;br /&gt;Definitivamente, Copacaban estava fora de cogitação. Era muita humilhação para êle! Ademais, as molduras artísticamente trabalhadas por suas mãos calosas valiam alguma coisa. Os garranchos dos seus pimpolhos podiam até não ter realmente nenhuma qualidade, mas se o que êle vira nas casas dos "barões" era arte, os filhos estavam no rumo certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se pirulitou" para Ipanema, lugar de rico metido a besta, justamente o que êle precisava, A Praça do Paz trouxe-lhe a calma que necessitava para pôr o ego ferido no pedestal antigo.&lt;br /&gt;Não demorou cinco minutos e, como pombos famintos, os transeuntes e frequentadores usuais dela aproximaram-se dos simplórios quadros. Rico entendido em arte faz caras e bocas, arqueia sobrancelhas, cheira a tela e até revista as costas da obra. José Abdias recebeu os primeiros elogios, informou os preços (é tudo um preço só, madame, prá não "trapaiá" nas conta), rabiscou um número de "telefone" qualquer para recados (depois arrumava um de verdade!) e garantiu que na manhã seguinte voltaria à Praça.                                   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendeu "sua" primeira obra e conseguiu o passaporte para a fama nos conselhos de um dos muitos desocupados que ocupam horas a fio os bancos das praças de qualquer grande núcleo urbano. O preço nos quadros era barato demais; os de cores mais suaves deviam ser mais caros; as molduras não podiam ser muito trabalhadas, que isso é coisa de índio; os desenhos pobres, mais primitivos, quase só rabiscos, êle definiria como "naif" e precisava urgente de um nome, bem curtinho, para assinar as telas. Obra sem assinatura não vale nada, nem de pintor genial.&lt;br /&gt;A fama de "Zé" Abdias estourou nos ares granfinos como milho de pipoca americana e, nos bares, sobre as areias da praia ou na verde grama do sofisticado Country Club "bonecas",  "peruas" e deslumbradas só citavam  a palavra mágica... JOAB ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A madame que fizera pouco caso dele e cujo marido somente achou tempo  -- dinheiro, êle tinha! -- uma semana depois para pagar-lhe o móvel feito sob encomenda, era agora a primeira a dizer-se sua amiga, exigindo a qualquer preço uma grande tela que ficará entre o abstracionismo futurista de Manabu Mabe e o hiperrealismo surrealista de Portinari. Seria a glória!&lt;br /&gt;JOAB estava em todas as bocas, mais cotado do que dólar em véspera de maxidesvalorização do real, mais procurado do que bacalhau português na Semana Santa. Saiu das praças para uma galeria de arte, largou o lápis de cera e a folha de caderno vagabundo para lidar só com pincéis, tinta inglesa e tela pronta comprada em loja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças não tinham do que reclamar: o "rango" melhorara, a geladeira vivia cheia, "Nico" ganhara o tão sonhado videogame e Ritinha podia dormir tranquila com sua enorme boneca "Mijona", enquanto sonhava com os anjos e com novos temas e cenas. O Morro desceu para a cidade... as imagens que ninguém queria ver ao vivo, transformadas em arte (?!) acabavam na casa (e na cara) dos ricos e abastados que, por estranha ironia do Destino, vivendo lá embaixo estavam no alto da escala social, ao contrário dos favelados.&lt;br /&gt;JOAB passou a dar palestras sobre "seu" estilo de pintar, sua visão de mundo, a filosofia frente à vida e o reflexo dela em sua obra para (imaginem só!) estudantes de artes visuais, que entendiam muito pouco da "ladainha" daquele gênio incompreendido. Foi citado no exterior, virou verbete nos dicionários de arte do Brasil inteiro e, por fim, fechou dezembro com o título de "Revelação do Ano", com polpuda soma em artísticos reais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ex-marceneiro José Abdias abdicou das glórias da arte em favor de um trabalho comunitário com a pivetada da favela onde vive até hoje, Criou uma ONG milionária com "grana" dos mafiosos italianos, contratando por boa paga jovens alunos de artes plásticas das universidades vizinhas para preparar novos talentos, que irão substituir seus filhos.&lt;br /&gt;Ritinha e "Nico" estão na Europa a estudos, "aprimorando-se" em pintura e desenho, embora não suportem mais nem ver um pincel na sua frente. A mãe, coitada, só se preocupa em saber quando será a próxima refeição dos filhos.  JOAB "locou" um enorme espaço na favela apenas para sua moderníssima marcenaria, trancada a sete chaves. Lá são feitas as artísticas molduras dos belos (ou nem tanto) quadros pintados pelos ex-drogados e assaltantes mirins, hoje recuperados pela magnífica obra comunitária sustentada pela ONG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exportadas para Roma e Madri, entre outras capitais européias, as telas fazem enorme sucesso... infelizmente, sem as molduras artesanais, incompreensívelmente jogadas no lixo, depois de cuidadosa desmontagem. &lt;br /&gt;Coisa de gente do Primeiro Mundo, com certeza!                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              &lt;strong&gt; "NATO" AZEVEDO   &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(NOTA DO AUTOR: a idéia central do texto foi baseadano relato de vida do marceneiro Abdias José dos Santos,in "O BISCATEIRO", editora Vozes, Rio/RJ, 1975)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-7529305591131851441?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/7529305591131851441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/revelacao-do-ano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7529305591131851441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7529305591131851441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/revelacao-do-ano.html' title='REVELAÇÃO DO ANO'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHw3ceDkAI/AAAAAAAAACg/n1PghzISg04/s72-c/Digitalizar0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-4871268816778925495</id><published>2009-04-18T17:28:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T17:40:50.929-07:00</updated><title type='text'>UM ASSASSINO EM POTENCIAL</title><content type='html'>&lt;strong&gt;UM ASSASSINO EM POTENCIAL &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esse texto foi escrito entre meados de 1969 e início de 1970 e só faz parte deste livro em razão do tema central, que tem tudo a vercom o espírito que norteia a presente obra.Hoje, eu não saberia explicar sequer o título,mas esse arremedo de conto vai impresso quase sem nenhuma correção, exceto pela substituição de alguns adjetivos e substantivos exageradamente repetidos e pela exclusão de vírgulas que atrapalhavam a leitura. Trata-se de minha primeira incursão pelo reino da Literatura e pode servir de parâmetro para avaliar meu progresso nessa área.&lt;/em&gt;                                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              &lt;strong&gt;UM  ASSASSINO EM POTENCIAL &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vizinha vila de Santa Maria -- modesta cidade industrial no sul do país -- o astro-rei iluminava o pequeno vale, em toda a sua extensão, realçando as vivas cores das graciosas casinhas que nele assentavam. A exata colocação delas em meio a floreados jardins e o belo colorido que possuíam davam ao verde vale as perfeitas carcterísticas de uma ondulada campina francesa ou, talvez, suiça. &lt;br /&gt;À sombra de escuras montanhas o vale, iluminado por um sol primaveril, possuía a feliz e tranquila aparência de um bebê, embora embalado por monstros descomunais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de hora tão matinal, o movimento nas estreitas e poeirentas ruas embora inusitado era, já, bastante volumoso. Mulheres de lata à cabeça, homens de laço à cintura -- calça e blusão de couro, rústico e amarfanhado -- crianças e jovens, enfim, pessoas de todas as idades acorriam a ver o que houvera. &lt;br /&gt;Embora ignorassem o que se dera, dirigiam-se em peso para a praça, curiosos por saberem a causa de tanta balbúrdia. A praça situava-se no centro da vila e, depois da igreja que nela assentava, era o local mais procurado pelos curiosose, sobretudo, por crianças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento ela era palco de estridente sinfonia de vozes adultas e infantis. E, dentre elas, destacavam-se murmúrios e imprecações, gritos e gemidos, além de intenso alarido feito por mães preocupadas à procura de seus filhos. A causa de tal algazarra ali estava, defronte a êles, pendurada à cruz do átrio da igreja.&lt;br /&gt;Sim, pregado na cruz que um abnegado missionário plantara -- quando, decidindo civilizar os habitantes daquelas ignotas terras, escalara escarpadas montanhas e se internara no, até então, isolado vale -- com os membros já frouxos e pendentes pela nefasta ação da morte se encontrava um corpo.E a pergunta que, com curiosa insistência, todos repetiam era:&lt;br /&gt;-- "Que monstro teria cometido aquele sangrento assassínio"?&lt;br /&gt;.................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Voltemos no tempo à tarde do dia anterior.&lt;br /&gt;Numa das várias casas existentes na pequena cidade, cujas janelas contrastavam perfeitamente com a alvura das paredes, passava-se um fato curioso e que seria a causa de todos os acontecimentos posteriores. A referida casa possuía comprida varanda que, seguindo junto à parede, dobrava em ângulo de noventa graus. &lt;br /&gt;Frente a ela estendia-se extensa campina, recoberta por viçosa grama e semeada de grotescos arbustos.&lt;br /&gt;Na parte fronteira da dita varanda havia várias gaiolas e, sentado em uma rústica cadeira, um garoto consertava uma delas. Dezenas de pássaros chilreavam em bonitas gaiolas, espalhadas por toda a varanda. Primavam pela linda plumagem e sonoro gorjeio e seu dono -- de doze anos, moreno, olhos vivos e fortes embora ainda pequeno -- orgulhava-se deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frequentava a escola da aldeia e, por conseguinte, soubera que vários pássaros de seus colegas sumiam, para encontrarem, dias depois, somente a cabeça, os membros e algumas esparsas penas. Por esta razão êle andava agora com um pontiagudo facão à cintura, atento aos menores ruídos e usando das maiores precauções na proteção a seus queridos pássaros. E, consertando a gaiola, refletia sobre os perigos que êle e seus pássaros corriam, quando chegou a seus ouvidos o plagente e abafado pio de uma avezinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde estava não podia ver o que se passava na parte final da varanda de modo que, largando precipitadamente a gaiola, se dirigiu apressado para a parte posterior da casa. Tarde demais! Na gaiola que estava sobre uma mesa viam-se, além da portinhola aberta, algumas penas minúsculas e coloridas. &lt;br /&gt;Desesperado e, sobretudo, irado, foi em perseguição ao impiedoso gatuno. Armou-se com uma atiradeira e, dirigindo-se para onde vira desaparecerseu inimigo, tomou a mesma direção. Muito tempo depois, com as costas e a face lanhadas pelos golpes nos arbustos, maldizendo anjos e demônios e quando já desistia de continuar a busca, entreviu o objeto de tantas discussões (e ameaças) com seus colegas sumindo entre as cerradas sebes que formavam a verde paisagem da campina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu em seu encalço e, então, vislumbrou de corpo inteiro o ignominioso ladrão que tão selvagemente matava as pobres avezinhas. Analisando detidamente seu inimigo, notou seu andar cauteloso e seu corpo longo e esguio, de cor negra e luzidia. Os músculos, que sobressaíam das costas e pernas, davam-lhe um aspecto de força e agilidade. Sua cabeça angulosa e curta, cujo nariz era achatada, movia-se constantemente para os lados, temendo algum perseguidor. &lt;br /&gt;Os olhos oblíquos, de pupilas pretas e grandes como azeitonas, giravam incessantemente, ora para um lado, ora para outro. Subitamente êle estaca, atento ao menor barulho e o garoto, imitando-o, imobiliza-se atrás da sebe na qual se achava, armando sem ruído sua pequena mas terrível arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agachado, o gatuno tentanva adivinhar de onde vinham e o que significavam os estranhos sons que ouvia. Mal sabia êle que receberia na nuca, poucos segundos depois, o impacto do projétil da arma cujos ruídos tanto o preocupavam. Oculto por densas sebes o menino esticara ao máximo sua atiradeira e, pondo-lhe rotunda pedra, armara cuidadosa pontaria. &lt;br /&gt;Sua mão tremia ligeiramente ao tentar como alvo um objeto tão móbil como o era a cabeça de seu adversário. Contando mental e vagarosamente até três, soltou o projétil. O lance não poderia ter sido melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ladrão deu um berro de pânico e dor e, perdendo o equilíbrio, caiu ao chão, fato do qual se aproveitou o menino -- largando precipitadamente sua arma -- para pular-lhe em cima e, ao mesmo tempo,  tentar estrangulá-lo. O larápio reagiu, arranhando-o com suas pontiagudas unhas e até tentando mordê-lo.Por fim o garoto, sangando e irado, tirou da bainha a sa inseparável faca de dois gumes e transpassou com ela o peito do adversário, que estrebuchou às portas da morte. &lt;br /&gt;Horríveis ruídos escaparam sa garganta da vítima mas, aos poucos, diminuíram até cessarem de todo. Mesmo assim, tomado de ódio insano e incontrolável, continuou a furá-lo repetidas vezes. Era um monstruoso espetáculo, sendo impossível acreditar que aquele comportado menino fosse capaz de tão sangrenta vingança.&lt;br /&gt;..................................................................... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um odor fétido e nauseante exalava dos intestinos do cadáver, perfurados e mostrando em toda sua extensão excrementos abjetos e restos alimentícios decompostos. E, sobre o repugnante quadro, moscas negras e ruidosas passeavam, voejando em torno daquilo que era, para elas, um lauto e delicioso banquete.&lt;br /&gt;Era uma cena insuportável, pois o corpo mutilado e sanguinolento que pregado na cruz se via não era -- creiam-me -- senão o de um... gato !                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-4871268816778925495?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/4871268816778925495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/um-assassino-em-potencial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/4871268816778925495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/4871268816778925495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/um-assassino-em-potencial.html' title='UM ASSASSINO EM POTENCIAL'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-6132716089555759679</id><published>2009-04-18T17:26:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T13:44:53.805-07:00</updated><title type='text'>JARDIM DE SONHOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIkt8RLzWI/AAAAAAAAADA/HSR14G96xY0/s1600-h/cartao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIkt8RLzWI/AAAAAAAAADA/HSR14G96xY0/s320/cartao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328361680823635298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JARDIM DE SONHOS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheceu... um sol sorridente e amigo bateu em sua janela, a despertá-lo para a manhã que dava os primeiros passos.&lt;br /&gt;Amanheceu mais um dia... e o senhor de ar juvenil agradeceu aos céus a dádiva da vida, sorvendo febril o sereno matinal. Abriu as janelas do coração e do abafado quarto e mirou seu amado jardim de poucas flores, selecionadas e eleitas ao longo de toda uma existência para viverem no canto mais secreto de seu ser, na ala mais discreta da casa, onde somente êle podia adentrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada uma delas, diletas flores, dedicara inicialmente tímido interesse, substituido mais tarde por disfarçada paixão e, por fim, avassalador amor que nem mesmo o tempo jamais conseguiu extinguir.&lt;br /&gt;Amou-as todas, cada uma a seu modo, com igual intensidade e ama-as ainda da mesma forma, que seu coração é, qual letra de música, "do tamanho de um trem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheceu mais um dia e o velho quedou-se em demorado silêncio sobre o parapeito da janela, imóvel como um felino, espécie de retrato gigante de um fotógado lambe-lambe qualquer. Olhava as flores de seu querido jardim recordando a história de cada uma, sua atração, o cortejo e o namoro, o princípio, o meio e o inevitável fim de cada aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali estava a "dirce" de seus tempos de menino disputando espaço com a dourada "elizabeth", esguia e singela qual margarida. Mais à frente vicejam as sensuais "sônia" e "kátia", a primeira deixando indelével seu perfume em sua alma. Ao lado vê-se "sandra", exótica rosa africana encorpada e carnuda. No centro "jomara", delicada, com charme sem igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante, a pervertida "rosa" com cheiro de sexo em cada centímetro do moreno tronco e, ao fundo, a angelical e alegre "maria das graças", flor graciosa e inesquecível.&lt;br /&gt;Sentida lágrima correu de seus olhos, o passado enevoou-se e, cerrando as pálpebras, o ancião fechou também as janelas de seu jardim de sonhos.&lt;br /&gt;Amanheceu mais um dia... um dia feliz !&lt;br /&gt;Um sol sorridente e amigo bateu em todas as janelas do Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-6132716089555759679?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/6132716089555759679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/jardim-de-sonhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6132716089555759679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/6132716089555759679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/jardim-de-sonhos.html' title='JARDIM DE SONHOS'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIkt8RLzWI/AAAAAAAAADA/HSR14G96xY0/s72-c/cartao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-3627202149418055529</id><published>2009-04-18T17:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T13:40:20.618-07:00</updated><title type='text'>"CONTOS" DE UM CANTO... SÓ!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIjnxJJC-I/AAAAAAAAAC4/YQyEhW6e-40/s1600-h/P1010810.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 241px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIjnxJJC-I/AAAAAAAAAC4/YQyEhW6e-40/s320/P1010810.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328360475246267362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"CONTOS" DE UM CANTO... SÓ!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhecia. A insônia consumia-lhe as entranhas, devorando células como os vermes aos restos de outros sêres. Desligou a TV, com suas imagens de crimes hediondos, sequestros, estupros, assassinatos bárbaros.&lt;br /&gt;Foi até a janela da sala tragando mortífero cigarro, enquanto o gato da vizinha estraçalhava ratos no seu quintal, com o fiel "pitbull" alerta e pronto para estraçalhá-lo em seguida. Enfim, tudo estava na mais santa paz, o Mundo corria conforme suas próprias leis. Recostou-se lentamente no sofá e... adormeceu !&lt;br /&gt;***** ***** *****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vários anos a sabiá passou ali, imóvel, os pés cravados no único poleiro da minúscula gaiola. Era o orgulho maior de seu dono e algoz, passarinheiro renomado na região.&lt;br /&gt;--"Valia mais que um carro"... vociferava, vaidoso. Um dia o pássaro amanheceu com ares de "auve" e sonhando ser macieira, de cujos frutos gostava tanto. Abriu as asas... e os olhos do patrão -- do tipo que engorda o gado, segundo o dito popular --notaram algo estranho. Por entre as penas nasciam folhas e, à tardinha, já se percebiam minúsculos frutos.&lt;br /&gt;-- "Milagre"... gritaram as beatas do lugar, enquanto as fãs de seitas e das demais religiões afirmavam ser coisa do Demônio. De noite surgiram-lhe raízes sob os pés e, na manhã seguinte, de coisa viva na bichinhasó restavam os olhos. movendo-se angustiados para todos os lados. Seu dono agora está triste! "Aquilo", do jeito que ficou, não vale nada para êle. Aos cientistas que o procuram não vende por dinheiro algum, pois acha que êles não sabem apreciar um belo espécime.&lt;br /&gt;**** **** ****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardinho não era um mau menino... apenas, garotos naquela idade tinham por hábito destruir tudo o que encontravam pela frente. Naquele momento dedicava-se a matar interminável fila de formigas, metódicamente, uma por uma.&lt;br /&gt;Arrependeu-se tarde demais! Deveria ter deixado ao menos umas vivas, pensou com tristeza. Amanhã não terá nada para fazer o dia inteiro.&lt;br /&gt;**** **** ****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz de velas, jantavam... os ânimos exaltados substituindo nos corpos a energia que faltava. A esposa, irada, gritava com o cônjuge, instalado no país vizinho:&lt;br /&gt;-- Luís Felipe, venha já para o Brasil... aí, você não sica nem mais um minuto!&lt;br /&gt;-- "Què pasa, su tonta"! O menino vai ficar comigo... está no contrato "eso"!&lt;br /&gt;-- Ouça bem, Ricardo: isso é lei aí na Argentina. Aqui,os filhos pequenos ficam com a mãe. Vem, Felipinho !&lt;br /&gt;-- "Entonces, la niña" Mercedes volta para mim. "Usted no puede quedar con los dos. Volve para su padre, muchachita" !&lt;br /&gt;-- Mas, "papito", eu... "estoy bien acá"!&lt;br /&gt;Esse "tango à meia luz" continuaria indefinidamente se o pai, irritado, não se retirasse da sala com estrépito, abandonando a mesa de jantar e recolhendo-se ao quarto do casal.Em um futuro qualquer, havendo nova guerra entre os países, a casa -- situada sobre a imaginária linha de fronteira -- seria dividida em dois, ficando parte da sala e a cozinha com a esposa, brasileira, e o restante com seu ex-marido argentino.&lt;br /&gt;**** **** ****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "lulu" era "filha única" da madame "Tetê" Stramp, milionária do high society. Tinha lugar à mesa, pratinho próprio, guardanapo e empregada para lhe escovar os delicados caninos após as refeições.&lt;br /&gt;Banhavam-se juntas, dormiam na mesma cama, vestiam-se com idêntico "modelito" Saint Laurent -- a cadela de "papatinhos" de crochê -- e eram as duas "paparicadas" pelas amigas (interesseiras) da ricaça.&lt;br /&gt;Acordaram, um belo dia, ambas "meio de lua"... madame ganindo pelos cantos e a "lulu", em pé nas charmosas patinhas, pedindo com os olhos o café da manhã à criadagem.&lt;br /&gt;Durante o chá das cinco -- servido com biscoito para cães -- as amigas estranharam o comportamento da "socialite", encolhida sob a mesinha de centro, mas nada disseram. "Caprichos de gente grã-fina", concluíram.&lt;br /&gt;Ontem foi refeito o testamento: depois que a "totó" morrer, dona "Tetê" herdará dez milhões de dólares !&lt;br /&gt;          &lt;strong&gt;"NATO"  AZEVEDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-3627202149418055529?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/3627202149418055529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/contos-de-um-canto-so.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/3627202149418055529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/3627202149418055529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/contos-de-um-canto-so.html' title='&quot;CONTOS&quot; DE UM CANTO... SÓ!'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfIjnxJJC-I/AAAAAAAAAC4/YQyEhW6e-40/s72-c/P1010810.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-7876057301241947182</id><published>2009-04-15T14:40:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T09:46:39.284-07:00</updated><title type='text'>RESUMO DOS CONTOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHs2FSWEkI/AAAAAAAAACI/dcY3L1gPcPc/s1600-h/jornal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 258px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHs2FSWEkI/AAAAAAAAACI/dcY3L1gPcPc/s320/jornal.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328300248032219714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Considerações sobre   "QUASE NADA..."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando de livros 'QUASE NADA..." será a primeira publicação deste Autor, embora já tenham sido lançados em edição artesanal (em xerox) os livretos "Palavras ao Vento" -- de poesias, com 200 cópias, em Belém, 1985/87 -- e um "Quase Nada" com variados textos (músicas, crônicas, poemas, contos, ilustraçes), este último com tiragem de  80 exemplares, entre 1988/1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha obra atual contém apenas contos, englobando o que de melhor produzí nos últimos vinte anos, boa parte deles com pitadas de non-sense e de absurdo, mas algo também baseado em minha vivência no que ainda resta da outrora exuberante Amazônia, em 24 anos de convivência com suas coisas, ´pessoas, hábitos e... tradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os originais de &lt;strong&gt;"QUASE NADA..." &lt;/strong&gt;se compõem de 95 laudas com 36/38 linhas datilografadas em espaço 2, papel ofício A4, com 70/74 toques por linha. Constam do futuro livro os 25 contos abaixo discriminados em breve RESUMO, além de prefácio do próprio Autor e uma Apresentação (ou Crítica), estando previstas capa/contracapa em policromia.&lt;br /&gt;                                            &lt;br /&gt;                      &lt;strong&gt; SUMÁRIO  (resumo dos contos)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;01 - MANJAR CELESTIAL - os primeiros missionários que povoaram o Brasil enfrentaram muitos inimigos; pajés invejosos, costumes adversos, as tentações da carne e também fiéis... canibais. Frei Barnabé Tello lutou para superar tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02 - UM PRESENTE ESPECIAL - a vida nos garimpos pode mudar de um dia para outro mas, mesmo assim, sorte e azar são como irmãos siameses... andam sempre juntos !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03 - O IMPASSE - o terreno atrás da igreja-matriz era só um brejo, contudo os dois fazendeiros mineiros vivam às turras por causa dele. Nem o vigário local conseguiu resolver a pendenga. Foi preciso contratar um Juiz de Paz de outra cidade para desfazer o impasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04 - TIRO E QUEDA / QUEDA E TIRO - a partir de fatos e notícias do dia-a-adia, principalmente de jornais, surgem minicontos onde o inverossímil impera e a fantasia é mais real que a própria realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05 - A ÚLTIMA CHANCE - jogos de azar são a única oportunidade que a maioria tem de mudar de vida. Um jovem nissei também teve, com a Lotomania, sua derradeira chance. Só mesmo um terremoto (no Brasil?!) poderia arrasar sua sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06 - MERCADORIA DE NATAL - dezembro é tempo de visitar amigos e parentes que não se vê durante o ano inteiro. É Natal... tempo de vender quase tudo, inclusive um filho !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07 - O FANTASMA DO SINO - estradas, à meia-noite, são terreno propício para o surgimento de almas penadas, bruxas e fantasmas. Dessa sina não escapam nem as rodovias amazônicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08 - O LABIRINTO - "quem tem um, não tem nenhum", diz velho ditado popular. O aposentado Orinaldo pensava assim, quando invadiu o lote desocupado de um seu vizinho de posses. Recebeu em troca uma lição i-nes-que-cí-vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09 - MINIDRAMA EM 2 ATOS - temas distintos em dois minicontos com um p no fantástico e final-surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - UM SINAL DO ALÉM - os deuses sempre escrevem certo mas nos negamos a ver seus sinais. O "médium" Dr. Nicolau cometeu o maior rro da sua vida ao desdenhar o jovem pivete "Didi". Ah, se arrependimento matasse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - O SAL DA TERRA - finalmente a centenária castanheira tombou, ferida por machados e serras elétricas. Morreram com ela os sonhos e os devaneios sentimentais de meia cidade, soterrados sob cimento e pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - O ÚLTIMO PESADELO - curtindo a sesta debaixo de frondosa mangueiro o caboclo parauara sonhava feliz. Acordou apenas para assistir ao maior pesadelo de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 - SOLUÇÃO CRIATIVA - definitivamente, o Céu estava uma bagunça e nem o Criador conseguia dar um basta naquela baderna. Ento, Deus convocou São Pedro, que intimou São Benedito, que reuniu o pessoal... daí, surgiu a solução! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - MANCHETE FATAL - êle "bolara" e executara o crime perfeito. Houve apenas um senão... a manchete fatal !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - O "RABO" DO TATU - uma curiosa estória sobre caçadas, tatus, caboclos, seus patrões da cidade e de como preconceitos arraigados influenciam a vida de quase todos, no interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 - CINEMA DE VANGUARDA - êle foi prestigiar o cinema nacional, nos anos 70, num pulgueiro em Botafogo. Quase apanhou do "lanterninha" e acabou sendo atropelado pela "carrocinha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 - O ETERNO COMBATE DOS VENCIDOS - breve alegoria a respeito da medicina, sobre médicos e sua luta para salvar vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 - A ÚLTIMA CEIA - o imperador Nero estava intrigado: seus magnficos leões recusavam-se a devorar escravos africanos. Sua Majestade ordenou que descobrissem porquê !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 - PAISAGEM AMAZÔNICA - todos se foram, só êle ficou ali, entre matas e águas. Mas, a bem da verdade, nem êle estava l !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 - BENÉ, O "DENTE DE OURO" - nas Minas Gerais dos inconfidentes "Bené" era somente um jovem escravo a serviço do ideal de libertar seus irmãos de côr. Até que seu senhor descobriu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 - O OLHAR PENETRANTE DA NOITE - a Noite na floresta tem alma, olhoshipnóticos, mãos geladas e sussurra convites aos mais incautos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 - REVELAÇÃO DO ANO -  o marceneiro desesperançado decidiu mudar de ramo e de vida. Pelas mãos de seu casal de filhos de 10-12 anos virou pintor, artista de renome nacional e, por fim, criou uma ONG milionária para formar no morro outros tantos "gênios" mirins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 - UM ASSASSINO EM POTENCIAL - os passarinhos da garotada do vilarejo estavam sumindo misteriosamente. Era preciso achar o ladrão o mais rpido possível... e matá-lo, se necessário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 - JARDIM DE SONHOS - metáfora lírica que versa sobre os amores (platônicos ou verídicos) do Autor quando jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 - "CONTOS" DE UM CANTO... SÓ! - mantendo o "estilo" iniciado em Tiro e Queda, trata de re-visões do dia-a-dia do homem comum, além de textos nascidos das notas &amp; notícias (re)tiradas de jornais e revistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-7876057301241947182?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/7876057301241947182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/resumo-dos-contos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7876057301241947182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/7876057301241947182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/resumo-dos-contos.html' title='RESUMO DOS CONTOS'/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SfHs2FSWEkI/AAAAAAAAACI/dcY3L1gPcPc/s72-c/jornal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2998511146743696661.post-5612747897107235207</id><published>2009-04-15T14:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T14:32:36.908-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SeZSXDzGBcI/AAAAAAAAAB4/fpNgder060s/s1600-h/sem+t%C3%ADtulo+1.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 258px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SeZSXDzGBcI/AAAAAAAAAB4/fpNgder060s/s320/sem+t%C3%ADtulo+1.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325034165522269634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2998511146743696661-5612747897107235207?l=natoazevedo-quasenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/feeds/5612747897107235207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5612747897107235207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2998511146743696661/posts/default/5612747897107235207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/2009/04/blog-post.html' title=''/><author><name>"NATO" AZEVEDO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04971931400494600107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SKSFIAqMN_I/AAAAAAAAAAo/-UZYPclCito/s1600-R/fotonato.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_J4xatSdv-BE/SeZSXDzGBcI/AAAAAAAAAB4/fpNgder060s/s72-c/sem+t%C3%ADtulo+1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
